quinta-feira, 21 novembro 2019
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Criança com síndrome de down é excluída de formatura na escolinha – Horizontes

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“Ela adora ir para a escolinha. É apaixonada por crianças, gosta muito de brincar no meio delas, de colorir e de cantar. Sempre que eu canto com ela aquela música do ‘fui na fonte do tororó’, ela canta comigo e cada refrão ela fala o nome de uma coleguinha diferente”, conta a gerente administrativa Fabrícia Andrade, de 37 anos. Ela é tia de Isabela, de 6 anos, que tem síndrome de down e foi excluída da formatura de 1° período da escola em que estuda na última semana, na cidade de Oliveira, região Centro-Oeste do Estado.

Após o ocorrido, Fabrícia fez uma postagem no Facebook, que já conta com mais de 1000 compartilhamentos, denunciando a escola. “Meu sentimento é de tristeza e a a nossa luta é para que nenhuma criança mais passe por isso, porque é muito doloroso”, relata.

A vida escolar na vida de Isabela é recente. Seu primeiro ano de vida foi passado na CTI de um hospital, por causa de um problema no coração. Após isso, ela passou mais um longo período em casa, com uma traqueostomia na garganta e uma sonda alimentar.

Arquivo Pessoal 

BebêIsabela quando ainda tinha a traqueostomia 

Liberada dos instrumentos médicos, foi só aos 4 anos que ela foi matriculada em uma escola particular do município. Mas no ano passado, na hora de fazer a rematrícula, a escola a recusou. “Disseram que era uma responsabilidade e um custo muito grandes para a escola, porque ela precisaria de um monitor a acompanhando”, explica a tia da menina.

Ao saberem do projeto de inclusão na Escola Municipal Cristo Redentor, os pais decidiram, então, matricular a pequena na instituição. Tudo parecia ir bem, até a mãe, professora do ensino infantil da rede municipal de ensino, Telma Cassiano, de 39 anos, descobrir “sem querer” que haveria uma formatura da sala de Isabela e que ela estava excluída.

“Na última quarta-feira a mãe dela, que é minha cunhada, estava chegando na escola onde dá aula e a mãe de uma coleguinha da Isabela perguntou se ela ia para a formatura de carro. Ela respondeu que não estava sabendo de formatura nenhuma. E o evento aconteceria no dia seguinte”, lembra Fabrícia.

Grávida de seis meses, Telma chegou a passar mal quando soube do que tinha acontecido com a filha. Ela entrou em contato com a professora da menina e recebeu três justificativas diferentes. Mas nenhuma delas justificou o motivo da exclusão de uma das alunas da turma.

“Minha cunhada estava chorando muito, perguntava porque tinham feito isso com a filha dela. E não é um fato isolado, ela já tinha ficado de fora de outros eventos da escola. Aí, acho que a professora se embananou tanto pra não falar em exclusão, que deu três justificativas. A primeira era que foi um esquecimento, já que são várias crianças na escola. Depois ela disse que os professores que estavam fazendo os convites não fizeram os da Isabela, e por fim, ela disse que a Isabela não estava se formando”.

Na foto da turma, no entanto, Isabela aparece no colo da monitora, já que é uma das formandas. Ela também tem a foto vestida de beca, tirada dias antes da formatura. “Teve vários ensaios da formatura que, enquanto estava todo mundo brincando, ela ficava sentadinha no colo da monitora. E ela adora cantar. Ela foi impedida de participar dos ensaios junto com os coleguinhas. Na semana retrasada ela foi chamada para tirar a foto com a beca e quando a professora entregou a foto para os pais, e também os trabalhos e atividades escolares, disse que a Isabela não precisava mais vir à escola, que estava de férias”, lembra a tia.

 

Ao ver o caderno da pequena onde deveriam constar suas atividades e trabalhos escolares, haviam várias folhas em branco. “Parece que do meio do ano para cá, eles passaram a isolar a Isabela, ela não participava mais das atividades, não fazia os trabalhos que os coleguinhas faziam. Eu senti um descaso muito grande com a minha sobrinha”, conta.

Procurada pela reportagem, a secretária de Educação de Oliveira, Andrea Pereira, que responde pela escola, informou que todas as providências estão sendo tomadas e que a Secretaria abriu um processo administrativo para apurar o ocorrido. 

Empatia

Devido ao longo tempo que passou no hospital e com instrumentos na garganta, Isabela tem dificuldades na fala, mas sabe se comunicar e demonstrar o que sente. Fabrícia acredita que ela não tenha entendido que foi excluída da festinha de formatura de sua turma, mas que talvez entenda que era tratada de uma forma diferente.

“Ela não tem essa conversação fluente devido ao tempo que ficou na CTI e com a traqueostomia na garganta, mas do jeitinho dela, ela se comunica, ela sente. Se alguém faz uma maldade com ela, ela não vai chegar e contar, pronunciar todas as palavras, mas ela fica chateada, ela demonstrta, ela fecha os olhinhos, se encolhe, fica no cantinho dela”, conta Fabrícia.

Isabela também frequenta a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em sua cidade e faz acompanhamento com fonoaudiólgo. Além disso, devido ao marcapasso que usa, ela precisa visitar a cada seis meses o cardiologista. Quando nasceu, os médicos já haviam avisado a família que, para Isabela, a vida deveria ser vivida um dia de cada vez.

“Com a Isabela, a gente não pensa muito no amanhã. Deus me livre e guarde, mas não temos como ter certeza se daqui a quatro anos ela vai estar bem ou viva para participar de uma formatura. E o que a escola fez foi privar a família do direito da Isabela viver a sua primeira formatura. E ela gostava tanto de ir para a escolhinha. Quando estava chegando a hora, ela mesma já pegava a mochilinha e se preparava para ir. Às vezes, mesmo quando estava doentinha, tomando antibiótico, ela ia”, conta.

Para Fabrícia, a esperança é que o grito dado pela família estimule outros pais a fazerem o mesmo. “Que nenhuma criança tenha que passar por isso, porque é muito triste, muito doído. E a minha sobrinha é uma guerreira, uma vencedora, olha só por tudo o que ela passou. E agora ter que passar por essa situação de preconceito, de exclusão, é lamentável”, desabafa.

“Eu acho que é preciso capacitar as pessoas. Não somente os monitores, mas os professores também, para que eles cuidem das crianças com amor. Entendam as suas limitações. Não é só a Isabela, há crianças que parecem normais aos olhos da sociedade, mas também têm suas limitações, dificuldades de aprendizado, por exemplo. Aprender é um direito da Isabela e de várias outras Isabelas que existem, e as pessoas precisam ser capacitadas para recebê-las”, conclui.

A família aguarda a conclusão dos procedimentos da Secretaria Municipal de Educação para saber o que vai ser feito. Com a expectativa da Apae abrir uma turma no ano que vem, a idea é manter a pequena somente lá, mas dependendo das providências tomadas pela escola e pela Secretaria em relação ao ocorrido, há a possibilidade de Isabela alternar seus dias de aula entre a Apae e a escola regular no próximo ano.

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