sábado, 19 outubro 2019
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Filme revela humor de resistência durante ditadura – Almanaque

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Quando se lembra dos danos provocados pela ditadura militar à cultura brasileira, a música e o cinema são os elementos mais mencionados. O humor estampado no jornal “O Pasquim” e nos programas de TV é pouco lembrado como uma das grandes vítimas. “O humor também cortou um dobrado com a censura. Apesar de ter sido a época mais sem graça de nossa História, a qualidade desse humor de resistência não teve igual”, observa Cláudio Manoel.

 

Um dos integrantes do “Casseta & Planeta”, Manoel assina, ao lado de Álvaro Campos e Alê Braga, a direção do documentário “Tá Rindo de quê? – Humor e Ditadura”, que entra em cartaz a partir de amanhã no Cine Belas Artes. “Nada era explícito, mas havia no material da época um nível de deboche sobre os militares. Afinal, era o tema do momento”, registra, citando nomes como Jô Soares, Ronald Golias, Dercy Gonçalves e Chico Anysio.

 

“Era muita gente foda, que estava no auge, na ponta dos cascos”, observa Manoel, que entrevista no filme vários humoristas da época e de hoje para mostrar que uma das qualidades dessa geração estava no jeitinho de driblar os censores. O cartunista Chico Caruso lembra que fazia três versões de um mesmo cartum: um mais ousado, que seria proibido, outro bem ruim e um regular, que geralmente atendia aos dois lados.

 

Imunidade

“O humor vive de seu entorno. Não dá para ficar fazendo coisas etéreas. Naqueles anos, além do regime militar, tinha a contracultura, (a guerra do) Vietnã… E uma opção muito rica de formas de humor, que ia do jornal alternativo ‘Pasquim’ ao grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, passando pelo humor mais mainstream”, registra. 

 

Cena marcante neste sentido é quando o mineiro Henfil é indagado por Marília Gabriela sobre como preferia ser definido: “Humorista, porque ele dá-lhe uma imunidade para dar um cacete nas pessoas”.

Ousadia que perdeu a força com o passar do tempo, como admite Manoel. “Numa democracia, todo mundo tem opinião, todo mundo pode se manifestar contra ou a favor. O que dificultava é que antes a pessoa tinha que escrever uma carta e mandar pelo correio. Não era todo mundo que tinha saco para isso. Agora tudo é mais imediato, até com um feedback robótico, com alguém apertando uma tecla e mandando um montão de queixas”, analisa.

Outro ingrediente, de acordo com o diretor, está na “viralização das coisas”. Cita a polêmica recente da exposição “Queermuseum”, no Rio de Janeiro, com imagens de nu. “Quem foi se divertiu. E quem não foi ficou chateado a partir de um vídeo que assistiu e feito por outros. Houve uma transmissão desproporcional do episódio. Isso obviamente inibe o erro, a tentativa, porque o cara pode ser fuder pelo resto da vida. Se antes as coisas eram mais efêmeras, agora os danos podem ser eternos. Todo mundo é mídia, é satélite”, observa.

 

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