segunda-feira, 21 outubro 2019
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Os exorcismos e as orações de Jonnhy Hooker

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Alegoria definitiva para o amor e membro vital para os seres, o coração foi a bússola inspiracional para o segundo álbum de Johnny Hooker. A palavra batiza a reunião de canções que ele apresenta no palco do Sesc Palladium hoje. Um disco de “sobrevivência”, como ele define: “Depois da turnê do primeiro disco, minha vida pessoal entrou em um período complicado, uma depressão, uma separação traumática. Não foi apenas o Brasil, a democracia e a luta pelos direitos que entraram em colapso: eu também estava esgotado fisicamente, emocionalmente”, revela.

Hooker mirou a “máquina de pulsação da vida” para retomar o prumo artístico e pessoal, um amálgama que se materializa fisicamente (especialmente no formato do encarte do álbum) e sonoramente no trabalho, com uma junção de sons recolhidos pelas suas andanças pelo país. “Minha última turnê me levou para diversos lugares, e o contato com outras regiões me trouxe coisas novas na música. Quis conversar com isso”, diz, sobre a “brasilidade mais ampla” que o disco possuí. “Além disso, o formato do coração me lembra o mapa da América Latina, e como sempre resistimos, encontramos uma brecha, uma maneira de sobreviver, apesar a redoma e da opressão. Não importa quantas vezes tentem destruir nossos corações, achamos uma maneira de colar os pedaços, mesmo que ele venha cheio de cicatrizes e rachaduras”, acredita.

Assim, se o disco de estreia “Vou Jogar Seu Nome na Macumba, Maldito!” reunia “crônicas de um exorcismo afetivo”, em uma narrativa mais fechada, “Coração” carrega, para o artista, uma forma de “exorcismo político, aos tempos sombrios que se anunciam”.

ORAÇÕES

Nesta direção, algumas das canções do disco se estabelecem como “orações” e homenagens explícitas à nomes formativos para Hooker. Uma delas é “Caetano Veloso”. Se Djavan certa vez transformou o gênio baiano em verbo (“caetanear”), o pernambucano fez do artista um sentimento, “que seria o afeto tropical, o imaginário de que a Bahia é a tradução do Brasil. E também uma forma de resistência. Ele me evoca muito a coisa da inclusão”.

Em outra ode, “Poeira de Estrelas”, David Bowie é o tributado. “Ele possuí essa dimensão gigante, iconoclasta. Cresci com a figura e a música dele, fiz a canção logo depois da sua morte, lágrimas descendo do rosto. É um réquiem, um pedido para que esta ‘figura das estrelas’ não nos deixe sozinhos”.

Nome de ponta na estreita relação entre a nova música popular brasileira e as discussões de gênero, Hooker teceu também uma espécie de hino, um dos momentos mais bonitos da música nacional dos últimos anos: “Flutua”, um dueto com Liniker, companheira de geração. “Na hora que a escrevi não tive dúvidas de convidá-la, porque ela me evoca essa questão, de alguém que parece flutuar quando canta”, elogia. “E a canção em si é um chamado a luta. Depois de cantar tanto sobre o fracasso do amor, para mim era importante falar sobre a vitória dele”, diz Hooker, que assume ter modelado a canção em clássicos da esperança como “A Change is Gonna Come”, de Sam Cooke. “Trata-se de uma reafirmação de nossos corpos e de nossa existência, neste momento de crise de consciência pública”, define.

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