domingo, 20 outubro 2019
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Morre Stanley Donen, o último dos grandes diretores da Hollywood clássica | Cultura

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Stanley Donen, o último dos míticos diretores da Hollywood dourada, faleceu no sábado, como confirmou um de seus filhos a Michael Phillips, crítico do jornal norte-americano Chicago Tribune. Codiretor ao lado de Gene Kelly de Um Dia em Nova York e Cantando na Chuva, e responsável por Cinderela em Paris, Charada, Um Caminho para Dois e Feitiço do Rio, com Donen desaparece uma forma de se fazer cinema surgida dos grandes estúdios. Por isso não rodou nenhum filme desde o lançamento de Feitiço do Rio em 1984. “Querem que eu volte a fazer meus velhos filmes, mas já estão feitos”, dizia.

Donen nasceu em Columbia (Carolina do Sul) em 13 de abril de 1924, mas dizia que na verdade viu a luz quando, com nove anos, viu Fred Astaire e Dolores del Río dançarem em Voando para o Rio: “Para mim, parecia que a vida valia a pena ser vivida graças a Fred Astaire”. Sua infância foi marcada pela monotonia da pequena comunidade sulista, além de um certo isolamento social por sua ascendência judaica. Desde criança estudou música, piano e clarinete, obrigado por seu pai, até que em plena adolescência decidiu imitar Astaire e focar no sapateado. Com 16 anos foi para Nova York, onde um ano depois estreou na Broadway como garoto do coro na obra Meus Dois Carinhos, onde trabalhou com Gene Kelly, o protagonista, e George Abbot, que a dirigiu, e com a ajuda dos dois passou de bailarino a coreógrafo.

Seguindo Kelly, Donen chegou a Hollywood no começo dos anos quarenta: Kelly exigiu que fosse seu assistente pessoal em Modelos e Marujos do Amor. Em 1949 Donen por fim estreou atrás das câmeras com Um Dia em Nova York, dirigido em conjunto com Kelly. A amizade entre os dois foi tamanha que até dividiram a esposa: em décadas diferentes, claro.

De caráter romântico e otimista, suas coreografias inovadoras (como a de Fred Astaire dançando pelo teto e paredes de um quarto em Núpcias Reais) e seu domínio técnico (foi o primeiro diretor de musicais a utilizar CinemaScope com sucesso) o colocaram como o rei do gênero musical – com a permissão de Vincente Minelli – com títulos como Cantando na Chuva, Sete Noivas para Sete Irmãos, Dançando nas Nuvens, Cinderela em Paris, O Jogo do Pijama e O Parceiro de Satanás.

Com a decadência do gênero, o cineasta se transformou ao longo dos anos sessenta em diretor de sofisticadas e intimistas comédias românticas, dentre as quais se destacam suas colaborações com Cary Grant em Indiscreta (com Ingrid Bergman) e Do Outro Lado, o Pecado (com Deborah Kerr), e de versões hitchcockianas como Charada (novamente com Cary Grant) e Arabesque. Outra de suas grandes colaboradoras e amigas foi Audrey Hepburn.

A partir de 1965 teve dificuldades em encontrar roteiros a sua altura e começa a fazer de tudo, com resultados bem diferentes: de um espetacular drama romântico (Um Caminho para Dois) a ficção cientifica (Saturno 3), passando por comédias sexuais (Os Delicados e Feitiço do Rio), paródias (Os Aventureiros do Lucky Lady e Movie Movie, a Dupla Emoção) e pastelões (O Diabo É Meu Sócio). Apesar da lembrança popular, somente 11 dos 27 filmes dirigidos por Donen são musicais. “Dançar, quando eu o fazia, era a coisa mais difícil do mundo que se podia imaginar. Para mim era o mais difícil. Porque o corpo é muito limitado. Eu só posso encontrar a concepção de um número, mas não a concepção do movimento físico na dança que dá sentido ao número. De modo que me sinto profundamente agradecido por ter contado com pessoas como Bob Fosse”. Seu último trabalho foi no filme Cartas de Amor, que filmou em 1999 para a televisão a cabo. Casado por cinco vezes, pai de três filhos, sua mulher atual era a diretora, roteirista e atriz Elaine May.

Donen nunca gostou muito de discursos. E também não gostava de homenagens. Recebeu uma em San Sebastián em 1996 com um cartaz especial do qual gostou muito – já havia ganhado a Concha de Ouro com Um Caminho para Dois –. No Oscar de 1997 – nunca foi sequer indicado – recebeu a estatueta de honra das mãos de Martin Scorsese, e lá mesmo cantou Cheek to Cheek, de Irving Berlin, canção que no cinema foi cantada pela primeira vez por seu admirado Fred Astaire: “Heaven, I’m in heaven, any my heart beats so that I can hardly speak …”.



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