terça-feira, 15 outubro 2019
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Mais ricos em Minas têm ganho médio 26 vezes maior que os menos favorecidos

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A desigualdade de renda é o grande empecilho ao desenvolvimento em Minas, conforme a pesquisa “Rendimento”, feita com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Segundo o levantamento – que colheu, em 2017, informações para amostragem em 15 mil domicílios mineiros –, 1% da população do Estado, dona dos melhores rendimentos, recebeu mensalmente, em média, R$ 18.925, ante renda também mensal e média de R$ 724 (R$ 230 a menos que o salário mínimo atual) percebida por 50% dos mais pobres. O valor dos ricos é 26,1 vezes maior. 

No país, a situação é ainda pior: 1% dos mais ricos teve direito a R$ 27,2 mil mensais de renda, 36,1 vezes mais que os R$ 754 mensais de metade dos menos favorecidos. 

Outros dados mostram, especialmente em Minas, o desequilíbrio na distribuição de frutos econômicos do trabalho ou de outras fontes, como aposentadorias, pensões e até o Bolsa Família: os homens mineiros receberam em média R$ 2.098 por mês em 2017, enquanto as mulheres ganharam R$ 1.609 (R$ 489 a menos).

Vale destacar que no Estado os homens representavam 57,1% da parcela da população ocupada e as mulheres 42,9%, valores próximos aos apresentados pelo país (57,2% e 42,8%, respectivamente).

Já pessoas brancas tiveram rendimento mensal médio de R$ 2.349, contra R$ 1.410 de pretos e R$ 1.594 de quem se declara pardo.

Minas ainda perde para o Brasil em rendimento médio geral da população: R$ 1.888, ante R$ 2.112 em todo o país. Já em se tratando de rendimento médio real domiciliar per capita, o valor foi de R$ 1.226, próximo à média nacional, de R$ 1.271.

Crise

Para o coordenador e professor de economia do Ibmec, Marcio Salvato, os dados apenas ratificam que a crise econômica e financeira brasileira, sobretudo a partir de 2014, ainda deve trazer reflexos por muito tempo antes de se dissipar.

“Nesses últimos três ou quatro anos, tivemos crescimento negativo da economia e, por consequência, houve agravamento da situação de distribuição de renda, com especial impacto para as pessoas menos qualificadas”, disse.

“Minas Gerais, como estado síntese do Brasil, por ter regiões que se assemelham em características às brasileiras, como Norte, Nordeste e Sul, acompanha esse movimento. Embora esteja em alguns aspectos melhor que a média brasileira, em outros fica bem aquém do que se esperaria de um estado tão importante”, acrescenta.

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, do total de 21,1 milhões de pessoas residentes em Minas Gerais, em 2017, 61,7% (13 milhões) possuíam algum tipo de rendimento, enquanto no Brasil esse percentual é de 60,2%. No Estado, 43,7% das pessoas tinham rendimento de todos os trabalhos e 24,6% dos residentes possuíam algum rendimento proveniente de outras fontes, ao passo que no Brasil esses percentuais correspondiam a 41,9% e 24,1%, respectivamente.

Massa de renda

Em 2017, de acordo com a Pnad Contínua, o rendimento médio mensal real efetivamente recebido por 9,6 milhões de trabalhadores do Estado, com 14 anos ou mais, resultou em uma massa mensal de rendimento do trabalho de aproximadamente R$ 18,2 bilhões. 

Já a massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita alcançou R$ 25,9 bilhões em 2017, 9,8% do total nacional.

 

 

Levantamento mostra que baixa instrução levou às piores rendas

Também chamou a atenção na Pnad Contínua divulgada ontem, referente à renda da população mineira e brasileira, a desigualdade originada do grau de instrução dos pesquisados. Em Minas, a participação das pessoas com no mínimo o ensino médio completo foi de 54% dos ocupados, enquanto no país eram 57,4%. Entre aqueles sem instrução ou que não possuíam o ensino fundamental completo ou equivalente, a participação foi de 29,9% dos ocupados em Minas Gerais e 27,1% no Brasil.

O nível de instrução foi um indicador importante na determinação do rendimento médio mensal real de todos os trabalhos: quanto maior o nível de instrução alcançado, maior o rendimento. As pessoas que não tinham instrução apresentaram, por exemplo, o menor rendimento médio (R$ 866). Por outro lado, o rendimento das pessoas com ensino fundamental completo ou equivalente foi 49,2% maior, chegando a R$ 1.292. 

Já aqueles que tinham ensino superior completo registraram rendimento médio de R$ 4.288, aproximadamente 2,6 vezes maior que o daqueles que tinham somente o ensino médio completo e quase 5 vezes o daqueles sem instrução.

Para o coordenador da Pnad Contínua em Minas Gerais, o analista do IBGE Gustavo Fontes, os dados comprovam a necessidade de que trabalhadores e governos invistam cada vez mais em educação. 

“A pesquisa comprova que com o aumento da escolaridade as pessoas obtêm melhor inserção no mercado de trabalho. Ou seja, é algo que dá retorno para a população e para a economia”, disse.

O professor Márcio Salvato, do Ibmec, concorda e prevê que, se o Brasil não levar cada vez mais a sério a necessidade de investimentos em formação e qualificação profissional, corre risco de permanecer na crise atual, amargando índices vergonhosos de distribuição de renda. 

“Só vejo solução para esse problema com melhorias na qualificação da mão de obra da população”, afirmou o economista. “O que estamos percebendo é que, com o passar do tempo, pessoas menos qualificadas estão deixando o mercado e existe uma exigência de que sejam substituídas por quem tiver melhor formação”, explicou. 

De acordo com Salvato, o caminho para aumentar a renda das pessoas e, dessa forma, reduzir as desigualdades passa obrigatoriamente pela formação de qualidade e continuada, acompanhando as mudanças no setor em que se atua. Ele acredita que, dentro de 30 anos, não haverá espaço no mercado para quem não pensar e agir dessa forma. 

 


 

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