terça-feira, 22 outubro 2019
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Em Minas, Centrão migra para Bolsonaro e Haddad atrai apoios de Ciro Gomes – Primeiro Plano

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Já mirando o segundo turno das eleições presidenciais, os partidos em Minas começam a se organizar para definir apoio a um projeto político nacional. No chamado centrão – bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade-, que aderiu em massa à campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), a maioria dos diretórios das legendas mineiras pretende abandonar o tucano para apoiar Jair Bolsonaro (PSL). No outro extremo, caso Ciro Gomes não avance ao segundo turno, Fernando Haddad (PT) deverá ter a adesão, em Minas, de Avante e PDT, que formam a coligação do pedetista em âmbito nacional. Além disso, o PT tem a expectativa de costurar um “namoro” com o PSDB de Alckmin.

A movimentação reflete o clima político acirrado no país. Segundo pesquisa Ibope divulgada ontem, 28% dos eleitores afirmam que vão mudar de voto para evitar a vitória de algum candidato — sendo que os eleitores de Alckmin somam 36% dos mais propensos à mudança, enquanto os de Ciro representam 35%. 

“Não vamos ajudar a eleger o Bolsonaro. Vamos estar do outro lado, do lado progressista da eleição”


Mario Heringer 

Presidente do PDT

Nesse contexto, dos cinco partidos que compõem o centrão, apenas os diretórios de PP e PRB em Minas ainda divergem sobre a debandada da campanha de Alckmin para compor uma eventual base de Bolsonaro. O deputado federal Gilberto Abramo, presidente do PRB no Estado, admite receio para apoiar o militar. “Não vamos decidir sozinhos, ainda mais um apoio que envolve tantas divergências e posicionamentos extremos”, diz. 

Queda de braço

No PP, o presidente do partido em Minas, deputado federal Toninho Pinheiro, antecipa a queda de braço que será travada na legenda. “Eu sou Bolsonaro, confio na vitória dele no primeiro turno. Mas o presidente nacional do partido já sinalizou apoio ao PT. Teremos divergências”, admite.

Já os outros partidos do centrão no Estado sinalizam apoio a Bolsonaro. O deputado estadual Léo Portela (PR) diz que seu partido não deverá ter dissidências. “Deixar o PT voltar vai ser um crime. Pode não ser o Bolsonaro (contra o PT), se for outro, vamos com outro”, afirma o deputado. 

Na mesma linha, o presidente nacional do DEM, Ronaldo Caiado, sinalizou composição com Bolsonaro. O presidente do partido em Minas, Rodrigo Pacheco, candidato ao Senado na chapa de Anastasia, não foi encontrado.

No núcleo petista, além de PSB e PCdoB, que compõem a aliança nacional com o PT, Haddad tem tendência em atrair o apoio de Avante e do próprio PDT. Em Minas, o deputado federal Luis Tibé, presidente nacional do Avante, admite a possibilidade. “Vamos estar no campo progressista, claro. Estamos com Ciro e com quem ele apoiar”, disse. Na mesma linha, o presidente do PDT no Estado, deputado federal Mario Heringer, defende uma aliança para derrotar Bolsonaro. “Certamente não vamos ajudar a eleger o Bolsonaro. Vamos estar do outro lado”, diz.

Até mesmo integrantes do PSDB de Alckmin cogitam uma trégua com o PT em eventual segundo turno sem os tucanos. Em Minas, o deputado estadual João Vitor Xavier (PSDB) é um deles. “O segundo turno não existe ainda. Mas o PSDB não vai se alinhar às forças mais obscuras, vamos ajudar a democracia a derrotar o retrocesso”, diz.

Aliados de Anastasia já defendem voto anti-petismo 

Nesta semana, declarações polêmicas de apoio a Jair Bolsonaro (PSL) esquentaram a disputa nacional em Minas. Em vídeo gravado durante uma palestra em Patrocínio, no Triângulo Mineiro, o deputado federal Marcos Montes (PSD), vice de Antonio Anastasia, declarou a possibilidade de apoio a Bolsonaro. Já Dinis Pinheiro (SD), candidato ao Senado na chapa tucana, divulgou um vídeo de campanha ao lado do candidato do PSL. 

“Aquilo que falei é sobre uma possibilidade. Não é uma postura oficial do partido, é minha. No PT, a gente não vota de jeito nenhum. Temos que cogitar o Bolsonaro sim”, disse Montes.

Facebook

O presidente do Solidariedade em Minas, Luiz Carlos M]iranda, foi incisivo ao dizer que “está junto com Dinis” no apoio a Bolsonaro. Na última segunda-feira, Dinis compartilhou um vídeo em seu Facebook no qual Bolsonaro pede votos para elegê-lo ao Senado  a propaganda eleitoral foi gravada antes de o presidenciável do PSL ser vítima de uma facada, em Juiz de Fora. 

“Nós achávamos que o Alckmin poderia desenvolver um grande projeto, mas não tem decolado (nas pesquisas de intenção de voto). O que não podemos deixar acontecer é a volta do PT, que seria, aí sim, um retrocesso enorme para todo o país”


Luiz Carlos Miranda

Presidente do Solidariedade em MG

“Nós achávamos que o Alckmin poderia desenvolver um grande projeto, mas não tem decolado. O que não podemos deixar acontecer é a volta do PT”, criticou Miranda. Dinis Pinheiro não foi encontrado para comentar o vídeo.

Procurado, Anastasia desmentiu a possibilidade de apoio a Bolsonaro, mesmo após seu vice reafirmar que, caso Alckmin não avance ao segundo turno, “precisamos dar as mãos a Bolsonaro”.

“O meu candidato a presidente da República, como o de meu vice Marcos Montes, é Geraldo Alckmin. Na palestra, Marcos fala sobre uma possibilidade hipotética com a qual não trabalhamos”, disse Anastasia.

A assessoria do tucano preferiu não comentar as declarações de Dinis. Nos bastidores, interlocutores do partido dizem que Dinis ficará isolado na reta final da campanha. A rusga abre espaço para uma aproximação com o candidato ao Senado pelo PHS, Carlos Viana, que tem comparecido aos eventos de Anastasia — mesmo não integrando a chapa do tucano. 

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