quarta-feira, 16 outubro 2019
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Paisagista agredida pede que ao ouvirem por socorro as pessoas ajam

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A paisagista Elaine Caparroz, violentamente agredida durante um encontro, pelo advogado Vinícius Serra, fez um apelo para que vizinhos ajam e chamem a polícia sempre que escutarem uma mulher pedindo por socorro. Ela prestou depoimento, nesta segunda-feira (25), na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, à delegada Adriana Belém.

“Eu acho que isso é uma coisa importante, porque se tivesse alguém arrombado a porta, eu não teria passado tudo o que eu passei. Então é muito importante que alguém, quando ouve por socorro, realmente dê o socorro”, disse Elaine, ainda visivelmente abatida e com as marcas das agressões no rosto e no restante do corpo.

Ela também fez questão de agradecer às pessoas que a socorreram, após a sessão de agressões impetrada por Vinícius, o jovem que ela conheceu pela internet e o recebeu em seu apartamento, no último dia 16, na Barra da Tijuca.

“Eu quero agradecer às pessoas que salvaram a minha vida, porque quando fui encontrada, estava praticamente morta. Gostaria de agradecer a todo o trabalho impecável da polícia e espero que a Justiça ratifique esse trabalho, porque eu estou tendo a oportunidade de expor tudo o que eu passei, mas muitas mulheres não têm essa oportunidade. Então eu espero, de coração, que isso mude no Brasil, que a Justiça possa dar uma atenção maior para a gente conseguir combater esse tipo de crime e evitar que esses delinquentes fiquem soltos, com penas mais rígidas. Pois não adianta você denunciar e depois eles saem e voltam a cometer novos crimes ou até acabar o que eles começaram”, declarou Elaine.

A delegada Adriana Belém disse que concluiu o inquérito e o remeteu à Justiça, que poderá pedir novas investigações, se for o caso. Segundo ela, Vinícius foi enquadrado por tentativa de feminicídio, independentemente se ele for avaliado, posteriormente, com algum problema mental, como chegou a argumentar, de que teve um surto.

“Hoje termina aqui. A polícia dá por concluído, foi [tentativa de] feminicídio, não vejo a menor possibilidade de surto psicótico. Acho que ele teve uma atitude monstruosa. Além das agressões no rosto, ele chegou a arrancar pedaços dela. Eu não posso entender que uma pessoa dessas seja capaz de conviver na sociedade”, disse Adriana Belém. A delegada também enfatizou que é necessário agir quando alguém pede por socorro, chamando a polícia ou tomando alguma atitude.

“A gente aproveita a oportunidade para pedir às pessoas não se calarem diante de um pedido de socorro. Talvez a Elaine tenha tido sua vida preservada porque lutou até o final, pediu socorro e foi ouvida. Essa máxima de que em briga de marido e mulher ninguém se mete, tem que se meter, sim. É uma vida que podemos salvar ali. Desde que ouçam um grito de desespero, as pessoas têm que se humanizar, têm que chamar a polícia, sim, tem que tentar ajudar”, disse a delegada.

O agressor, que é formado em direito, está custodiado em um hospital psiquiátrico, onde passará por exame de sanidade mental. Segundo Adriana Belém, ninguém de sua família, embora convocados a prestarem depoimento, esteve na delegacia.

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