segunda-feira, 14 outubro 2019
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Sob efeito de ecstasy, polvos também se mostram afetuosos | Ciência

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Os polvos são animais um pouco antissociais quando não procuram companhia para procriar. No entanto, parece que, como muitos outros seres aparentemente solitários, possuem a sociabilidade armazenada em seus genes, embora a administrem com parcimônia. Nesta quinta-feira, em um artigo publicado na revista Current Biology, o neurocientista Gul Dölen e o biólogo Eric Edsinger contam como conseguiram descobrir essa parte mais oculta dos polvos com doses de MDMA (ecstasy), uma espécie de droga do amor de efeitos pró-sociais comprovados entre humanos.

Os polvos são seres estranhos. Nas palavras do filósofo australiano Peter Godfrey-Smith, são a coisa “mais próxima de uma inteligência extraterrestre que podemos encontrar na Terra“. Nossas linhas evolutivas se separaram há 500 milhões de anos, mas esses invertebrados acabaram desenvolvendo mentes poderosas, embora diferentes daquelas dos vertebrados. Dölen e Edsinger usaram o polvo da espécie Octopus bimaculoides para analisar sua resposta a uma substância que provoca seus efeitos por meio do gene transportador da serotonina.

Quando uma pessoa toma MDMA, experimenta um aumento de serotonina, dopamina e ocitocina, o que produz uma necessidade incomum de se aproximar e interagir com os outros. Algo semelhante aconteceu com os polvos quando os pesquisadores colocaram a droga na água do aquário onde estavam. Em seu estado normal, os animais —que estavam em três câmaras conectadas, uma vazia, uma com uma boneca e uma com um polvo— tinham um interesse maior do que o esperado por seus pares, especialmente por uma fêmea. No entanto, com o ecstasy, passaram mais tempo na câmara onde havia um polvo preso e tentavam um contato físico atípico para essa espécie.

Os pesquisadores haviam observado que o mecanismo que permite que o MDMA grude nas células, por meio de uma proteína produzida pelo gene SLC6A4, está presente em boa parte das espécies animais estudadas. Esse seria o sistema pelo qual a serotonina, um hormônio presente em animais há centenas de milhões de anos, regula o comportamento social. Dölen, da Universidade Johns Hopkins, e Edsinger, do Laboratório de Biologia Marinha Woods Hole, no entanto comentam uma curiosidade no artigo: a perda desse gene entre formigas e abelhas, insetos com um nível extremo da sociabilidade, o que sugere que se organizam através de outros neurotransmissores.

Apesar da presença dessas rotas que os tornam suscetíveis ao MDMA, nem todos os recursos conservados no genoma de um animal necessariamente se expressam da mesma forma ou o tempo todo. “Acreditamos que, no caso dos polvos, era vantajoso ser associal, então esse mecanismo é suprimido, exceto quando se acasalam”, explica Dölen.

Além de entender melhor a origem do comportamento social, os pesquisadores —que descobriram que as quantidades eficazes de MDMA são semelhantes para polvos, humanos e roedores— acreditam que estes animais também podem se tornar modelos para testar drogas experimentais.

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