terça-feira, 17 setembro 2019
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Carnaval de BH: Crimes mais graves acontecem à noite

Carnaval de BH: Crimes mais graves acontecem à noite

Se o carnaval de Belo Horizonte vem disputando nota máxima, ano após ano, nos quesitos concentração e evolução, quando o assunto é dispersão, o samba atravessa, as ocorrências se multiplicam e a violência dispara. Neste ano, os episódios mais graves deixaram claro que é no fim da festa, entre o início da noite e a madrugada, que estão os maiores desafios à organização e à segurança – embora durante todo o dia ocorram furtos e roubos, com destaque para os de celulares, e caos no trânsito. De sábado até a quarta-feira de cinzas, foi no período noturno que ocorreram três mortes, quatro estupros e os ataques a tiros contra três pessoas, na Savassi, e a facadas contra outras quatro, entre elas dois turistas franceses. Uma das ocorrências mais graves foi a morte do adolescente Robson Soares da Silva, de 16 anos, morador de Lagoa Santa, na Grande BH, que veio para a capital mineira para curtir a folia. Ele desapareceu terça-feira e seu corpo foi reconhecido por familiares ontem, no Instituto Médico-Legal (IML).

O assassinato ainda é cercado por mistério. Equipes do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa iniciaram ontem levantamentos para tentar esclarecer o caso. O corpo do adolescente foi encontrado na madrugada de quarta-feira, na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, mas permaneceu sem identificação até ontem. De acordo com boletim de ocorrência da Polícia Militar, testemunhas relataram que ele se envolveu em uma confusão e que teve pertences pessoais roubados. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso, mas os laudos que podem identificar as causas da morte ainda são aguardados, assim como imagens de câmeras de segurança que podem ter flagrado o crime.

Segundo familiares do adolescente, ele chegou à capital no sábado, acompanhado de cinco amigos. O grupo ficou hospedado em um apartamento que pertence à avó materna de Robson, no Bairro Grajaú, Região Oeste, onde o estudante foi visto pela última vez, na noite da terça. De acordo com o boletim da PM, um amigo de Robson informou que eles voltaram para casa por volta das 23h, depois de participar de uma festa de carnaval. Os dois foram dormir por volta de 23h30.

A testemunha acrescentou que se levantou às 11h da quarta-feira e foi até o quarto onde Robson havia se deitado, mas já não o encontrou. Documentos do adolescente foram achados no cômodo e seu celular já não atendia, segundo o relato. Os dois voltariam naquele dia para Lagoa Santa, na Grande BH, onde moram.

Segundo a PM, a morte do adolescente foi registrada por volta de 1h. Testemunhas acionaram a corporação dizendo que havia ocorrido uma briga generalizada na Avenida Afonso Pena, próximo ao número 550. A vítima foi encontrada caída no chão. Médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constataram que o adolescente já estava morto. Testemunhas informaram que o estudante, durante a confusão, bateu a cabeça no chão. Outros envolvidos na briga levaram seus pertences antes de fugir.

Várias perguntas permanecem sem respostas no episódio. A primeira delas é como, e por que, o adolescente saiu do Grajaú, na Região Oeste, depois de se recolher com o amigo, e foi parar na Praça Sete, no Hipercentro da capital. A segunda é em que circunstâncias ocorreu a morte, se em função da queda, de agressões ou por algum outro motivo. E outras, relacionadas a quem são os envolvidos e qual a motivação para o crime.

DESPEDIDA O corpo do adolescente foi velado no Velório Municipal de Lagoa Santa e sepultado no cemitério local. O Colégio Chromos, unidade de Lagoa Santa, suspendeu as aulas no turno da manhã de hoje e as provas previstas para o turno da tarde. Em nota oficial a instituição manifestou “profundo pesar pelo falecimento do aluno”. Muito abalada, a diretora da escola, Cristina Detomi, amiga da família, disse que Robson foi seu aluno desde o ensino infantil: “Estou sem chão. Assim que soube do desaparecimento, senti um calafrio. Acompanhei toda a trajetória escolar dele, que era um menino muito dedicado e proativo, inteligente e bastante interativo com os colegas. Estamos muito abalados”.

Robson foi a terceira vítima de homicídios durante o carnaval em Belo Horizonte. O primeiro episódio ocorreu no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, quando uma briga levou à morte de um rapaz de 18 anos no domingo. O segundo vitimou no domingo uma mulher de aparentes 30 anos, nas proximidades do palco fixo montado pela prefeitura na Praça da Estação, no Centro – espaço que concentrou o maior número de ocorrências graves, com quatro denúncias de estupro e um esfaqueamento. Todas os casos ocorreram à noite ou durante a madrugada.

Crimes recuaram, diz PM

Apesar do aparente agravamento da violência em ocorrências na capital, balanço da Polícia Militar sustenta ter havido redução no total de crimes violentos no carnaval deste ano na cidade. De acordo com o registro oficial da PM, a queda foi de 59,91% em relação a 2018, considerando levantamento que ainda deve ser detalhado em conjunto com a Prefeitura de BH. No estado, a diminuição no total de registros oficiais ficou em 56,93%, de acordo com a corporação.

Os casos de homicídios em Minas caíram de 67 para 46, redução de 31,34%. Segundo a PM, oito deles têm relação direta com o carnaval – o que significa que a capital sozinha responde por 37,5% dos registros. A queda dos registros de roubos foi de 57,89%, de 1.572 para 662, sendo que 106 tiveram a ver com o evento, de acordo com a corporação. Os estupros apresentaram redução de 26 para 16 (recuo de 38,46%), um quarto deles na capital. E os registros oficiais indicaram ainda 41 crimes de importunação sexual, 25 prisões e dois menores apreendidos.

Sobre as queixas de roubos de celulares, a PM apontou variação negativa de 40,89%, sendo 1.208 ocorrências contra 714 em 2019, e os furtos de 1.775, para 1.184. Questionado sobre o registro de furtos de aparelhos como “extravios”, como apurou o Estado de Minas durante o carnaval, o comandante-geral da PM, coronel Geovanne Silva, disse que o termo depende do relato da vítima. “Se a pessoa deu falta do celular muito tempo depois, não sabe como o aparelho desapareceu, pode ser considerado extravio”, admitiu. E o balanço de “extravios” não separa especificamente os de smartphones, registrados nas ocorrências como “objetos pessoais” (que incluem correntinhas, relógios e outros bens). Não foram divulgados números absolutos. Apenas porcentagens.

RISCO NOTURNO

Confira as mais graves ocorrências durante os dias oficiais de folia 

Noite de sábado

Uma jovem de 19 anos procurou a Polícia Militar, na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, para denunciar ter sido estuprada enquanto curtia o carnaval. Segundo o boletim de ocorrência, o crime aconteceu por volta de 20h30. A jovem teria se afastado dos colegas para ir a um banheiro químico quando foi abordada.

Noite de domingo
Uma briga terminou em morte durante evento de carnaval no Bairro Castelo, Região da Pampulha. Um jovem de 24 anos foi preso pela PM suspeito do crime. Ao ser abordado contou ter vomitado, atingido o pé da namorada da vítima. Na versão do suspeito, o rapaz começou a agredi-lo, ele se defendeu e o rapaz, de 18 anos, teria caído e morrido. Porém, testemunhas relataram que o suspeito bateu com a cabeça da vítima várias vezes no chão.

Três pessoas foram baleadas, em duas ocorrências com intervalo de poucos minutos na Região da Savassi. Um jovem levou um tiro no abdômen na esquina das ruas Professor Moraes e Santa Rita Durão, após um desentendimento entre dois grupos de jovens. Momentos depois, uma mulher e outro rapaz ficaram feridos, com menos gravidade, na esquina das avenidas Cristóvão Colombo e Getulio Vargas.

Duas jovens, de 19 e 21 anos, foram vítimas de abusos sexuais na Praça da Estação, no Centro de BH. Elas esperavam a chegada de carro de transporte privado por aplicativo, quando um homem de 36 as ameaçou, segundo a PM. O homem, que portava uma arma falsa, ainda roubou celulares das mulheres.

Madrugada e noite de segunda
Uma mulher de 32 anos foi esfaqueada no abdômen, também nas proximidades da Praça da Estação, de madrugada. Inconsciente, ela foi socorrida por populares até o Hospital Municipal Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, Região Nordeste da capital, onde ficou internada.

Dois franceses foram esfaqueados após uma tentativa de assalto na noite de segunda, na Avenida dos Andradas, no Bairro Santa Efigênia. Segundo a Polícia Militar, eles participavam de eventos de carnaval na região. O boletim de ocorrência foi registrado às 22h39. Os turistas estavam sem documentos, mas foram identificados como Sebastian Cayol e Lucas Dru, ambos de 38 anos.

Noite de terça-feira
Uma mulher de aproximadamente 30 anos foi encontrada morta durante a festa na Praça da Estação, com sinais de estrangulamento. A jovem chegou a ser levada até o Posto Médico Avançado na praça, mas já chegou morta. Bombeiros e brigadistas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentaram a reanimação por cerca de 20 minutos.

Madrugada de quarta-feira

Por volta de 1h, foi encontrado na Avenida Afonso Pena, próximo à Praça Sete, o corpo do adolescente Robson Soares da Silva, de 16 anos, morador de Lagoa Santa, que estava na capital mineira para curtir o carnaval. Ele teria sido vítima de uma briga generalizada.

Por volta das 3h, policiais militares foram abordados por um homem ferido no pescoço após uma briga na Rua Espírito Santo, no Centro. De acordo com a PM, ele estava em um bar quando foi surpreendido por três homens, um deles armado com um canivete, que o golpeou.

Uma adolescente de 14 anos foi vítima de abuso na Praça da Estação, no Centro de BH. A menor comemorava os últimos momentos do carnaval quando um homem de 39 a ameaçou com uma faca. A menor começou a gritar, o que chamou a atenção do seu namorado, que evitou que o suspeito desse sequência ao estupro.

Com informações do Estado de Minas.

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