quinta-feira, 21 novembro 2019
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ONG fundada por Fábio Porchat impulsiona talento de crianças e adolescentes – Almanaque

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Fábio Porchat é muito conhecido por seu humor, sobretudo no canal “Porta dos Fundos”, do YouTube. No entanto, poucos sabem que ele é fundador da Associação Buriti de Arte, Cultura e Esporte (Abace), uma organização, fundada em 2015, que investe em diferentes iniciativas culturais, sociais e esportivas. O objetivo é fazer uma ponte entre os interesses de jovens e o que eles querem alcançar.

“Criei a instituição por ser parte de uma vontade de devolver à sociedade tudo aquilo de bom que tem acontecido comigo. Acredito que todas as pessoas têm vontades e iniciativas, mas às vezes falta conhecimento, contato e dinheiro”, diz Porchat, que já aplicou mais de R$ 350 mil em 14 projetos, 11 municípios brasileiros e mais de 20 parceiros.

Ao todo, a ONG informa que cerca de 1,5 mil pessoas foram beneficiadas diretamente. Desse total, Luís Fernando Rêgo, de 17 anos, se destacou pela sua história de superação. Nascido em família humilde no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, ele superou os preconceitos e começou a fazer balé pelo projeto ViDançar, da comunidade. Além disso, o adolescente fazia aulas no Teatro Municipal do Rio e ia todo dia a pé até o local por não ter dinheiro para a condução.

A Abace – que já financiava a entidade do morro – ficou sabendo da situação e resolveu custear o transporte do rapaz. Tempos depois, ele foi aprovado na única filial de balé Bolshoi fora da Rússia, em Joinville, Santa Catarina, e hoje mora na cidade com sua amiga Camylla, de 15 anos, que também saiu do Alemão para dançar e se mudou para o sul com toda a família. “O balé é muito caro, e, se não fossem os apoios que recebemos, eles não estariam aqui. Alguém precisou acreditar neles lá trás”, diz a mãe da menina, Aline Barbosa.

Apesar das histórias e números expressivos em três anos de atuação, Porchat afirma que a instituição está só no começo e pretende torná-la conhecida. “O objetivo é fazer com que as pessoas venham procurá-la para cada vez mais conseguir realizar sonhos”, afirma. “Tento trazer coisas que eu vejo ao meu redor, tentando usar minha influência”, explica.

Sem alarde

Mesmo usando sua imagem para desenvolver a ONG, Fábio se preocupa em não fazer dela um chamariz para o seu nome e sua carreira. “Nós fazemos as coisas quietinhos, não precisamos fazer alarde a cada ajuda. Não há razão para fazer festa por conseguir que alguém doe algo para uma pessoa. A comemoração tem que ser de quem conseguiu realizar o projeto. Não preciso me mostrar por isso”, afirma.

Com esse jeito discreto, Fábio Porchat já arrecadou dinheiro para a Abace por meio de suas apresentações, e a instituição vem apoiando quatro outras entidades ao longo de 2018. Dentre elas, está a ONG África do Coração, que integra refugiados e imigrantes entre si e com os brasileiros. Na última Copa dos Refugiados, a ONG do humorista investiu R$ 3,5 mil no evento, que contou com 110 atletas.

“Nós distribuímos os recursos captados, de forma racional e equilibrada, a atores sociais, orientando sua aplicação com vistas à sustentabilidade, a partir do direcionamento de doações de pessoas físicas e empresas privadas”, explica a assistente social e coordenadora executiva da Abace Lorena Braga.

Desigualdade

Porchat analisa que o Brasil é muito iniciante na cultura de ajudar pessoas. “Ainda é muito nova a ideia de fazer leilões beneficentes e a de pessoas doarem fortunas. Espero que essa cultura, que está se moldando, comece a funcionar”, reflete.

Somado a isso, o humorista pontua que o conceito de meritocracia (quando o mais esforçado se destaca sobre os demais) é um obstáculo ao se estimular o crescimento pessoal dos jovens.

“Meritocracia só existiria se todo mundo pudesse correr na linha de largada. Quando um começa quinze metros na sua frente, a corrida não é justa, e isso é o que está acontecendo hoje no País. Não é um argumento redutor de desigualdades”, critica Porchat.

“A gente (Abace) está tentando fazer nossa parte, alguma coisa, mas sem a pretensão de querer mudar vidas, mudar o Brasil. Quem tem essa força é o governo. A gente consegue ajudar, estar perto, caminhar juntos, mas se todo mundo (sociedade civil e Poder Público) fizesse e fosse atrás, as coisas seriam melhores”, aponta.

Carreira

Mesmo com sua atuação no terceiro setor e seu último trabalho de apresentador na Record, Fábio Porchat assegura que não está se distanciando do mundo da comédia. Em março, ele lança a série “Homens”, no canal pago Comedy Central; o filme “Palestrante”, com Dani Calabresa, e vai estrear um talk-show na GNT. “Todos projetos são de humor, então sigo firme e forte”, diz.

Além disso, Porchat traça um paralelo entre sua atuação humorística e a visão que têm sobre a Abace. Segundo ele, sua atuação em ambos se alinha com o respeito aos grupos minoritários. “Estamos sempre ao lado das minorias. Inclusive, no Porta dos Fundos, sempre nos preocupamos em fazer graça não com quem sofre, mas com quem é vilão da história ou maioria. Isso é uma preocupação desde o início do canal e sempre anda por esse caminho”, aponta.

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