quinta-feira, 27 junho 2019
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Doação é desafio – Saúde

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De cada dez famílias mineiras que perdem um parente classificado como potencial doador de órgãos, seis recusam o procedimento. A rejeição, conforme a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), é a maior dos últimos sete anos. O cenário reflete diretamente na redução de cirurgias e no aumento da mortalidade de pacientes que aguardam na fila.

No Estado, de janeiro a julho, houve queda de 6% nos transplantes. Em abril, reportagem publicada pelo Hoje em Dia mostrou que a expectativa era a de ampliar o serviço em 15% em 2018.

No Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, celebrado ontem, as estatísticas alertam para a importância do ato.

“O impacto é mais perverso do que simplesmente o crescimento da fila. Impacta no número de óbitos dos que esperam o procedimento, porque eles têm um tempo de vida”, ressalta Guilherme Riccio, diretor de Assistência à Saúde da Santa Casa de Belo Horizonte.

No primeiro semestre deste ano, 121 pacientes perderam a vida à espera da cirurgia no Estado. Atualmente, mais de 3 mil mineiros aguardam por um órgão, segundo a ABTO. A procura maior é por rins, córnea e pâncreas.

 

AUTORIZAÇÃO

No Brasil, apenas a vontade de uma pessoa não a torna doadora, nem mesmo a declaração feita no documento de identidade. Após a confirmação da morte, a operação deve ser autorizada por um parente.

Mudanças são defendidas pelo médico Guilherme Riccio, que aponta “ignorância, crenças e falta de vontade política” para o cenário classificado por ele como preocupante.

“Considerar a declaração em vida já ajudaria, mas não resolveria. A solução é tornar a decisão técnica. É preciso acabar com o mito de que se arranca órgão de gente viva. A legislação brasileira para morte cerebral é uma das mais rigorosas do mundo”, afirma.

Em média, após o diagnóstico da morte encefálica e o consentimento da família, são gastas entre 12h e 18h para se retirar os órgãos do doador. No entanto, casos que demandam exames específicos podem levar até 24 horas.

“Isso também é um fator que prejudica. Quanto mais tempo demora, menos a família está disposta em doar”, afirma Rafaela Cabral, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) do MG Transplantes, centro responsável por coordenar as ações no Estado.

Segundo ela, a principal forma de fomentar a adesão é a humani-zação do acolhimento na unidade de saúde. “A maneira como a família foi recebida no hospital, ao longo de toda a rede, contribui para essa decisão. Se eles são ouvidos e têm as demandas atendidas, a definição tende a ser mais favorável”.

Para Rafaela Cabral, um decreto assinado no ano passado, que muda a forma de doação de órgãos no Brasil, é visto de forma positiva, mas só a longo prazo. A norma dá autonomia para que médicos capacitados, e não só os neurologistas, atestem a morte, agilizando o processo.

“Mas em curto prazo é necessário, primeiro, que os outros profissionais sejam preparados. E isso leva tempo. Como ainda não há a capacitação de todos, o serviço pode, às vezes, demorar um pouco mais”, explicou.

A capacitação é de responsabilidade de órgãos locais de transplantes, e envolve um ano de estudos e acompanhamento de, no mínimo, dez diagnósticos. Em Minas, o curso ainda não existe, mas está sendo avaliado pelo MG Transplantes.  

(Colaborou Bruno Inácio)

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