terça-feira, 18 junho 2019
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Faculdade de Medicina em BH tem novo caso de suicídio de aluno

Faculdade de Medicina em BH tem novo caso de suicídio de aluno; terceiro em 4 meses

A Faculdade de Minas (Faminas) perdeu mais um aluno do curso de Medicina por decorrência de um suicídio nesta sexta-feira (16). Ele cursava o nono período do curso e, de acordo com a instituição de ensino, o fato aconteceu em sua residência e não nas dependências do campus. A morte do jovem preocupa alunos e docentes da Faminas, pois, em novembro de 2017 a mesma faculdade registrou dois casos de suicídios de alunos que também eram do curso de Medicina. Na época, de acordo com informações de integrantes da faculdade, cinco alunos de medicina teriam tentado contra a própria vida, em um período de 40 dias. Dois deles faleceram.

Pelas redes sociais amigos do estudante que foi vítima nesta sexta-feira (16) começaram a manifestar apoio pela perda do colega. “Seu coração era cheio de amor, felicidade e luz. Eu não sei como vou fazer para viver num mundo em que você não exista. Muito obrigado pelo privilégio de poder ter tido como melhor amigo!”, escreveu uma das amigas.

Pelo Instagram, estudantes de outros períodos também prestaram apoio pela morte do colega de curso.

Bhaz entrou em contato com a assessoria da Faminas para falar sobre o assunto. Em nota, a instituição lamentou a perda do aluno. Confira a nota na íntegra:

“A Faculdade está consternada com a notícia do falecimento do aluno de Medicina e presta condolências aos familiares e amigos. A instituição esclarece que o fato não ocorreu em suas dependências. Além disso, reitera seu compromisso em zelar por seu corpo docente e alunos, oferecendo apoio psicológico gratuitamente, tanto em conjunto quanto individual”.

Sobrecarga era reclamação

Coincidentemente, as mortes registradas de alunos da Faminas no ano passado foram em períodos próximos às datas de provas. A instituição é acusada por alguns alunos de fomentar o declínio mental dos estudantes. Em entrevista concedida ao Bhaz na época, o diretor do Diretório Acadêmico do curso de Medicina da Faminas, Ayrton Paschke, em setembro ele procurou o coordenação do curso para alertar sobre os riscos da sobrecarga.

“Nós sofremos uma pressão muito grande. Parece que a faculdade quer forçar a reprovação dos alunos. Em épocas de prova, costumamos fazer mais de dez provas por semana. Além disso, os professores passam trabalhos e temos que estudar, fazer estágios, etc. É extremamente desgastante. Chegamos a ficar cerca de oito horas por dia na faculdade. Além dos estudos em casa. Isso, somado a problemas pessoais, pode ser insuportável”, diz Paschke.

Saúde mental em discussão

Para a psicóloga social e presidente da Comissão Institucional de Saúde Mental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Stella Goulart, a faculdade ou o ambiente de estudo não pode ser considerada como única causa de suicídios. “Temos que tratar essa questão com muito respeito e diálogo. É preciso que a faculdade conheça cada aluno e entenda suas necessidades. Muitas vezes, a universidade, os estudos, a pressão são o limite para pessoas que já sofrem com outras crises”, diz.

Para ela, não é possível comprometer a faculdade, pois um suicídio está mais ligado à história do sujeito. “Muitas pessoas ligam o suicídio a problemas mentais, mas, nem sempre é assim. As pessoas podem suicidar por fraqueza, por força ou, até mesmo, por acidente. É preciso combater a solidão, com muito diálogo e coletividade. E isso não é só para os alunos de diversas áreas. As faculdades têm diversas complicações como assédio (moral, sexual etc), problemas com servidores, professores, além do cenário desfavorável atual da educação”, explica a especialista.

Em relação à influência dos casos de suicídio sobre os alunos, Maria Stella explica que é importante que a faculdade não naturalize o problema. “Não podem agir como se fossem máquina e seguir em frente. É o momento de parar, analisar a situação e respeitar o luto dos alunos. O suicídio, apesar de ser pessoal, tem enormes proporções coletivas. Ele afeta familiares, amigos, conhecidos etc. É preciso tempo para organizar tudo”, sugere.

Ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também ajuda com suporte a pessoas que precisem. Você pode entrar em contato pelo número 141 ou pelo site da CVV, o atendimento é feito via chat, email, Skype, 24 horas por dia. Tudo feito sob sigilo.

Com informações do site Bhaz.

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