quarta-feira, 26 junho 2019
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Para sempre, Georgino Júnior – Cultura

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Artistas se reúnem hoje para prestar homenagem póstuma ao multiartista Georgino Jorge de Souza Júnior, considerado um dos maiores talentos da cultura de Montes Claros, que faleceu no último dia 13. O ato para lembrar o artista acontece às 19h, no auditório Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, com a presença de amigos e familiares.

Jornalista, cartunista, artista plástico, chargista, cronista, poeta e compositor, Georgino foi cronista do jornal O NORTE, sua última atuação na imprensa. Um dos trabalhos mais conhecidos na carreira musical foi a canção “Montesclareou”, que compôs em parceria com Tino Gomes e se tornou um hino da cidade.

A atuação de Georgino na imprensa local também foi marcante. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 foi cronista no Jornal de Montes Claros e editor do caderno de cultura do Jornal do Norte por quase uma década.

Casado com a professora aposentada da Unimontes Maria Cleonice Mendes de Souza por 47 anos, Georgino deixa quatro filhos e nove netos. Durante a solenidade de hoje no centro cultural, o show “Pai e Filha” vai homenagear também a filha de Georgino, a médica e poetisa Gabriella Mendes de Souza, que poucos dias antes de do falecimento do pai chorou ao se apresentar do 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, ao lembrar os méritos do pai e do seu frágil estado de saúde. Participam da homenagem hoje os artistas Paulo Davi, Jorge Terceiro, Maria Cida Neri, Jefferson de Souza, Sivaldo Santos, Jéssica Mendes, Tico Lopes, Miriam Lorentz e Aroldo Pereira.

Com Tino Gomes, Georgino compôs mais de 100 músicas e lançou três discos, além de outros trabalhos em parceria com os músicos Tico Lopes e Zé Xorró. Como poeta, a principal publicação foi “Bola pra frente futebol clube”.

 

TAMBÉM PROFESSOR

Nascido em Uberaba, Georgino mudou-se para Montes Claros acompanhando a família. O pai formou-se em Direito pela Unimontes, onde Georgino Jorge de Souza também graduou-se no mesmo curso.

Durante muitos anos, o artista também atuou como professor no Instituto de Ciências Agrárias da UFMG em Montes Claros. Era pai do professor e pesquisador Georgino Jorge de Souza Neto e irmão das professoras aposentadas Lúcia Teixeira de Souza e Leda Teixeira de Souza.

Também como homenagem póstuma, encontra-se em exposição até 31 de outubro, na Biblioteca Pública Municipal “Dr. Antonio Teixeira de carvalho”, no Painel Permanente de Poesia Juca Silva Neto, 12 poemas de autoria de Georgino Júnior .

“Montes Claros, montesclareou”

Georgino Júnior e Tino Gomes


Montes Claros, montesclareou,

Meus olhos cegos de poeira e dor.

Tudo é previsto pelos livros santos,

Que só não falam que o sonho acabou.

A marujada vem subindo a rua,

Suores brilham nos rosto molhados.

Agosto chega com a ventania,

Cálice bento e abençoado.

A dor do povo de São Benedito,

No mastro existe para ser louvado.

Louvado seja o Santo Rosário,

Louvado seja poeira e dor.

Louvado seja o sonho infinito,

E mestre Zanza que é cantador.

Montescureceu

Por Márcia Vieira

O sábado de outubro “montescureceu”. Georgino Junior, o segundo de três Georginos, foi musicar, redigir, pintar, conversar e enfeitar o céu. Era jornalista, escritor, artista plástico, músico, um muito de tudo.

Hoje Montes Claros não montesclareou. A cidade está de luto com a partida de um dos seus filhos mais ilustres e talentosos, que deixa sua marca para ser generosamente distribuída e absorvida pelas próximas gerações.

Aos poucos, os talentos dos Montes vão partindo sem deixar substitutos. Não é que não exista gente talentosa agora. Até que existe. Mas é uma geração que, ao contrário da de Goya, Regi, Braúna, Georgino e outros tantos, precisa ser espremida pra exprimir alguma coisa.

Eles não. No caminho inverso, espremiam o tempo, o espaço e quebravam conceitos com suas inquietações. Era gente que gostava de viver em Montes Claros, apesar de viver além dos limites traçados pela própria cidade. E nós sabemos quantos muros esta cidade hipocritamente impõe a quem ousa.

Goya, com sua voz inigualável e poderosa, encantou moçoilas e teve todos os filhos do mundo, perdendo apenas para o lendário Antônio Luciano. Regi editou brilhantemente sem mutilar, sem mexer, sem ferir e sem alterar a verve literária de cada ser que confiou textos às suas mãos. Braúna escreveu ao lado de Pedro Boi as letras do Agreste, banda que ainda se chamava grupo e até hoje encanta centenas de pessoas, inclusive a mim, com suas letras simples e emocionantes. E Georgino, com Tino, cravou na memória de cada montes-clarense de nascimento ou por adoção a música mais representativa que se ouve em Montes Claros, até mesmo maior que o próprio hino da cidade, sem desmerecer as autoras do hino, a inesquecível Yvonne Silveira e a talentosa maestrina Clarice Sarmento.

Quem não se arrepia ao ouvir “Montesclareou” não sabe o que é amar um lugar, uma terra, uma pátria. Apenas para ilustrar rapidamente algumas das façanhas dessa trupe cultural que já não está entre nós.

Georgino era lenda, história, poesia, conhecimento. Parte da sua arte está exposta nas paredes da loja amarela, que agora me escapa o nome, mas nunca me escapa a cor, no shopping Ibituruna, da sua esposa Cléo.

A outra parte está nos arquivos de jornais e revistas ou com os seus amigos, donos de histórias diversas em que ele é protagonista ou co-autor.

O segundo Georgino é filho do primeiro, o Coronel Georgino, que também marcou época e era respeitado e temido, não obstante o seu famoso bom humor. O terceiro Georgino virou Gino, ligado ao esporte, mas igualmente voltado a escrita e ao inconformismo como o pai.

Tenho algumas fotos do Georgino. Olhando para elas agora, vejo como são rápidas as passagens e como farão falta às novas gerações as doses de Georginos, Regis, Goyas, Braúnas e muitos mais. Para ficar numa frase que a minha colega Drikka Queiroz comumente utiliza em conversa com seus entrevistados “Em qual fonte você bebeu?”, eu hoje pergunto: “em qual fonte vocês, jovens artistas, jornalistas e outros istas irão beber? A fonte está secando. Não há substitutos. Os Montes estão escurecendo.

Absorvam Georgino, agora no céu, enquanto ainda há tempo. Ele deixou um monte de coisas para todos. Ouçam Georgino, cada vez que Tino cantar. Cada dia que “montesclarear”. Em cada tela que encontrar assinada por ele. Nos arquivos literários. Nas rodas de conversa. “Nos olhos cegos de poeira e dor. Tudo é previsto pelos livros santos, que só não falam que o sonho acabou”

 

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