terça-feira, 12 novembro 2019
Início / Conteúdo / Três missões espaciais farão história nos próximos dias | Ciência

Três missões espaciais farão história nos próximos dias | Ciência

[ad_1]

Enquanto milhões de pessoas se preparam para a festa de fim de ano, uma espaçonave não tripulada a mais de 110 milhões de quilômetros da Terra ligará seus foguetes para fazer história.

A sonda Osiris-Rex da NASA se aproximará do asteroide Bennu e começará a orbitá-lo a apenas um quilômetro e meio da superfície. Nunca antes se tentou uma manobra assim, que depende da força de microgravidade exercida pela rocha, de apenas 500 metros de diâmetro.

A entrada em órbita será um dos primeiros marcos para esta missão, cujo objetivo final é tocar o chão do asteroide durante cinco segundos, aspirar uma amostra do solo e enviá-la de volta à Terra em 2023.

Bennu pertence ao tipo de asteroides mais antigos do sistema solar. Estima-se que tenha permanecido quase intacto desde que se formou, há quatro bilhões de anos. Estes corpos contêm compostos orgânicos e aminoácidos, elementos básicos para a vida em nosso planeta. Mas quando um destes corpos atinge a Terra, grande parte de seu conteúdo queima na atmosfera. “Esta será a primeira vez que poderemos analisar um material antigo ao qual nunca tivemos acesso”, destaca Javier Licandro, uns dos quatro pesquisadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (Espanha) que colaboram com a missão da agência espacial norte-americana. Sua equipe analisa as imagens tomadas pelas três câmeras a bordo da sonda e determina a composição do asteroide, uma tarefa que ajudará a fixar o ponto de extração da amostra.

Em 1º de janeiro de 2019, a mais de seis bilhões de quilômetros, outra sonda norte-americana, a New Horizons, mostrará pela primeira vez Ultima Thule, o corpo mais longínquo já visitado no Sistema Solar. Esse mundo se encontra além de Plutão, dentro do cinturão de Kuiper, um disco que pode conter milhares de asteroides e trilhões de cometas, estendendo-se até os limites do Sistema Solar.

Ultima foi descoberto em 2014 e observado da Terra graças a duas expedições astronômicas na Patagônia argentina e no Senegal, que permitiram estimar seu diâmetro em 30 quilômetros. “Ultima Thule significa: daqui em diante começa o desconhecido” em latim, explica Adriana Ocampo, uma das chefas do programa Novas Fronteiras da NASA, que engloba as sondas New Horizons, Osiris-Rex e Juno, que explora Júpiter. Ultima “é o objeto mais primitivo já sobrevoado, e pode esclarecer o papel que os objetos do cinturão de Kuiper continuam exercendo em desviar os cometas de suas trajetórias e fazê-los se aproximarem do núcleo do Sistema Solar, um processo que pode ter semeado a vida em nosso planeta por impactos destes corpos”, explica Ocampo.

O encontro com Ultima Thule será fugaz, mas produtivo. A nave passará a 3.500 quilômetros da superfície de 2014 MU69, o nome oficial deste corpo, apenas um terço da distância à qual sobrevoou Plutão. Ali descobriu pela primeira vez a geografia do planeta anão e corroborou a ideia de que sob uma espessa camada de gelo pode haver um oceano líquido com tanta água salgada como há na Terra. Durante 72 horas, as câmaras da New Horizons captarão imagens em alta resolução de Ultima Thule, procurarão suas possíveis luas e anéis e determinarão se ele é composto por dois objetos que viajam juntos, quase se tocando, ou um só.

A NASA espera publicar as primeiras imagens do corpo em 2 de janeiro e, na primeira semana do ano, chegarão imagens em alta resolução. “Essa missão é algo épico, histórico”, ressalta Ocampo, geóloga de origem colombiana.

Nos primeiros dias de 2019, enquanto isso, a China espera alcançar um terceiro marco muito mais próximo: aterrissar pela primeira vez no lado oculto da Lua. A face não visível do nosso satélite não é escura, mas tem períodos de dia e noite que duram cerca de 14 dias terrestres. A sonda Chang’e-4 foi lançada em 12 de dezembro e começou a orbitar a Lua dois dias depois. O módulo de aterrissagem e o veículo móvel de exploração chinês precisam de luz para seus painéis solares, portanto, espera-se que a aterrissagem ocorra no próximo nascer do sol, nos primeiros dias de 2019.

A aterrissagem está prevista na cratera de Von Karman, de 186 quilômetros de diâmetro, que por sua vez está na bacia de Aitken, que, com um diâmetro de mais de 2.500 quilômetros, é uma das maiores crateras de impacto do sistema solar. A missão inclui o satélite de comunicação Queqiao por causa da necessidade de triangular as comunicações com a Terra, outra das razões pelas quais um pouso nesta área nunca foi tentado antes. A missão inclui vários instrumentos científicos, entre eles uma caixa selada desenvolvida por estudantes que contém os possíveis primeiros habitantes da Lua: bichos-da-seda.

MURO DE TRUMP APAGA A NASA

A geóloga planetária Adriana Ocampo trabalha na NASA há mais de três décadas, mas nunca tinha estado em uma situação como a atual. A paralisação do Governo norte-americano forçada por Donald Trump por causa da construção do muro com o México significa que 95% dos empregados da agência espacial do país não podem ir ao trabalho. Só foram mantidos aqueles postos fundamentais, como aqueles que garantem a segurança dos astronautas da Estação Espacial Internacional. Por tudo isso, provavelmente Ocampo, que trabalha nessas missões há anos, não esteja de serviço quando essas missões realizarem as duas ansiadas manobras. A paralisação do Governo não frustrará a entrada em órbita da Osiris-Rex nem o sobrevoo de Ultima porque as manobras foram programadas previamente e preparadas especificamente na expectativa de que poderia haver uma paralização administrativa, explica Ocampo. O conflito parlamentar pode significar um apagão de informações na NASA, já que sua televisão não funcionará e seu site não será atualizado. De qualquer forma, o sobrevoo de Ultima Thule poderá ser acompanhado porque o centro de operações não está na NASA, mas na Universidade Johns Hopkins, cujo site oferece uma programação especial a partir de hoje. Ocampo provavelmente terá uma nova oportunidade para estar de serviço em um momento histórico. A New Horizons carrega um motor nuclear e sua vida será de pelo menos 40 anos ou mais, durante os quais se espera que possa visitar ao menos mais um corpo do cinturão de Kuiper.

[ad_2]
Click aqui e acesse o artigo original
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/27/ciencia/1545934023_985777.html#?ref=rss&format=simple&link=link

Veja também...

Brasil continuará incomodando países concorrentes no agronegócio, diz ministra – Economia

[ad_1] A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta segunda-feira, 11, em Não-me-Toque (RS), onde …

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.