segunda-feira, 14 outubro 2019
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Professora vence prêmio por abordar, nas aulas, o suicídio

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No início de todo ano letivo, os alunos do nono ano do Colégio de Aplicação João XXIII, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, têm um desafio na disciplina de língua portuguesa: eleger um assunto para ser trabalhado no aprendizado de argumentação da disciplina de português. Os temas escolhidos, geralmente, abordam a violência, a gravidez na adolescência e o aborto. Em 2018, no entanto, a professora Lucilene Hotz Bronzato, 52, foi surpreendida com um tema ainda pouco falado nas salas de aula: a maioria dos 90 jovens na faixa de 14 anos queria falar sobre depressão e suicídio.

“Não estava preparada para que esse tema viesse à tona”, admite Lucilene, que também leciona no mestrado profissional de letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), à qual o colégio é vinculado. “Não nesta faixa etária”, conta. Em conversa na sala dos professores, teve nova surpresa: o assunto também era uma demanda das turmas do sexto, sétimo e oitavo anos.

Mesmo assustada, Lucilene – que leciona há mais de 25 anos – não fugiu ao tema. O resultado do esforço foi a campanha educativa “Sim. O melhor é falar sobre o suicídio!”, construída por seus alunos do nono ano e divulgada nas 21 salas dos ensinos fundamental 2 e médio do João XXIII. O relato sobre a iniciativa venceu a etapa estadual do Prêmio Professores do Brasil deste ano, do Ministério da Educação (MEC).

O projeto. “Qualquer atropelo, qualquer mau jeito, podia ser desastroso. Era preciso falar com muito cuidado (com os alunos)”, diz Lucilene. A solução foi iniciar a argumentação com os “sistemas de reputação” presentes em diferentes esferas da sociedade e que levam os estudantes a lidarem diariamente com cobranças de desempenho rigorosas – o que pode resultar em dificuldades emocionais. “Essa avaliação o tempo todo influencia na satisfação que eles têm com eles mesmos (os jovens). As pessoas nunca são suficientes para os outros (nesse sistema de reputação)”, justifica.

A professora usou o episódio “Queda Livre”, da série “Black Mirror” (Netflix), na discussão. “Esse episódio mostra uma sociedade na qual tudo é avaliado na hora. Um tipo de sistema de reputação em que você tira vantagens de uma nota maior ou perde privilégios a partir de uma avaliação menor”, diz.

Nesse período, a professora buscou se aprofundar sobre o tema. “Demorei porque precisava me preparar”, conta Lucilene. Foram muitas leituras, de dossiês da Sociedade Brasileira de Psicanálise a artigos científicos.

Em uma segunda etapa, a professora buscou fortalecer emocionalmente os estudantes com dinâmicas. Uma delas ressaltou as pequenas alegrias que cada um vive no seu dia a dia sem dar valor, mas que são importantes. Como resultado, foi confeccionado um mural de postites com “pequenas alegrias” para que, nas discussões sobre suicídio, o mural funcionasse como “uma tábua de salvação”.

O suicídio só foi abordado diretamente em uma terceira fase, quando cada aluno criou um personagem de sua idade e contou a história para os colegas. O mote era: “Eu me matei por que…”. Houve muito choro, e Lucilene orientou os jovens a olharem o mural. Posteriormente, ela descobriu que muitos dos relatos foram baseados em histórias pessoais dos alunos. Nessa etapa, os estudantes se propuseram a levar a discussão para as outras séries do colégio.

 

Resultado da etapa regional sai em outubro

O relato da professora Lucilene Hotz Bronzato, de Juiz de Fora, agora concorre com outros trabalhos na etapa regional do Prêmio Professores do Brasil, que vai selecionar 30 iniciativas em todo país.

Os vencedores da fase regional serão conhecidos no dia 11 de outubro e passarão para a etapa nacional. O resultado nacional será divulgado em 29 de novembro.

O prêmio é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e está em sua 11ª edição. A premiação visa valorizar projetos realizados nas escolas públicas de todo o país e traz como meta replicar as boas práticas adotadas.

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