domingo, 21 abril 2019
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Brasileiros buscam oportunidade de pesquisa científica na Alemanha – Primeiro Plano

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Aprender um novo idioma sempre é desafiador. E o desafio aumenta se as palavras e expressões não são tão usuais no nosso cotidiano. A língua inglesa, por exemplo, está no nos rótulos das embalagens de produtos brasileiros, nas estações de metrô e até no nosso vocabulário usual. Mas e se você tivesse de aprender a se comunicar de maneira totalmente diferente para conquistar uma boa oportunidade?

Esse é o objetivo de muitos brasileiros que se preparam para estudar na Alemanha. E o país está em busca de profissionais. De acordo com um estudo feito pela Fundação Bertelsmann, o território alemão precisará receber 266 mil novos imigrantes por ano nas próximas quatro décadas para compensar o envelhecimento da população e cobrir as necessidades de mão de obra.

O médico Miguel Rogério de Melo quer aproveitar o entusiasmo alemão com educação. Recentemente, ele foi para a Alemanha fazer um estágio de dois meses pela residência médica do Brasil. “Fui para a cidade de Jena, na Turíngia. O que o eu não esperava é que iria gostar tanto de lá. A segurança e qualidade de vida foram as coisas que mais me atraíram”, enfatiza.

Na primeira experiência que teve com a medicina alemã, Melo aponta semelhanças e diferenças entre os países: “Têm várias diferenças, não falo só das doenças mais prevalentes lá serem diferentes daquelas que encontramos aqui. Mas como todo o sistema é estruturado, lá todos têm um “hausartz”, que seria equivalente a um médico de família aqui do Brasil. Durante o estágio, tive contato com a medicina mais especializada e, ao contrário do Brasil, eles têm muitos recursos tecnológicos e o acesso era fácil”.

Porém, para exercer a medicina na Alemanha, Melo terá de revalidar o diploma brasileiro, algo que espera fazer assim que conseguir aprender a falar o alemão.

Rubens Mascarenhas Neto ganhou uma bolsa para fazer pesquisa com o objetivo de se preparar para o doutorado no Lateinamerika-Institut da Freie Universität Berlin. Ele e o companheiro, Vinícius Zanoli, devem embarcar em junho.

“Eu tive a oportunidade de visitar algumas cidades alemãs como Berlim, Colônia e Munique (a última na Copa de 2014, mas não estava lá no dia do 7×1, risos) e fiquei muito interessado pela vida no país. Mas a ideia de ir para a Alemanha começou a tomar forma concreta depois que eu participei dos eventos organizados pelo DIWH, Goethe-Institut e o Consulado Alemão. Além da receptividade e simpatia, as palestras foram muito interessantes e honestas com relação às dores e delícias de viver em um país diferente”, disse.

Rubens e Vinícius estão juntos há oito anos e são formados em Ciências Sociais pela Unicamp e mestres em Antropologia Social. Zanoli está terminando o doutorado em Ciências Sociais e também tem planos em território alemão. “Se tudo acontecer como planejado, vou tentar um pós-doutorado por lá no ano que vem. Sei que é um ambiente competitivo, mas que também é muito compensador, com valorização do profissional, bons salários e investimento na carreira do pesquisador”, conta o brasileiro.

Sobre o aprendizado de um idioma aparentemente complicado como o alemão, Rubens tem se divertido: “É um desafio e uma delícia! É uma língua complexa, tanto quanto a nossa, e que tem uma sonoridade e escrita peculiares. À primeira vista o idioma parece ser muito distante e impossível de aprender, mas à medida que você se expõe à língua e começa a ouvir com atenção, é possível ir tomando gosto”.

Para Zanoli, o novo idioma o surpreendeu: “Eu tinha todos os preconceitos que as pessoas têm com o alemão: de que é uma língua feia, de que é muito difícil de aprender. E o contato tem sido uma surpresa muito positiva. Estou gostando muito da língua. Antes achava o alemão uma língua estranha, agora diria que ela é excêntrica. A minha maior dificuldade são as muitas declinações da língua. E olha que eu nem aprendi todas ainda”, afirma.

No Brasil, o Goethe-Institut organiza uma série de eventos que aproximam os brasileiros da vida alemã por meio de cursos de línguas, inclusive com imersão de especialistas em áreas como saúde, relações intra e interpessoais, exposições de artistas, pintores e grandes designers alemães. Uma vez ao ano, o instituto organiza um evento com palestras, aulas experimentais gratuitas de alemão e comidas típicas.

Quais são os desafios para viver na Alemanha?

Se você tem simpatia pelo país e sente o desejo de tentar uma oportunidade no mundo acadêmico ou no mercado de trabalho por lá, acompanhe a entrevista que o E+ fez com a diretora de cursos e exames do Goethe-Institut São Paulo, Sabine Wilmes.

Quais são os principais desafios do idioma para os brasileiros que querem viver na Alemanha?

O principal desafio está no fato de os brasileiros terem, em geral, pouco contato com o idioma. Por causa disso, as diferenças parecem chamar mais a atenção do que as semelhanças que existem, por exemplo, com a língua inglesa, que faz parte do cotidiano de grande parte das pessoas, e mesmo com o português, se pensarmos no grande número de palavras em alemão oriundas do latim. A pronúncia de alguns fonemas também pode oferecer dificuldade no início, mas falantes de português do Brasil conseguem aprendê-los, conforme aumentarem o contato com a língua e se dedicarem a aprimorar sua pronúncia.

Para quem pretende fazer um curso como pós-graduação ou mestrado, existem algumas dicas para se preparar?

O nível de proficiência exigido pode variar, dependendo da área de atuação e pesquisa. Para estudantes de exatas, por exemplo, costuma-se exigir um pouco menos do que de pós-graduandos da área de humanas. Além disso, todos necessitam de conhecimentos básicos de alemão para a vida cotidiana. Conhecer todos os detalhes sobre os programas de pós-graduação da universidade é importantíssimo. Pelo fato de o governo alemão incentivar a ida de estrangeiros para estudarem neste país, existe um órgão vinculado ao Ministério de Relações Exteriores da Alemanha dedicado a este tema, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, também conhecido pela sua sigla em alemão, DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst).

Para quem já tem uma formação acadêmica no Brasil e pretende atuar em território alemão, o que é preciso?

Para trabalhar na Alemanha, assim como em qualquer outro país da Comunidade Europeia, precisa-se de um visto especial para este fim, o que não é necessário para quem tem passaporte europeu. Informações mais detalhadas podem ser facilmente obtidas na Embaixada e nos Consulados Gerais da Alemanha no Brasil.

Além do idioma, quais outras barreiras culturais os brasileiros poderão enfrentar na Alemanha?

As diferenças culturais não representam necessariamente barreiras, uma vez que brasileiros tendem a se confrontar constantemente com diferentes culturas dentro do próprio país. De qualquer maneira, quando se pretende viver ou passar um longo período em outro país, a adaptação é tanto mais fácil quanto for a sensibilidade de cada um para diferenças e semelhanças entre a sua e outras culturas. A disponibilidade para aceitar as diferenças sem as qualificar já é um passo importante neste processo. Diferenças existem em várias áreas, mas elas só se tornam barreiras se as pessoas não estiverem atentas a elas. Algo simples como a coleta seletiva de lixo pode ser uma grande dificuldade para uns e algo bastante familiar para outros, por exemplo. Meios de transporte com regras muito diferentes podem parecer complexos no início, mas normalmente são motivos de elogios por parte da maioria dos estrangeiros que vivem na Alemanha.

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