quinta-feira, 14 novembro 2019
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Atuação de clandestinos dispara entre MOC e BH – Montes claros

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Um negócio irregular ganha cada vez mais espaço nas estradas mineiras, principalmente na rota entre Montes Claros e Belo Horizonte e no caminho inverso. Os 424 quilômetros percorridos entre as duas cidades, principalmente pela BR-135, há muito deixaram de ser rota exclusiva dos ônibus regulares, como os da Transnorte – empresas que possuem a concessão do Estado para realizar viagens intermunicipais. Os clandestinos entraram com força nesse mercado de transporte de passageiros e a fiscalização não tem conseguido pará-los.

A disputa pela fatia do mercado é tão grande que as empresas que burlam a legislação, até pouco tempo utilizando veículos com número limitado de passageiros, como vans, e em condições precárias, operam hoje com ônibus executivos, com ar-condicionado e wi-fi. Passageiros alegam que, em algumas viagens, os veículos irregulares estão em melhores condições do que os oficiais.

Os “perueiros”, como são popularmente chamados, saem diariamente de Montes Claros de dois pontos da avenida Geraldo Athayde e da avenida Deputado Esteves Rodrigues, duas importantes vias de acesso da cidade.

O desembarque em Belo Horizonte, para fugir da fiscalização, ocorre na rua dos Goitacazes, bem próximo à Rodoviária, na esquina da rua Curitiba com a avenida Afonso Pena e na esquina das ruas Guaicurus e Espírito Santo.

Para se ter uma ideia dessa queda de braços, a Zap Turismo – que nem se preocupa em esconder o nome e faz divulgação de promoções nas redes sociais – disponibiliza diariamente quatro horários de ida e quatro de volta. E há outras opções oferecidas por mais empresas. Todas com divulgação pela web.

A grande procura se justifica pela diferença de preços. Enquanto a Transnorte chega a cobrar de R$ 80 a R$ 133,85 pela viagem, dependendo do horário, e R$ 186,06 no ônibus leito, as empresas que operam as linhas clandestinas oferecem passagens a R$ 60. Já a Zap Turismo, que completa quatro anos de operação em 1º de dezembro, lançou uma promoção para celebrar a data: baixou o preço da passagem de R$ 60 para R$ 39,99.

A estudante Geovana, de 20 anos, frisou que, mesmo indo poucas vezes a Belo Horizonte, ficou sabendo do transporte sem autorização através de amigos e, desde então, abandonou a linha regular. “Acho a viagem segura, confortável”, garante, ressaltando que a decisão levou em conta a economia de pelo menos R$ 40 no valor da passagem.

A professora Natália, de Claro dos Poções, contou que fazia opção pela empresa pela segunda vez, também em função do valor baixo do bilhete. “Não posso deixar de admitir que fico um pouco medrosa, principalmente quando o preço fica muito baixo, quando a diferença fica exorbitante”, revela.

O proprietário da Zap, Emílio Santana, disse que o transporte alternativo vai bem porque o prestado pela concessionária autorizada vai mal, “tanto é verdade que até o final de 2019 compraremos mais seis ônibus executivos”.

As frotas, segundo ele, foram melhoradas e ampliadas justamente pela grande procura dos passageiros, que recorrem aos preços mais baixos e reclamam constantemente dos serviços prestados pela empresa regular.

Se em Montes Claros as empresas usam as redes sociais, em BH há a estratégia dos agenciadores, que ficam na Rodoviária à caça dos passageiros.

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Perueiro entrega na porta de casa

Além dos ônibus executivos e semileitos dos clandestinos, o transporte regular enfrenta outros tipos de concorrências na rota entre BH e Montes Claros. Logo no estacionamento da rodoviária da cidade, o repórter de O NORTE foi abordado: “Beagá, Beagá, Beagá”. Um coro de quatro taxistas oferecia a viagem ressaltando que o maior atrativo é cobrir o percurso em menor tempo (cinco horas) e entregar o passageiro na porta de casa ou onde achar melhor.

Pelo serviço, cobram R$ 120, disse um deles. Mas chorando um pouquinho, conseguimos que outro – que tinha apenas uma vaga no carro – fizesse o transporte por R$ 100.

Ainda na Rodoviária de Montes Claros, João Guilherme Magalhães, de 24 anos, que viaja duas vezes por semana para Belo Horizonte, onde faz doutorado em Administração, estava comprando passagem no guichê da empresa regular. Enquanto aguardava para ser atendido, salientou não se importar em pagar mais caro para ter “uma viagem com mais segurança”. João Guilherme disse que recebeu de amigos a indicação para usar o transporte clandestino, “mas, além da falta de segurança, não permitem fazer reservas por aplicativos e muito menos escolher as poltronas”.

 

RISCOS

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em seu site, chama atenção ao fato de o transporte clandestino colocar em risco a vida dos passageiros, lembrando que os preços praticados são mais baixos “devido à falta de compromisso dos infratores com questões regulamentadas, tais como inspeção veicular prévia, antecedência criminal dos motoristas, itens e equipamentos obrigatórios (pneus, extintor de incêndio, cinto de segurança) e, principalmente, a não observância aos direitos dos usuários, colocando em risco a vida dos passageiros”. A ANTT observa, ainda, que o não cumprimento a essas exigências dificulta indenizações em caso de acidentes.

A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

Em nota, o Departamento Estadual de Estradas e Rodagens de Minas Gerais (DEER-MG) informou que as ações de fiscalização são realizadas sempre de forma rotineira, em parceria com agentes municipais e a Polícia Militar, no combate ao transporte clandestino. Na edição de amanhã, O NORTE trará mais informações, com números da fiscalização do DEER-MG em Montes Claros

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Insegurança duplicada

Especialista em segurança viária e professora do Departamento de Engenharia de Trânsito, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Karla Rodrigues afirma que o risco ao se optar por automóveis irregulares é ampliado, podendo resultar em “consequências irreversíveis”.

Além dos perigos típicos das rodovias e viagens mais longas, a docente cita que nem sempre os condutores estão habilitados na categoria D, que autoriza a permissão para dirigir ônibus.

“Às vezes, o passageiro pode estar embarcando com uma pessoa agressiva ao volante, que não conhece a dinâmica da estrada, agravando os riscos”.

Presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Dirceu Alves reforça o perigo. “Se cobra barato, é porque não tem conforto e segurança. É uma opção que favorece a ocorrência de acidentes com lesões graves ou até morte”. Para a entidade, as forças de segurança precisam investir em ações preventivas e punitivas.

 

CRIMINOSOS

Os acidentes de trânsito não são a única preocupação. Conforme o inspetor João Marinho, chefe do setor de Transportes da Guarda Municipal de BH, pessoas com “extenso histórico criminal” já foram flagradas atuando no transporte clandestino. “Já encontramos alguém dirigindo com tornozeleira eletrônica ou mandado de prisão em aberto”.

Para reduzir a atuação clandestina, a Guarda Municipal aposta em fiscalizações diárias. “Temos uma equipe de inteligência. A partir do momento que percebemos a movimentação, é feito o contato para que se faça a abordagem”, acrescenta Marinho.

A Saritur, empresa que assumiu o controle da Transnorte, foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

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