terça-feira, 17 setembro 2019
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Venezuela retém jornalista no palácio presidencial e confisca entrevista com Maduro | Internacional

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O jornalista Jorge Ramos, do canal hispânico norte-americano Univision, passou mais de duas horas retido no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, depois que Nicolás Maduro interrompeu uma entrevista por considerar algumas das perguntas inapropriadas. O jornalista mexicano, um dos mais destacados da emissora e uma referência nas Américas, denunciou que os seguranças confiscaram todo o material gravado.

Conforme relatou Ramos em um conversa com apresentadores do canal, depois de 17 minutos de entrevista o mandatário se incomodou. “Não gostou das coisas que estávamos lhe perguntando sobre a falta de democracia na Venezuela, sobre a tortura, os presos políticos”, disse. Então, quando lhe mostrou um vídeo onde se vê um grupo de jovens comendo restos tirados de um caminhão de lixo, Maduro se levantou e foi embora. O ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, dirigiu-se à equipe para dizer que a entrevista estava encerrada e não tinha autorização para ir ao ar. Enrique Acevedo, apresentador da Univision, tuitou na sua conta o vídeo, com pouco mais de dois minutos, em que três rapazes pegam comida diretamente da parte traseira de um caminhão de lixo que para durante seu percurso pelas ruas, enquanto outras pessoas gravam a cena com seus celulares (veja abaixo).

O vídeo que provocou que Nicolás Maduro se levantasse da entrevista com Jorge Ramos.



Na sua entrevista telefônica à própria Univision, Jorge Ramos descreveu como foi o incidente com Maduro e como os seguranças do presidente retiveram os membros da equipe e confiscaram seu material. “Passamos mais de duas horas retidos dentro do Palácio de Miraflores […]. Depois de 17 minutos de entrevista, [Maduro] não gostou das coisas que estávamos lhe perguntando sobre a falta de democracia na Venezuela, a tortura, os presos políticos, sobre a crise humanitária que estava vivendo, e se levantou da entrevista depois que lhe mostrei o vídeo de alguns jovens comendo de um caminhão de lixo. Imediatamente depois, um de seus ministros, Jorge Rodríguez, veio nos dizer que a entrevista não estava autorizada e nos confiscaram todo o nosso equipamento (não temos nada). Ficaram com as câmeras. (…) A entrevista está com eles, tiraram todos os celulares de nós, e nos mantiveram separados [os membros da equipe] durante duas horas e meia. No meu caso e da produtora María Guzmán, nos colocaram em uma sala da segurança, apagaram as luzes, tiraram nossos celulares, tiraram nossa mochila e tiraram nossas coisas pessoais.

Este jornal pediu uma versão do ocorrido a Rodríguez, que, através de uma mensagem, afirmou que Ramos “veio fazer uma entrevista, veio insultar e gravar zonas de segurança do palácio com câmeras escondidas. Demos por terminada a entrevista e já foram embora para o hotel”. Em sua conta do Twitter, o titular da pasta de Comunicação escreveu que “já passaram pelo Miraflores centenas de jornalistas que receberam o tratamento decente que de forma habitual dispensamos a quem vem cumprir o trabalho jornalístico e que publicaram o resultado desse trabalho. Não nos prestamos a shows baratos”.

Os seguranças do Miraflores, segundo Ramos, confiscaram as câmeras e as gravações da equipe, integrada por outro mexicano, um venezuelano e quatro norte-americanos. Todos ficaram retidos das 19h às 21h30 (hora local), antes de serem escoltados ao seu hotel na capital venezuelana, que mais tarde continuava vigiado por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin). O presidente da Univision Notícias, Daniel Coronell, afirmou que os membros da equipe jornalística foram informados de que serão deportados nesta terça-feira.

Logo após saber da notícia e a sua grande repercussão, o chanceler do México, Marcelo Ebrard, afirmou ter manifestado ao Governo da Venezuela a sua “preocupação e o protesto com o ocorrido hoje no Palácio de Miraflores com Jorge Ramos e sua equipe”. Posteriormente, em nota, acrescentou que o governo esquerdista do México solicitou “a devolução do equipamento e dos materiais a Jorge Ramos e a seus colaboradores”. “Nosso país faz um chamado ao respeito à liberdade de expressão e referenda sua obrigação em defesa da segurança dos cidadãos no exterior”, disse o chanceler do México, país de origem do jornalista.

Também o senador norte-americano Marco Rubio criticou a atitude de Maduro, assim como o Departamento de Estado, a quem Daniel Coronell agradeceu por “sua oportuna reação a fim de garantir a liberação de nossos colegas arbitrariamente detidos pelo regime do Nicolás Maduro”.



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