quarta-feira, 21 agosto 2019
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Um Dia da Mulher à africana | Internacional

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Elas não fazem greve. Levantam-se cedo para preparar o café da manhã para a família, como todos os dias, e fazer a limpeza, e depois ir para o emprego, se tiverem. Muitas nem sequer têm a oportunidade de falar mesmo por um dia para reivindicar seus direitos menosprezados. As mulheres de Saint Louis, no Senegal, trabalham do mesmo jeito no Dia Internacional da Mulher. Ou mais, diz a cabeleireira Khadi Mbaye: “Para mostrar que não precisamos de homens para nos trazer comida”. Mas, além de ir para o trabalho fora de casa ou fazer suas tarefas habituais, muitas também celebram, conversam, sensibilizam, reivindicam… Para demonstrar seu valor na sociedade e denunciar as violações que sofrem pelo fato de serem mulheres.

8 horas. Uma carta e um gesto

Logo cedo, no Colégio de Tassinere, na comunidade rural de Ndiebene Gandiol, a 20 km de Saint Louis, cinquenta alunas do 4º ano fazem com a professora, Malado Fall Ka, uma análise de texto sobre o casamento tradicional. “Como vantagens está a sacralização do vínculo entre as famílias”, diz Fama, uma das estudantes de 15 anos. “No entanto, neste tipo de casamento há a imposição do pai, às vezes contra a vontade da filha, o que pode levar a casamentos forçados, desentendimento e até a violência no casal”, continua.

Nos dias anteriores, os estudantes desta escola estudaram a obra Sous l’Orage (Sob a Tempestade), de Seydi Badian, que também aborda o casamento forçado. E neste 8 de março fazem uma leitura coletiva do clássico da literatura feminista africana Une Si Longue Letre (Uma tão longa carta), de Mariama Bâ, sobre a poligamia. Leem em wolof com alguma dificuldade, porque não é comum ler nesta língua, o que provoca riso e vergonha. Para Abdourrakhmane, que fez uma apresentação sobre a importância do Dia Internacional da Mulher, é fundamental reconhecer este dia, “assim como o 7 de Março, importante na memória coletiva da luta das mulheres no Senegal”. Nesta data, em 1820, um grupo de mulheres da área do Walo se imolou em uma cabana antes da chegada iminente dos homens de um povo inimigo que queriam levá-las como escravas.

Nesta mesma hora, na Universidade Gaston Berger, em Saint Louis, os estudantes do sexo masculino preparam o café da manhã para suas colegas e as funcionárias da instituição, em um gesto de apoio a elas. Depois, cuidam eles mesmos da limpeza do local, informa Matar Dieng, uma das alunas.

10 horas. Conversa entre tatas

Duas horas mais tarde, às 10, na rádio comunitária Gandiol Gueum Sunu Bopp FM, Ndeye Fatou Ka, uma aluna de último ano de Artes e Culturas da Universidade Gaston Berger, de Saint Louis, apresenta uma transmissão dedicada ao papel de mulheres no desenvolvimento da comunidade. Participam mulheres jovens como Fatou Mbodj, que fala sobre seu envolvimento em programas ambientais realizados na comunidade, e Seynabou Faye, que está aprendendo o ofício da técnica de vídeo com a associação Hahatay. Elas são acompanhadas pelas mais veteranas Absa Guido, coordenadora de um programa de saúde da mulher, Marianne Fall, promotora de uma rede de mulheres, e Ndeye Fatou Sarr, diretora da classe de pré-escola de Pilote-Barre.

Um Dia da Mulher à africana


A conversa tem como foco a necessidade de reconhecer a participação decisiva da população feminina no desenvolvimento agrícola, criação de pequenos animais (frangos, cabras) e processamento de peixe, mas também em setores menos tradicionais, como a construção ou a comunicação. Todos veem a necessidade de “romper estereótipos para abrir a mente das futuras gerações”.

Na conversa entre tatas – palavra que usam para designar umas às outras, em sinal de sororidade e respeito – não evitam questões espinhosas, como a influência de ter ou não marido para o acesso a um emprego e serem tratadas “com dignidade” em certos espaços comunitários. Elas também falam sobre política. Denunciam a exposição de mulheres que se envolvem com um partido político. “Você é desprezada, julgada e te chamam do nome de todos os pássaros (insultos personalizados)”, explica a última a entrar na conversa, Raby Seye.

Um Dia da Mulher à africana


Enquanto isso, em outro lugar, os alunos da escola Didier Marie Saint Louis estão concentrados em um centro poliesportivo para comemorar o 8 de março. Entre as atividades, prepararam uma conferência sobre a emancipação da mulher, um poema dedicado às mulheres e uma peça de teatro.

12 horas. A dignidade das processadoras de peixe

No bairro dos pescadores de Saint Louis, Guet Ndar, as ruas mantêm a imagem de todos os dias. Neste lugar, todos os anos as processadoras de peixe costumam realizar alguma atividade especial para serem notadas, por ocasião da celebração do 8 de março. Mas neste ano, não. “Não recebemos nenhuma informação sobre mobilizações”, explica Fatubintu Sar, presidenta de uma das associações que representam esse grupo de trabalhadores. Por isso está salgando peixe como de costume, sob uma lona para se proteger do sol escaldante do meio-dia. Mas ela sabe que este é o dia em que a voz das mulheres deveria ser ouvida e tem uma mensagem: “Gostaríamos de ter um lugar de trabalho decente, porque o trabalho que fazemos é digno. Onde estamos agora não há luz, nem telhado, sem segurança.”

Fatubintu Sar, presidenta de uma das entidades que representam as processadoras de peixe, pede condições dignas de trabalho


Fatubintu Sar, presidenta de uma das entidades que representam as processadoras de peixe, pede condições dignas de trabalho

16 horas. Uma casa para as mulheres

A ONG La Liane inaugura nesta data histórica a Casa dos Direitos da Mulher, em Saint Louis, um centro de atendimento às vítimas de violência de gênero. “Este centro pode ser a sua salvação”, proclama Claude Hallegot, a presidenta da organização, que veio da França para a ocasião. O público: cinquenta mulheres da comunidade que são convocadas a se tornarem as embaixadoras do local, de tal maneira que a maior quantidade possível de vítimas saiba onde pode receber ajuda. Este projeto é mais um passo do trabalho de capacitação e empoderamento da população feminina, como também de assistência a crianças, que vem realizando essa entidade nos últimos anos na cidade. “Estar grávida por estupro ou fora do casamento, ou sofrer maus tratos não têm que ser motivo de vergonha”, acrescenta Hallegot, sob aplausos, exortando as presentes a “se rebelarem” contra as injustiças.

9h30. Música para encerrar o dia

Muitas outras atividades foram realizadas em Saint Louis neste Dia da Mulher. Mas, sem dúvida, a cereja do bolo para um dia de reivindicação é o show de Coumba Gawlo, uma das atuais divas da música no Senegal.

Esse conteúdo foi produzido pelo PLANETA FUTURO. Você pode seguir o projeto nas redes sociais: Twitter e Facebook e Instagram, publicado originalmente em espanhol.



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