sábado, 23 novembro 2019
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Personagens de ‘Jane The Virgin’ enfrentam desafios na reta final – Primeiro Plano

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A série americana Jane The Virgin pode até levar o nome de uma das personagens no título, mas, sem dúvidas, a história principal se divide entre todas as mulheres da trama. Na quarta temporada, que começa a chegar à sua metade no Brasil pelo canal pago Lifetime, onde é exibida às quartas-feiras, algumas delas enfrentam novos desafios.

Xiomara (Andrea Navedo), a mãe de Jane (Gina Rodriguez), é uma delas. Numa conferência com jornalistas da América Latina, com participação do Estado, a atriz falou de onde tirou a força para interpretar a personagem durante o momento difícil pelo qual Xiomara vai passar nos próximos episódios. “Essa força de vontade eu peguei da minha avó, que tem 95 anos”, diz Navedo. “Ela tem muita vontade de viver e a sua vida tem sido um grande exemplo para mim. O amor dela me inspirou e ela me ensinou a não desistir.”

Atualmente, a atriz já grava a quinta temporada da série, que deve ser exibida em 2019 nos EUA. Por lá, o quarto ano da série já foi exibido por completo. Numa pausa entre as gravações, Navedo conta que foi visitar a avó e percebeu que puxou dela a inspiração para outro aspecto de Xiomara. “Ela sempre foi a mais animada nas festas e com uma sexualidade muito forte. Encorajou todas as mulheres da família a não serem tímidas.”

E, por falar em sexualidade, nos próximos episódios da Jane The Virgin a serem exibidos no Brasil, a personagem Petra (Yael Grobglas) vai descobrir um novo amor. “Quando descobri, não poderia estar mais feliz, porque foi um desenvolvimento natural para ela”, afirma Grobglas, também numa conferência com jornalistas. “Sempre quis que Petra encontrasse alguém que pudesse amá-la e com quem ela pudesse ser ela mesma, vulnerável. Não pensaria numa escolha melhor.”

Grobglas relata sentir um carinho enorme por Petra, quase como se fosse uma amiga sua. A personagem, que era uma vilã clássica de telenovelas na primeira temporada, hoje consegue, às vezes, ser amigável com Jane e ser uma boa mãe para suas filhas gêmeas. “Jane foi criada numa bolha de amor, com grandes mulheres ao seu redor. Petra nunca teve nada disso, sempre teve a ela mesma e aquela mãe terrível que só pensa em dinheiro”, explica a atriz. “Vê-la passar por toda essa jornada e aprender tudo sozinha, sem ter ninguém na família como exemplo, me deixa orgulhosa.”

Para Yael, um dos maiores trunfos da série é mostrar diferentes tipos de mulheres e diferentes tipos de maternidade. “A série mostra diferentes jeitos de ser uma mãe. Jane teve uma experiência de maternidade e Petra, que teve gêmeas e enfrentou depressão pós-parto, apresenta uma outra forma de ser mãe”, acredita a atriz. “Não acho que um dos jeitos seja errado ou ruim, apenas são jeitos diferentes de ser uma mãe.”

Navedo concorda e acredita que os exemplos de maternidade na série são especialmente positivos para famílias de imigrantes, como a que ela retrata na ficção e como foi na sua vida real. “Para mim, é muito importante fazer parte de uma série assim. É muito comum nas famílias imigrantes vermos as mulheres como o pilar da casa.”

De origem porto-riquenha, Navedo quase desistiu da carreira de atriz antes de Jane The Virgin. Ela, hoje, comemora o fato de ser parte da série por conta da representatividade da cultura latina. “Tem sido um sonho transformado em realidade, tanto como atriz como mulher latina”, ela diz. “A série deu oportunidades para o público latino se sentir incluído nos diálogos. Alguns de nós nos sentíamos invisíveis. Fico orgulhosa de estarmos colocando algo positivo no mundo.”

Para a atriz, porém, a série vai muito além de mostrar a comunidade latina dos EUA em horário nobre na TV. “O foco da série não é sobre ser latino, é sobre ser humano em certas situações e todos os tipos de cultura podem se relacionar com isso.” Grobglas, que nasceu em Israel, tem a mesma opinião. “Mesmo mostrando uma família católica, sei que as pessoas em Israel podem se relacionar com os personagens, porque o coração da série é sobre família, amor e fé. Acho que nenhum lugar no mundo não se relacionaria com isso.”

A comunidade latina se vê representada também pelo fato de a série fazer uma homenagem às telenovelas. Jane The Virgin, aliás, é baseada num folhetim televisivo venezuelano. “A comunidade latina ama ver como a telenovela é reverenciada”, diz Andrea Navedo que, na série, vive a grande paixão de Rogelio de la Vega (Jaime Camil), um famoso ator de novelas latinas – e um dos personagens mais queridos e divertidos de Jane The Virgin.

Há ainda uma referência direta a novelas, como A Usurpadora, na atuação de Yael Grobglas, que vive não apenas a vilanesca Petra, como também sua irmã gêmea, Aneska. “Não cheguei a assistir às novelas, mas fiz uma pesquisa e vi diferentes interpretações de gêmeas. As atrizes fazem ótimos trabalhos e viver gêmeas é uma das coisas que mais gosto na série”, elogia a atriz. “Tive que aprender a atuar como duas personagens numa mesma cena. Muitos de nós nunca fizemos isso antes, incluindo a equipe e os diretores.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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