sábado, 19 outubro 2019
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Da esperança ao medo – Minas do Norte

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Motivo de medo e polêmica nos últimos dias, a Barragem de Caatinga, construída em Engenheiro Dolabela, distrito de Bocaiuva, já foi o sinal do progresso e da esperança de que a água não seria tão escassa no semiárido.

A represa foi erguida pela Industrial Malvina para assegurar água na irrigação e processamento diário de 240 mil litros de álcool e produção de 400 mil sacas de açúcar por safra.

Hoje, está sendo esvaziada, com 5 mil litros de água por segundo sendo jogados fora, como forma de impedir o rompimento da estrutura, como O NORTE tem mostrado há uma semana.

Sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a barragem de Caatinga deveria ter passado por obras para garantir a segurança do paredão e do vertedouro, com sinais de erosão e trincas. No entanto, apesar de haver decisões judiciais determinando que o órgão realizasse as intervenções, nada foi feito, sob a alegação de falta de recursos técnicos e financeiros.

Enquanto a situação não se resolve – no próximo dia 20 haverá uma reunião para tentar uma conciliação –, o advogado José Tomás Filho, síndico da massa falida da Industrial Malvina, se recorda dos tempos em que a usina funcionava a todo vapor, gerando empregos em toda a região.

José Tomás, que nasceu e se casou no distrito, trabalhou por 20 anos na indústria. Segundo ele, o grupo Atalla – que comandava a usina – alimentou a economia de Bocaiuva por várias décadas, até encerrar as atividades em 31 de julho de 1997 e decretar falência em 27 de outubro de 2002.

A Barragem de Caatinga, hoje no epicentro do debate sobre os riscos de morte que os barramentos representam, sobretudo em Minas Gerais, custou US$ 4 milhões. A obra foi iniciada em 1º de março de 1976 e concluída em 24 de julho de 1977.

Portanto, a implantação do projeto de reforma agrária Betinho – que deu origem ao Assentamento Betinho, que hoje abriga 760 famílias – iniciou-se 11 anos após o encerramento da produção.

Composta por águas dos rios Caatinga e Embarassaia, o volume da represa está espalhado em 17 quilômetros e seria capaz de inundar uma área de 900 hectares.

Foi construída pelo Grupo Atalla depois da tentativa de movimentar a produção da Malvina somente com a água corrente do rio Jequitaí e dos poços artesianos. No entanto, a água muito calcária exigia custos altos para serem destiladas.

Portanto, a água oriunda da Barragem da Caatinga, desde 1977, assegurava não apenas a manutenção de uma das maiores usinas de álcool e açúcar de Minas Gerais, como garantia, nos oito meses de safra, emprego para 4 mil funcionários, 1,2 mil permanentemente.

Com o encerramento das atividades, até hoje cerca de 500 famílias de ex-funcionários tentam receber na Justiça os salários e direitos trabalhistas, amparados no Artigo 102 da Lei de Falência, que prioriza o pagamento aos trabalhadores quando de sentenças favoráveis de devedores da massa falida.

Uma dessas ações é contra a União, na qual o Grupo Atalla cobra dívida de aproximadamente R$ 240 milhões, gerada em função do tabelamento feito por diversos governos, que mantiveram, por longos períodos, os preços do álcool e do açúcar muito baixos.

 

MANIFESTAÇÃO

O protesto marcado para ontem na Barragem de Caatinga para chamar a atenção das autoridades para a situação do reservatório foi adiada.

Em nota, a Prefeitura de Bocaiuva informou que decidiu pela suspensão do ato em função do anúncio feito pela Promotoria de Justiça da Bacia Hidrográfica dos Rios Jequitaí e Rio Pardo de audiência de conciliação no próximo dia 20 com o Incra. Mas ressaltou estar atenta a toda decisão para cobrar as intervenções necessárias.


 

 

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