quinta-feira, 24 outubro 2019
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Rejeitos da barragem de Mariana prejudicam parque na Bahia

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A Lama do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, em 2015, afetou o Parque Nacional dos Abrolhos, na Bahia. Um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) comprovou que os corais do parque sofreram impactos significativos decorrentes da contaminação por rejeitos da Samarco. 

Abrigando mais de um terço de toda a biodiversidade marinha global conhecida, Abrolhos é considerado o recife mais importante do Atlântico Sul. A pesquisa, que tem cerca de 50 páginas, mostra que os corais estão com a presença de metais em suas estruturas, demonstrando notória incorporação de zinco e cobre e outros elementos.

O coordenador do trabalho, Heitor Evangelista, do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg), criou uma página no facebook, chamada Abrolhos Sky Watch, para observar a dispersão da lama do rio Doce até o mar.

“Eu e meus alunos checávamos diariamente as imagens de satélite e colocávamos na internet para o público ir acompanhando o desenrolar do problema”.

O monitoramento acendeu o alerta de que os rejeitos poderiam chegar ao parque marinho, localizado a cerca de 250 km da foz. “A gente já desenvolvia um trabalho em Abrolhos com corais. Então entrei em contato com o ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), em Brasília, e programei uma coleta de duas colônias no arquipélago. Através de técnicas químicas, constatamos que, no meio do crescimento dos corais, houve um pico enorme de metais pesados, que coincide exatamente com a cronologia da chegada da pluma de sedimentos da Samarco”, explicou o professor.

Evangelista afirma que o dano é irreparável, devido à extensão atingida. “Nosso papel é saber em que medida aquela área foi impactada. E a partir daí deflagrar mecanismos de monitoramento para descobrir qual vai ser a resposta biológica diante desse fato. Não há como remediar, mas nós precisamos aprender com esse processo”, informou. 

O professor acrescenta que a preservação já vinha sendo ameaçada pela temperatura mais alta da água dos oceanos. “Agora, precisamos monitorar levando em conta este novo fator, para antever o que pode acontecer”, complementa. 

O relatório foi encaminhado ao ICMBIO, órgão do Ministério do Meio Ambiente, e vai integrar os autos da multa ambiental aplicada à Samarco. “Até agora não havia nada provando um sinal claro da pluma da mineradora em Abrolhos. Esse trabalho é conclusivo nesse sentido”, finalizou o pesquisador.

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