sexta-feira, 18 outubro 2019
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Como imprimir insulina e até bactéria em sua casa | EL PAÍS Semanal

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“Democratizar a biologia sintética” era o objetivo da equipe da Universidade Politécnica de Valência (Espanha) que obteve o equivalente a uma medalha olímpica no concurso iGEM 2018, o mais importante do planeta em seu campo, realizado em Boston, ou seja, os Jogos Olímpicos da criação de sistemas biológicos para melhorar ou criar novas funções. Sua impressora permite, a partir de peças de DNA e através de um software, imprimir novos perfis genéticos, novas bactérias modificadas geneticamente.

Uma dúzia de estudantes, um projeto e pouquíssimo dinheiro. Essa foi a base inicial da equipe quando começou a trabalhar, em maio do ano passado. Ao contrário dos demais de alunos, o final da temporada de exames significou para eles o início de infinitas jornadas na Universidade, com autorizações especiais para entrar no campus nos finais de semana e durante as férias de verão. Agora, exibem seu minilaboratório, de aproximadamente meio metro quadrado, que quando estiver completamente desenvolvido poderia permitir a impressão de insulina em casa, por exemplo. Mas também servirá para que colégios e pequenas empresas não tenham que renunciar à ciência prática por causa do custo dos aparelhos, já que seus criadores concentraram cinco custosos processos em uma só máquina, a Printeria, que poderia ser comercializada a um preço acessível, um pouco acima de 3.000 euros (menos de 13.000 reais).

“Não seremos nós a limitar suas aplicações”, diz Roger Monfort, porta-voz da equipe. A Printeria é uma ferramenta industrial e médica. Pode criar bactérias para limpar os ecossistemas ou comer o plástico dos oceanos; materiais que absorvam raios ultravioleta ou, na indústria têxtil, que tinjam com padrões naturais. Pode criar aromas e sabores, ou fabricar materiais de absorção de raios ultravioleta. Com a Printeria também é possível imprimir bactérias para bioarte.

Entre futuros biotecnólogos, biomédicos, engenheiros industriais, de eletrônica e informáticos há também um aluno de Belas Artes. Joan Casado transformou as incompreensíveis séries de dados em painéis e em um site desenvolvido para que todos pudessem entender no que estavam trabalhando. “Não são estranhos, mas no começo tinha que pedir explicações de tudo, me davam folhas cheias de letras e eu não entendia nada”, recorda. Sua luta contra a “feiura” quando tinha que traduzir o trabalho dos outros acabou em impasse. “Em princípio eram resistentes, mas quando começaram a ver os resultados entenderam qual era a minha parte do trabalho.”

E não foi o único. Os especialistas em informática tampouco se entendiam com os biotecnólogos, nem estes com os de engenharia industrial… O fato de formar uma equipe tão transversal é, acreditam, o que lhes contribuiu o plus que os levou ao topo dos prêmios em biologia sintética. E o que maior aprendizagem lhes proporcionou. Praticamente todos concordam em apontar que esse exercício de comunicação fora de seus âmbitos, com seus colegas, e a capacidade desenvolvida para resolver os problemas sozinhos foram a melhor contribuição ao seu currículo.

Entre mais de 300 projetos apresentados por Universidades como Yale, Oxford, Harvard, Cambridge e Columbia, 3.500 participantes e dois pavilhões, “tudo muito americano”, como descrevem, encontraram-se “de igual para igual” com seus concorrentes. “Não fomos com complexos”, recordam, apesar do escasso orçamento do qual dispunham, limitado às contribuições das suas famílias, um pouco da Universidade e uma empresa que doou material. Ao seu lado, projetos que receberam meio milhão de reais e patrocínio de várias marcas. Mesmo assim, o interesse que perceberam desde a primeira fase do concurso lhes fez prever que podiam superar Universidades com mais renome.

Mas a falta de financiamento e de interesse e a decepção cada vez que iam a uma empresa para pedir dinheiro e saíam de mãos abanando são coisas que eles não esquecem. “As empresas arriscam pouco, não há apoio social, só institucional”, afirma Jesús Picó, um dos instrutores do projeto. “As empresas só financiam ações que lhes sirvam para melhorar sua imagem, e pouquíssimas querem contribuir para pesquisa e a educação”, dizem os estudantes, com menos tabus. “Não veem a importância de financiar equipes, não se sentem orgulhosas de contribuir a criar um tecido de profissionais que em alguns anos comandarão suas empresas”, argumenta Picó.

Mas quando se viram entre os finalistas, entre uma equipe chinesa e outra norte-americana, se esqueceram das penúrias, do verão sem férias, sem amigos, sem família… Em termos de nervosismo, parecia aqueles momentos angustiantes, em plenas férias de agosto, quando o software falhava e eles precisavam manter o controle. “Fui convencido a fazer a apresentação porque seria para a nossa equipe de juízes, e de repente me vi diante de mais de 3.000 pessoas”, relembra Tzevetelina Ilieva Anguelova. Não viram nada de Boston. Só as paredes de seus quartos de hotel, repassando as apresentações insistentemente e descansando por turnos para continuar explicando as capacidades da Printeria.

Voltaram à Espanha com cinco prêmios (melhor projeto com nova aplicação, melhor software, melhor hardware, melhor wiki e melhor modelagem), muito mais do que qualquer outra equipe do seu país nesse campeonato mundial. Agora, recebem felicitações pelos corredores de suas Faculdades e mostram orgulhosos a sua obra.

E agora? Esperam que alguma empresa queira financiar a Printeria para melhorá-la e comercializá-la. Recordam que, quando começaram, seus professores já lhes alertavam de que entrar no projeto exigiria sofrimento e dedicação. Agora que ganharam, também traz a glória. E se o empresariado espanhol continuar adormecido, o que eles planejam é chegar a serem bons profissionais.

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