sábado, 16 fevereiro 2019
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Luz amarela acesa: oito barragens de geração de energia em Minas têm risco médio de rompimento – Primeiro Plano

O rompimento da barragem do Córrego de Feijão, operada pela Vale em Brumadinho e que deixou centenas de mortos, acendeu a luz amarela também nos municípios que sediam reservatórios de água. Relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aponta que 108 das 155 barragens de energia em Minas, o equivalente a 69,7%, são de alto dano potencial. E mais: oito delas apresentam médio risco de rompimento. A combinação é perigosa e existe. Cajuru e a gigante

A classificação de alto risco potencial é feita pela agência reguladora e indica que a população a ser atingida pela água, em caso de rompimento, é grande. Já a classificação do risco, conforme a Aneel, é feita pela concessionária. A Cemig não especificou o motivo de classificar Cajuru e Três Marias como de médio risco e não se posicionou sobre o assunto. 

Especialista em energia, o professor de engenharia mecânica da Universidade Federal de Itajubá e do curso de pós-graduação em engenharia mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Martinez, diz que o médio risco normalmente é atribuído quando há alguma necessidade de intervenção no reservatório por parte da energética. 

“Também pode tratar-se de alguma variação nos piezômetros (equipamentos que medem a pressão da água) ou no dreno, ou até mesmo alguma alteração no corpo da barragem ou deslocamento do maciço”, afirma o especialista. 

Martinez pondera, no entanto, que as barragens de energia são mais seguras do que as de mineração por serem construídas de uma única vez, sem alteamentos. Ainda de acordo com o professor da UFMG, a compactação do solo nesse tipo de empreendimento é mais densa do que nas de rejeito. 

“Toda estrutura feita pelo homem pode falhar e cair. Não existe nada absolutamente seguro. Mas o cuidado e o esmero com esses empreendimentos são muito grandes. Alteamento a montante é uma insanidade. Já as barragens de energia são muito bem-feitas e calculadas”, pondera.

Os prefeitos dos municípios que sediam as barragens estão assustados. Adair Divino (PSDB), chefe do Executivo de Três Marias, não sabe qual seria o impacto de um rompimento na cidade. “Acho que Três Marias não seria fortemente atingida porque estamos no alto, mas os municípios vizinhos poderiam ficar debaixo d’água”, diz. 

O problema, segundo ele, é a falta de informações concretas. Afinal, a Cemig nunca apresentou ao prefeito a mancha de inundação, que mostra as possíveis áreas atingidas. “Só soubemos do risco depois do rompimento de Brumadinho. Acredito que a Cemig seja uma empresa séria, mas a Vale também é e a barragem dela rompeu”, lamentou.

O prefeito de Carmo do Cajuru, Edson Vilela (PSB), teve acesso ao relatório da Aneel, mas ainda não recebeu nenhum contato da Cemig. “Estou esperando alguém da Cemig explicar o que significa esse risco. Não temos conhecimento de a barragem possuir sirene ou plano de emergência para os moradores”, comentou. 

 

No Estado, 17 represas serão vistoriadas pela Aneel

Dezessete barragens de energia localizadas em Minas serão fiscalizadas in loco pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até maio. Os empreendimentos são classificados como de “dano potencial alto” e “risco” e integram o grupo de 142 reservatórios de 18 Estados no país que receberão a visita presencial de fiscais da Agência Reguladora no período. O monitoramento começou ontem, mas os cronogramas não foram divulgados para não atrapalhar os trabalhos.

Como “dano potencial alto” são compreendidos os seguintes aspectos: barragens com grandes reservatórios; existência de pessoas ocupando permanentemente a área a jusante da barragem; área a ser afetada apresenta interesse ambiental relevante ou é protegida e existência de instalações residenciais, comerciais, agrícolas, industriais de infraestrutura e serviços de lazer e turismo na área que seria afetada. 

No critério “risco” são avaliados a documentação do projeto, qualificação técnica da equipe de segurança de barragens, roteiros de inspeção de segurança e monitoramento; regra operacional dos dispositivos de descarga da barragem e relatórios de inspeção de segurança com análise e interpretação.

A Aneel já fez vistorias presenciais em 122 usinas entre 2016 e 2018. Essas instalações voltarão a ser inspecionadas em 2019 na segunda etapa da força-tarefa, que começará em maio e terminará em dezembro. Ao fim do processo, 335 barragens terão sido vistoriadas no país.

“Além das vistorias presenciais, em cumprimento às deliberações da resolução do Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastres, a Aneel está determinando a todas as usinas que fiscaliza, inclusive as que são avaliadas como de menor risco, a atualização do Plano de Segurança de Barragens e do Plano de Ação Emergencial”, informa a Agência Reguladora. 

Nesse caso, para reforçar o comprometimento com as informações apresentadas, a Aneel passou a exigir que os documentos sejam assinados não somente pelo responsável técnico, como também pelo presidente da empresa.

A Cemig acaba de trocar a presidência da companhia. Cledorvino Belini, ex-presidente da Fiat, foi anunciado para o comando da energética no governo de Romeu Zema (Novo) na última sexta-feira (8).

 

SAIBA MAIS:

Três semanas após a catástrofe em Brumadinho, com o rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vai realizar um estudo das maiores barragens de minério do Estado para atestar a segurança das estruturas. O comunicado foi feito ontem pelo presidente da entidade, Flávio Roscoe.

A ideia, segundo Roscoe, é que a Fiemg feche parcerias para financiar o estudo, que pretende analisar as maiores barragens do Estado, dentre as cerca de 500 estruturas de mineração presentes em Minas, sendo pelo menos 50 delas com riscos similares à que rompeu em Brumadinho, no dia 25 de janeiro. “Vamos procurar parceiros na área da mineração, entidades do meio ambiente e o governo. Queremos saber o que, de fato, aconteceu”, disse Roscoe. O estudo não tem data para começar e nem prazo para ser disponibilizado à sociedade. Apesar disso, a Fiemg deve apresentar um relatório inicial dos trabalhos no início de março.

Para Roscoe, “há um problema estrutural de engenharia” na questão das barragens em Minas Gerais. Atrelado a esse diagnóstico, o presidente da Fiemg disse ser contrário às propostas de endurecimento da legislação ambiental, diante às diversas propostas em pauta na Assembleia Legislativa. “Se nós mudarmos a legislação e tornarmos quase impraticáveis as ações das mineradoras, qual será o impacto? Certamente não será positivo. Para mim, é um problema estrutural de engenharia”, avaliou Roscoe.

 

 

 


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https://www.hojeemdia.com.br/primeiro-plano/luz-amarela-acesa-oito-barragens-de-gera%C3%A7%C3%A3o-de-energia-em-minas-t%C3%AAm-risco-m%C3%A9dio-de-rompimento-1.693505

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