quinta-feira, 24 outubro 2019
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Perplexidade

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Em 12 de setembro de 1981, após um trabalho de parto relâmpago, nasceu o sobrinho Helder Etiene Narciso da Cruz Filho. Era dia do meu aniversário, e ele foi um presente. Fotografei o nascimento. Foi por nós chamado de Heldinho, Heldim ou Dinga. Seus pais, meu irmão Helder Etiene Narciso da Cruz e Vânia Maria Soares deram-lhe amor e oportunidades, colocando-o nas melhores escolas. Nisso e noutros aspectos, ele cumpriu bem o seu papel. Foi o primeiro neto de minha mãe, Milena Narciso Cruz. Meu filho Fernando teve no primo um bom companheiro de infância.

Maria dos Anjos Pires, a nossa Du, uma avó anexa, cuidava dos primos Heldinho, Fernando, Milena Thereza, irmã de Heldinho, e Maria Fernanda, filha de Carla, numa adulação sem fim. Por serem meninos enfastiados, Du perguntava o que eles queriam comer, comprava os ingredientes e lhes fazia todos os gostos. Eles têm adoração por ela.

Quando criança, Heldinho recebeu um tema de redação. A sua tia tinha entrado na Polícia Militar como tenente dentista. Ele escreveu assim: Tia Carla é soldado… Atleticano de nascença, no dia em que fez 18 anos dirigiu um quarteirão para buscar água no poço artesiano, foi parado pela polícia e teve de pagar cestas básicas pela infração. De forma dura, descobriu o significado da maioridade.

Heldinho passou no vestibular de medicina em Uberlândia e chegou a fazer seis meses do curso, mas não pôde continuar devido aos custos. Milena chorou alto, desesperada por ele não concretizar seu desejo. De volta a Montes Claros, brincava cantando “Dormi na praça”, de Bruno e Marrone. Incansável, perseguiu seu sonho e depois de quatro anos passou no vestibular da Unimontes e fez medicina, só que Milena não viu, pois partiu em 2003 e a formatura foi em 2010.

Findo o período de maior luta, Heldinho foi trabalhar em Unaí, ficando alguns anos por lá. Tempos depois aconteceu um acidente de carro, com perda total do veículo, mas ele não se machucou. Trabalhou em Curvelo e Gouveia. Muito ocupado, vinha pouco a Montes Claros.

A última vez em que nos vimos foi no aniversário do nosso tio Petronilho Narciso, há três anos. Heldinho estava feliz e amável como sempre. Disse estar apaixonado por Marianna Moreira, que nos foi apresentada como o amor da vida dele. “Mulher para casar, tia”, ele me disse. Ela trabalhava num banco em Curvelo. Há um ano, eles se casaram.

O casal estava radicado em Diamantina e Marianna está grávida de cinco meses. Após o trabalho, no dia 8 de fevereiro de 2019, Heldinho foi ao hospital com dor no abdômen. Foi-lhe aplicado um analgésico intravenoso. Passou mal e teve uma parada cardiorrespiratória. As manobras da equipe médica não obtiveram êxito. No atestado de óbito tem: morte súbita de causa indeterminada. Postagens da Santa Casa de Diamantina, de colegas e de pacientes nas redes sociais mostraram o lado humano do bom profissional que ele foi.

Está morto Heldinho, num momento de explosão profissional e pessoal, com a filha Anna a caminho. Depois de imenso esforço, na hora de correr para o abraço, acabou tudo. Sem Heldinho, estamos atordoados, perplexos. Catamos os nossos cacos, questionando o equívoco do destino de retirar um jovem vencedor, justo no momento de colher o fruto do seu trabalho. Temos um buraco no peito e a certeza de que uma vida não cabe em 37 anos.

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