domingo, 20 outubro 2019
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‘Green Book’ ganha Oscar 2019 de melhor filme, na noite de Cuarón e da diversidade | Cultura

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O grande vencedor na noite do Oscar 2019 não foi um filme. Foi a diversidade. A estatueta foi entregue a 15 mulheres, o recorde da história da cerimônia, apesar de representar apenas 27,5% das premiações. E houve sete ganhadores afro-americanos, em seis categorias, outra marca inédita. Pela quinta vez em seis anos, um mexicano subiu ao palco para receber o Oscar de melhor direção. Na plateia estava a primeira indígena indicada ao prêmio de melhor atriz principal. Porém, na hora de premiar uma só obra, num dos anos mais disputados de que há lembrança, a academia de Hollywood decidiu que Green Book: O Guia foi o melhor filme do ano que passou.

Mas se há um ganhador individual da noite ele é Alfonso Cuarón. O cineasta mexicano recebeu por Roma seu segundo Oscar de melhor direção, depois da vitória com Gravidade em 2014. Levou também o prêmio de melhor fotografia e melhor filme estrangeiro – o primeiro da história do México nessa categoria. É também o primeiro Oscar dado a um longa-metragem de ficção da Netflix, que já havia emplacado um curta e um documentário. A plataforma de vídeo pela Internet está reescrevendo as regras de Hollywood com este filme, e na noite deste domingo se consolidou como um grande estúdio de cinema. Roma é o fenômeno do ano na indústria, e talvez o filme que será lembrado dentro de uma década. Mas não é um filme de Hollywood. Green Book sim que é, em todos os sentidos.

Na primeira metade da cerimônia, Roma foi vendo os prêmios de todas as categorias técnicas serem dados a Pantera Negra e Bohemian Rhapsody. O primeiro é o filme de super-heróis de maior bilheteira na história dos EUA, assim como o filme com mais faturamento do ano, com 1,3 bilhão de dólares (4,87 bilhões de reais) em todo o mundo. Neste domingo, tornou-se também o primeiro filme da Marvel a ganhar um Oscar. A cinebiografia do líder do Queen também foi um sucesso mundial, com uma arrecadação de 860 milhões de dólares (3,22 bilhões de reais).

Este foi um ano de recorde em termos de diversidade nas indicações, o que acabou se refletindo nos prêmios propriamente ditos. Diversidade no sentido de tudo o que não fossem homens brancos. Havia 15 indicados negros de um total de 212. Havia 52 mulheres indicadas em categorias que não fossem de atriz, uma marca inédita. Três anos depois da polêmica do Oscar branco demais (#OscarSoWhite), que colocou Hollywood no divã do racismo e da estreiteza de visão, os indicados negros fizeram história em 2019. Mahershala Ali, por Green Book, e Regina King, por Se a Rua Beale Falasse, levaram os Oscars de ator e atriz coadjuvantes. Ali é o primeiro negro a ganhar dois prêmios de melhor ator secundário. Para King, foi a primeira estatueta, num ano em que conquistou também o Globo de Ouro e um Emmy.

Hannah Bleacher foi a primeira mulher negra da história a ganhar o Oscar de melhor direção de arte, por Pantera Negra. Pelos trajes do mundo de Wakanda, Ruth E. Carter foi a primeira mulher negra a ganhar o Oscar de melhor figurino. Peter Ramsey é o primeiro diretor negro a obter a estatueta de melhor filme de animação por Homem-Aranha no Aranhaverso. No tapete vermelho, Spike Lee disse que se este foi o Oscar mais diversificado isso foi graças à polêmica de três anos atrás e às mudanças adotadas para abrir a Academia a centenas de estrangeiros e minorias.

Depois, Lee obteve o primeiro Oscar de sua vida – só tinha o honorário – pelo roteiro adaptado de Infiltrado na Klan. É também o primeiro afro-americano a vencer nessa categoria. No palco, fundiu-se em um abraço com Samuel L. Jackson e disse “motherfucker”. As câmeras apontaram para o congressista John Lewis, uma lenda na luta pelos direitos civis. Lee assina neste filme outro soberbo libelo contra o racismo em seu país, com uma referência explícita ao atual clima político e ao presidente Donald Trump. “A próxima eleição está virando a esquina”, disse. “Faça a coisa certa”, acrescentou, mencionando o título do filme que lhe valeu sua primeira indicação, há quase três décadas.

Foi a segunda edição do Oscar desde o início do movimento Me Too e da rebelião pela igualdade de oportunidades entre os gêneros em Hollywood, e, desde a apresentação inicial das três comediantes, categoria após categoria, o palco do Dolby Theatre se encheu de mulheres. Domee Shi e Becky Neiman subiram para receber o prêmio de melhor curta de animação por Bao, que partia com a vantagem de ter sido colocado pela Disney como complemento de Os Incríveis 2, o quarto filme de maior bilheteria no ano passado no mundo. Em seguida, outras duas mulheres, Rayka Zehtabchi e Melissa Berton, recebiam o Oscar de melhor curta documental por Period. End of Sentence, uma história sobre o estigma da menstruação na Índia rural. “Não posso acreditar que um filme sobre a menstruação ganhou um Oscar”, disse Zehtabchi às lágrimas. Era o ano certo para isso.

Rami Malek levou o prêmio de melhor ator principal por encarnar Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody. A Academia tem predileção pelas transformações de atores em pessoas reais, e a de Malek é convincente, apesar de a voz ouvida na tela não ser dele. Bradley Cooper, de Nasce Uma Estrela, apresentou ao vivo com Lady Gaga a canção Shallow, no grande número musical da noite. A música, claro, ganhou o Oscar na sua categoria.

Olivia Colman, a rainha de A Favorita ganhou como melhor atriz principal, numa categoria impressionantemente disputada, em que os bolões apontavam o favoritismo de Glenn Close e na qual, pela primeira vez na história, competia uma mulher indígena, Yalitza Aparicio.

Falou-se espanhol. Não só em Roma. Javier Bardem certamente se tornou o primeiro apresentador a fazer toda a sua fala nesse idioma. “Não há fronteiras, não há muros que freiem a engenhosidade e o talento”, disse. “Nesta noite celebramos a importância da cultura e do idioma de diferentes países.” Diego Luna acrescentou depois: “Então já se pode falar espanhol no Oscar. Abriram as portas e já não vão mais nos tirar daqui”.

Após múltiplos anúncios e mudanças sobre o formato da cerimônia, o início deste Oscar tinha uma especial responsabilidade de criar impacto, de dizer que esta continua sendo a noite mais importante de Hollywood. O Oscar sempre começa com um número musical, com uma montagem emocionante ou com um monólogo cômico. A Academia desta vez apostou nas três coisas, nessa ordem. Primeiro, o grupo Queen e um hino como We Will Rock You. As câmeras do teatro mostraram Gustavo Dudamel e Lady Gaga apreciando o solo de Brian May. Adam Lambert fez sua imitação de Freddie Mercury.

Três grandes comediantes, Tina Fey, Maya Rudolph e Amy Poehler, mostraram um número que as fará serem lembradas como as apresentadoras desta cerimônia – que desta vez abriu mão da figura do mestre de cerimônias. “Bem-vindos à edição um milhão do Oscar”, disse Fey. “Não há apresentador, não há prêmio ao filme mais popular, e México não vai pagar pelo muro”, disparou. Foi o único detalhe da noite em que a cerimônia se permitiu rir de si mesma.

Nas últimas semanas, a Academia e sobretudo a rede ABC vinham quebrando a cabeça para tentar tornar a festa mais curta. Os indicados foram praticamente avisados de que o índice de audiência dependeria deles, mas mesmo assim alguns premiados preferiram fazer discursos monótonos e preguiçosos, como se quisessem boicotar a transmissão. Dois dos quatro primeiros ganhadores tiveram que ser tirados do palco depois de terem seus microfones cortados.

A 91ª edição do Oscar estava sob pressão de não oferecer uma cerimônia desastrosa e de refletir nos prêmios a grande diversidade dos indicados. Quanto ao primeiro desafio, não está claro se conseguiu. A Academia ultrapassou em 10 minutos do rigoroso limite que a ABC havia lhe imposto, preocupada em não perder audiência. No segundo caso, os prêmios dados superam tudo o que já se viu antes.

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