sexta-feira, 15 novembro 2019
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Onde estão esses 7% de venezuelanos forçados a fugir | Internacional

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A América Latina nunca havia vivido um êxodo migratório desta magnitude. Sete em cada cem venezuelanos (2,3 milhões de pessoas) deixaram o país desde 2014, segundo os dados mais recentes da ONU. A organização destaca que os que fogem são levados pela falta de alimentos, pela fome. Os países da região, com Colômbia, Peru e Chile na liderança, foram acolhendo esses imigrantes com regulamentações ordinárias ou extraordinárias, que lhes dão autorização de trabalho e acesso aos serviços básicos. Mas, como a entrada de venezuelanos, longe de diminuir, se acelera em ritmo vertiginoso, esses países começaram a impor restrições, porque temem um colapso dos serviços públicos. Desde sábado, os venezuelanos precisam mostrar o passaporte para entrar no Peru. O Equador impôs uma medida idêntica na semana anterior, mas o Supremo suspendeu a decisão por 45 dias.

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Para Feline Freier, professora de Ciências Políticas da Universidade do Pacífico, em Lima, que pesquisa este êxodo, exigir que os venezuelanos mostrem o passaporte “é quase cínico”, porque as dificuldades para a obtenção do documento são quase intransponíveis para os que ainda não deixaram o país: do alto preço no mercado negro até a falta de papel para impressão.

A professora critica que “os políticos digam que querem fluxos organizados (de migrantes), mas, com esta medida, os empurrem para vias irregulares, para os braços de traficantes de pessoas”, porque, destaca, os fatores que os levam a deixar a Venezuela permanecem: “Muitos não saíram até agora porque não podiam juntar os 130 dólares (540 reais) para o ônibus, e para isso tiveram que vender tudo o que tinham”. Ela cita uma entrevista com uma família que “estava havia meses comendo maisena”. Alguns dos desesperados sem passaporte que esbarraram nas novas exigências atravessaram a fronteira ilegalmente esta semana.

A decisão das autoridades venezuelanas de tirar cinco zeros do bolívar não bastou para frear sua depreciação. Até agora, as medidas econômicas adotadas por Nicolás Maduro fracassaram. Ninguém antevê que a emigração diminua em curto prazo.

Só recentemente, por volta de 2010, a Venezuela deixou de ser uma nação de destino para se tornar um país de origem de emigrantes. E, a partir de 2017, o fluxo se acentuou para países de acolhida tradicionais, como os Estados Unidos, Espanha e Colômbia, mas também para os demais países da América do Sul, segundo uma análise da Organização Internacional para as Migrações (OIM). As saídas para o sul do continente aumentaram mais de 900% entre 2015 e 2017.

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“Em geral, a imigração venezuelana foi bem recebida, e os Estados vêm realizando grandes esforços para solucionar os desafios” que ela acarreta, afirma a análise da OIM.

A Colômbia, com mais de 2.000 quilômetros de fronteira comum, acolhe 870.000 venezuelanos em seu território, o que faz dela o principal destino —embora seja com frequência cada vez maior apenas um país de trânsito, uma escala para um destino mais à frente. O Peru substituiu nos últimos meses o Chile como o país onde mais cresceu a presença de migrantes venezuelanos. Já são cerca de 400.000 pessoas, segundo as autoridades peruanas, embora a OIM em sua última recontagem regional, de julho, estime esse contingente em 354.000. Em todo caso, representa um aumento de 15.000% em três anos. A OIM desenhou um perfil dos que chegam ao Peru: solteiros, entre 18 e 29 anos e com estudos universitários.

Gradualmente, os países latino-americanos foram dando autorizações de residência aos venezuelanos que chegavam às suas fronteiras. Colômbia, Peru, Equador, Argentina, Brasil, Uruguai e Chile aprovaram normas específicas para esse coletivo, segundo a OIM, que destaca que o Chile concedeu 120.000 vistos de residência. As medidas especiais de regularização “indicam a vontade de integrar os migrantes à vida social”.

A professora Freier conta que os Governos em princípio abordaram isso como um assunto de política externa. “Os Governos de centro-direita foram os que abriram os braços, embora sejam os de centro-esquerda que lideraram a liberalização das políticas migratórias nos últimos anos na região. Mas, à medida que os números foram mudando, esse se tornou uma questão de política interna”. Ao incessante fluxo se somaram restrições em muitos países e uma crescente xenofobia e agressividade contra os recém-chegados.

À medida que a crise econômica foi se agravando na Venezuela, mudou o perfil dos que decidem procurar prosperidade e segurança em novos horizontes, afirma essa especialista, que baseia sua análise nas solicitações de asilo. Ela explica que, em 2001, depois da chegada de Hugo Chávez ao poder “saíram os ricos, foram como estudantes, como trabalhadores com visto para os Estados Unidos e a Espanha”. Seguiu-se em 2014-2015, também para esses destinos, “uma segunda onda de classe média alta”, e “sai gente com recursos, mas que não pode pagar voos nem trâmites de visto” para emigrar a outros países da região. Na velocidade que a inflação avança, é cada vez mais difícil reunir o dinheiro necessário para emigrar. Por isso, um número crescente de venezuelanos sai a pé em busca de um país de acolhida, pois não têm dinheiro para chegar por outros meios.

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