domingo, 20 outubro 2019
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Um terço das vítimas da tragédia de Mariana têm depressão

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Uma pesquisa feita com pessoas atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, mostra que 29% dos ouvidos têm depressão. A taxa é cinco vezes maior do que a média observada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na população brasileira em 2015, ano da tragédia. 

 

O estudo, feito pela Faculdade de Medicina da UFMG, mostra que, dois anos e meio após a tragédia, a saúde mental dos atingidos está tão vulnerável quanto a de vítimas de desastres como o nuclear, de Fukushima, no Japão, ou o atentado ao World Trade Center, nos Estados Unidos, imediatamente após os acontecimentos. A medida foi feita com base nos relatos de sintomas de estresse pós-traumático, como insônia, tonteiras, falta de ar e dor de cabeça. 

 

A pesquisa mostra ainda que o transtorno de ansiedade generalizada acomete 32% das 271 pessoas ouvidas. Três vezes mais do que a taxa nacional. Os números  altos assustam pesquisadores, que esperavam encontrar resultados “mais brandos” devido ao tempo decorrido desde o desastre. 

 

Segundo o professor do departamento de saúde mental da Faculdade de Medicina da UFMG,

Frederico Garcia, os dados mostram que, mesmo com o passar do tempo, o fator estressor do desastre continua ativo na vida dessas pessoas. “Existe um elemento estressor permanente. Ele não passou, caso contrário, a gente não encontraria níveis tão altos de estresse pós traumático. A abordagem que está sendo oferecida não é suficiente”, observa. 

 

Também professora da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenadora do estudo, Maila de Castro, diz que é possível traçar hipóteses sobre o que esteja afetando tão incisivamente a saúde mental da população. “Eles viviam em uma comunidade que existia há quase duzentos anos. Com o rompimento da barragem, essas pessoas se espalharam, perderam essa noção de coletividade que fazia parte da identidade delas”, diz. 

 

Os pesquisadores explicam que o estudo pode embasar políticas públicas de saúde mental direcionadas a essa população. Eles ressaltam ainda que o monitoramento dos níveis de depressão e estresse deve ser periódico, para que seja possível pensar em uma estratégia a longo prazo. “Esses dados podem servir para o poder público pensar em elaborar planos de ação concretos para por em prática em grandes catástrofes, que não são comuns no estado”, diz Frederico.

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