domingo, 17 novembro 2019
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O brutal estupro grupal de uma jovem causa indignação na Bolívia | Internacional

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Uma mulher de 18 anos foi estuprada e espancada no último fim de semana em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em um crime do qual são acusados cinco jovens com quem ela havia dançado. O caso, que despertou a atenção da opinião pública, também por causa da condição social dos envolvidos, comoveu o país e motivou protestos de entidades de mulheres.

Os acusados —que nas redes sociais são comparados à La Manada, um caso de estupro em grupo que ocorreu na Espanha em 2016— e a garota estavam em uma conhecida discoteca até serem expulsos dela por consumirem drogas. Foram, então, para um hotel por várias horas, onde ocorreu o crime, de acordo com a investigação. Mais tarde, a vítima começou a ter convulsões e recebeu ajuda da equipe do hotel para chegar a um hospital, onde ainda está internada. Ela tem ferimentos que o Ministério Público atribui a “estupro agravado” e espancamentos, e seu sangue tinha vestígios de seis tipos diferentes de drogas, de maconha a cocaína, passando por vários tipos de estimulantes.

Os jovens envolvidos pertencem à classe alta de Santa Cruz de la Sierra, a segunda maior cidade da Bolívia. Os promotores denunciaram que seus pais tentaram exercer pressões indevidas sobre a investigação. Os fatos ocorreram na última sexta-feira, mas só se tornaram públicos quatro dias depois, o que não é comum no momento em que a imprensa está muito atenta aos casos de violência.

Os bolivianos puderam descobrir o que aconteceu por causa da audiência judicial que mandou quatro dos cinco rapazes para a prisão e um deles para um reformatório, já que tem apenas 14 anos. Na audiência, o pai de um dos acusados insultou os responsáveis pela acusação e, mais tarde, a mãe de outro disse à imprensa que o único problema dos jovens era o vício em drogas, que compartilhavam com a vítima, e afirmou que a garota manteve sexo consensual com seus amigos. Essa declaração e o questionamento de alguns à decisão da moça, gravada por uma câmera de segurança deixando a discoteca com os cinco homens, provocou uma série de comentários nas redes sociais com o slogan: “Não nos estupram porque estamos bêbadas. Eles nos estupram porque são estupradores”.

Dois ministros exigiram que o caso seja tratado com rigor e sem fazer qualquer diferença por causa da condição social dos envolvidos, de famílias abastadas. Segundo as estatísticas de 2017, na Bolívia ocorrem cerca de oito estupros diários, sendo Santa Cruz a cidade mais afetada pela violência machista.

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