segunda-feira, 14 outubro 2019
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Cine Humberto Mauro completa 40 anos

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Projecionista do Cine Humberto Mauro há mais de 30 anos, Mercídio Scarpelli já sentiu na pele até aonde pode ir o amor ao cinema. “Nosso projetor era aquele de rolinhos, que tinham que ser trocados a cada dez minutos. Quando estava exibindo ‘Ben-Hur’, houve uma pequena diferença de cenas nesta passagem e um espectador foi à minha fala me dizer que eu estava roubando filme!”, lembra ele, divertido.

Apesar do medo que ficou, precisando ser acompanhado até o ponto de ônibus por um policial que estava na plateia, na hora de ir para casa, Scarpelli gosta de contar essa história para diferenciar o tipo de público da sala do Palácio das Artes, que comemorará 40 anos de atividades em outubro. 

Criada após um grupo de cinéfilos de Belo Horizonte se reunir para ver filmes no Grande Teatro, o cinema não perdeu o papel: dar acesso a obras importantes de todo mundo.

Mônica Cerqueira foi responsável por dar a cara que o cinema tem hoje, apresentando uma programação regular e diversificada. Antes de virar a coordenadora, ela era uma das secretárias da presidência que sonhava um dia em trabalhar no cinema, uma de suas paixões.

A oportunidade chegou, mas não sem polêmica. “O pessoal da área pediu a minha destituição nos jornais e na Coordenação de Cultura do Estado. Afinal, quem era aquela menina? Não era do cinema”, recorda Mônica, que acabou ficando dez anos à frente do espaço, criando mais tarde outras salas cult, como o Savassi Cineclube e o Usina.

Criou mais controvérsia ao exibir um filme dos Beatles, até então visto como entretenimento puro. “Queria que a sala fosse conhecida, queria abrir a roda. Ele ficou aquecido e nunca deixei isso esfria”, lembra Mônica, que, para não perder público, cheogu a substituir o projecionista que havia quebrado a perna. “Não iria fechar a sala após chegar a esse ponto. Então eu mesmo fui ser a operadora”.

 

PAULO LACERDA/DIVULGAÇÃO / N/A

HUMBERTO1

Sala recebeu mostras completas de Charles Chaplin, Alfred Hitchcock e Howard Hawks

Não é nenhuma “maldição”, mas, uma vez que se passa pelos bastidores do Cine Humberto Mauro, o vínculo com o espaço parece se tornar vitalício, com as pessoas sempre retornando a ele, de uma forma ou de outra.

Ana Siqueira foi coordenadora da sala em 2008 e saiu para ter a sua filha, Rosa. Voltou cinco anos depois, para ficar à frente do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte, criado em 1994 por José Zuba Jr., outro nome fundamental na história do Humberto Mauro.

“É muito gratificante trabalhar num cinema que tem esse perfil. Além da possibilidade formativa, tendo na plateia gente que mais tarde estaria dirigindo seus filmes, havia o trabalho cotidiano com a história do cinema. Não passava um dia sequer que eu não entrava na sala, mesmo que por alguns minutos”, registra Ana.

A história de Bruno Hilário, atual gerente da sala, começa em 2009, quando entrou como estagiário na gestão de Daniel Queiroz. “Na época, eu estudava cinema e tinha no Humberto Mauro um espaço democrático que unia divertimento e filmes de diferentes lugares”, destaca.

Ele acompanhou de perto a transformação da sala, primeiramente aos olhos do próprio Palácio das Artes, que passou a dar ao cinema o mesmo status de suas óperas e apresentações de balé. “Foi muito significativa essa passagem para gerência, ganhando maior autonomia e um lugar mais estabelecido na política interna”, observa.

Assim o Humberto Mauro se tornou referência nacional na realização de mostras retrospectivas, várias delas acontecendo na gestão de Rafael Ciccarini. Eram verdadeiras buscas arqueológicas, com cópias vindas do exterior, para não deixar nenhum filme de fora. 

Acompanhadas por debates e catálogos, as mostras de Alfred Hitchcock, Charles Chaplin e Howard Hawks chamaram a atenção para a programação oferecida pela sala pública.

 

“É um lugar democrático, que abriga todos os tipos de filmes”, observa atual gerente

A busca por ampliação e diversificação do público levou o cinema a um grande desafio, há quatro anos, quando passou a exibir filmes que não exatamente clássicos absolutos do cinema mundial.

“Quando promovemos uma mostra de Elvis Presley, um grupo muito reduzido de cinéfilos chegou a questionar. Não esquecemos os clássicos, mas buscamos dar uma outra cara”, destaca Hilário.

O cinema realizou, em seguida, mostras de “Star Wars”, de filmes de terror dos anos 90 e, com início nesta quinta-feira, uma dedicada às obras de artes marciais.

“Os filmes não são exibidos sem contextos. Há toda uma discussão que se dá em torno deles, propondo um outro olhar”, explica o atual gerente, lembrando que a quadrilogia “Pânico” foi apresentada no mesmo dia, coincidentemente, que a Cinemateca Francesa promovia uma sessão especial destes filmes.

No lado de infra-estrutura, a sala também passou por uma grande reforma em 2013, com novos sistema de som e imagem, tornando-se uma das primeiras de Belo Horizonte a ter projeção em DCP (Digital Cinema Packpage), que substitui as películas.

“O Cine Humberto Mauro se tornou um templo do cinema. Não só como um lugar sagrado, como a casa do cinema, mas também este lugar democrático, que abriga todos os tipos de filmes. Falar do valor de uma obra é sempre subjetivo e que temos nos permitido é chegar a risco, a um confronto. Isso é promover o diálogo”, analisa.

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