terça-feira, 22 outubro 2019
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Bolsonaro dá a Guaidó apoio político com uma recepção informal em Brasília | Internacional

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O venezuelano Juan Guaidó chegou ao Brasil em um avião das Forças Aéreas colombianas, mas dormiu em um hotel. Esta “visita pessoal” a Jair Bolsonaro — assim foi oficialmente definida — só foi incluída em cima da hora na agenda do presidente, mas depois ambos falaram à imprensa lado a lado no Palácio do Planalto. O Brasil procura o equilíbrio entre dar apoio político a quem reconhece como presidente interino e legítimo da Venezuela, mas sem lhe conceder honras de chefe de Estado. “Não regularemos esforços dentro da legalidade e de nossa tradição para reinstaurar a democracia na Venezuela”, declarou Bolsonaro junto ao venezuelano.

Guaidó insistiu em exigir “eleições livres e o fim da usurpação do poder” por Nicolás Maduro e a cúpula chavista. “Para resgatar a indústria, é preciso resgatar a democracia, os direitos humanos e o estado de direito”, insistiu, antes de criticar “o falso dilema entre guerra e paz. Todos queremos a paz”. Embora os Estados Unidos, o principal respaldo a Guaidó ao lado da Colômbia e do Brasil, insistam em que “todas as opções estão sobre a mesa” para lidar com a crise venezuelana — como reiterou Washington durante anos a respeito do Irã e seu programa nuclear —, o Grupo de Lima descartou expressamente o uso da força em sua última reunião.

O venezuelano reiterou que retornará à Venezuela “nos próximos dias”, sem dar detalhes. Na sexta-feira viaja ao Paraguai com a esperança de manter o fôlego da sua aposta em derrubar Maduro.

Guaidó também se reuniu em Brasília com os embaixadores de 25 dos países da União Europeia antes de visitar Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo. Insistiu aos diplomatas da UE sobre a necessidade de uma saída pacífica, uma solução pactuada e, em curto prazo, a formação de um novo conselho eleitoral que organize eleições, conforme informaram fontes diplomáticas europeias. Bolsonaro por sua vez disse esperar “não só eleições, mas eleições livres e confiáveis”.

As constantes mudanças na agenda da breve visita de Guaidó — a coletiva originalmente seria no Itamaraty, um cenário menos graduado — refletem as tensões dentro do próprio Governo brasileiro sobre como lidar com sua figura e, em geral, com a crise do país vizinho. O vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro Araújo encarnam esses dois lados. Mourão, um general da reserva que foi adido militar em Caracas, lidera uma abordagem mais temperada. Certamente sem recorrer à força. “Para nós, a opção militar nunca foi uma opção. O Brasil sempre apoiou as soluções pacíficas de qualquer problema que ocorra nos países vizinhos”, declarou ele na segunda-feira em Bogotá depois da reunião do Grupo de Lima. O vice-presidente sempre defendeu que o líder chavista Nicolás Maduro deveria ir para o exílio. Já Araújo é um trumpista mais partidário do alinhamento com os Estados Unidos para restaurar a democracia na Venezuela, com a qual o Brasil compartilha 2.100 quilômetros de uma fronteira que está fechada há seis dias.

A posse de Bolsonaro representou uma mudança muito profunda na relação com a Venezuela chavista, e ele não desperdiçou a chance de recordar isso com críticas a seus antecessores. “Faço aqui um mea culpa de que dois ex-presidentes do Brasil foram em parte responsáveis pelo que está acontecendo na Venezuela hoje em dia”, disse em referência a Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção, e Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores. “Essa esquerda gosta tanto dos pobres que acabou multiplicando-os e os nivelou por abaixo”, disse, adotando a linguagem que mais agrada aos seus seguidores.

Com esta visita ao líder ultradireitista brasileiro, um duríssimo crítico do chavismo e de tudo o que cheire a esquerda, Guaidó pretende manter o impulso que recebeu de seus compatriotas e da comunidade internacional ao tentar introduzir alimentos e material sanitário pelas fronteiras. Mas a iniciativa foi um fracasso. Os Estados Unidos sobretudo, mas também a Colômbia e o Brasil, doaram alimentos e os levaram até as fronteiras, mas os partidários de Guaidó não foram capazes de superar o bloqueio imposto por Maduro e trazer o material para o território venezuelano. Quatro pessoas morreram alvejadas pelas forças de segurança, e em meio à tensão fronteiriça Maduro rompeu relações com a Colômbia. As 800 toneladas de ajuda continuam nos armazéns.

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