sábado, 16 novembro 2019
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Ataques à liberdade de imprensa aumentam em 2018 | Internacional

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O assassinato do colunista do Washington Post, Jamal Khashoggi, na sede da Embaixada da Arábia Saudita em Istambul, foi o que atraiu a maior atenção e cobertura da mídia, mas para os profissionais da área, 2018 tem sido particularmente sangrento. Quase no final do ano, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) contabiliza 63 jornalistas assassinados, ante 55 no ano anterior, número ao qual se somam 348 presos e 60 sequestrados.

O relatório não faz menção ao Brasil, mas de acordo com o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), outra organização internacional, dois jornalistas foram assassinados neste ano: Jairo Sousa e Jefferson Pureza Lopes, ambos radialistas.

A violência contra a imprensa tem acontecido em países em paz. Na União Europeia, ao assassinato em 27 de janeiro do jornalista eslovaco Jan Kuciak, que estava investigando um caso de corrupção, junta-se o atentado um ano antes que matou a maltesa Daphne Caruana Galizia. Nos Estados Unidos, um ataque a tiros contra a redação do jornal The Capital Gazette tirou a vida de cinco pessoas, um atentado que colocou o país entre os mais letais do mundo para a imprensa.

O ódio contra a mídia se espalha por todos os países como uma epidemia. O presidente dos EUA, Donald Trump, qualifica os jornalistas como “inimigos do povo” e, na Polônia, a nova lei sobre meios de comunicação levou a demissões em massa e ao estrangulamento econômico de publicações críticas. O Brasil também segue na mesma esteira, já que assistiu a um verdadeiro linchamento virtual de jornalistas durante a eleição, com diversos ataques proferidos, inclusive, pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. Os regimes totalitários da Nicarágua e da Venezuela redobraram a censura governamental. Em alguns casos atacam as sedes de jornais e em outros restringem o acesso ao papel para punir jornais impressos que não concordam com o Governo. Na Espanha, a apreensão policial dos celulares de dois redatores da Europa Press e do Diario de Mallorca provocou uma onda de críticas.

A Incitação ao ódio, expressa por líderes políticos, religiosos e empresários sem escrúpulos, tem “consequências dramáticas e leva a um aumento muito preocupante das violações dos direitos dos jornalistas”, alerta o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire. Os sentimentos de ódio encontram um terreno fértil nas redes sociais, e no Facebook e no Twitter a aversão à imprensa é fomentada.

Esse ódio resultou em um aumento notável na violência contra jornalistas, que alcança um nível sem precedentes. Todas as cifras –tanto de assassinatos e prisões, como de desaparecimentos forçados– aumentaram. A violência contra os profissionais deu um salto em relação a outros anos, segundo o balanço da RSF, elevando para 80 o número de jornalistas mortos enquanto realizavam seu trabalho (8% a mais que no ano passado), se forem considerados também os colaboradores da mídia e os chamados jornalistas-cidadãos.

Com 15 profissionais mortos no ataque mais mortífero desde a queda do Taleban, em 2001, o Afeganistão mais uma vez se coloca à frente dos países mais letais para a imprensa. Depois, vêm a Síria (com 11) e o México (9), que ainda é o país não envolvido em uma guerra mais perigoso para exercer o ofício e onde as medidas de proteção (como o dispositivo botão de pânico) se mostraram ineficazes. No Iêmen foram mortos oito repórteres, alguns deles em decorrência de bombas e outros, na prisão, vítimas de maus-tratos.

A maior prisão

O número de jornalistas presos também aumentou: há 348, em comparação com 326 em 2017. Como naquele ano, mais da metade está nas prisões de cinco países: Irã, Arábia Saudita, Egito, Turquia e China. O regime de Recep Tayyip Erdogan transformou a Turquia na maior prisão do mundo para os profissionais da mídia. “O fato de que em 2018 o número de jornalistas detidos diminuiu, em comparação com 2017, não engana: muitos jornalistas foram soltos em liberdade condicional, mas ainda aguardam julgamento de apelação”, disse a RSF.

O número de jornalistas sequestrados chega a 60, em comparação com 54 no ano passado, e quase todos são mantidos em cativeiro no Oriente Médio. O grupo terrorista que se autodenomina Estado Islâmico é o principal sequestrador (tem 24 reféns) e sua forma de agir contra a imprensa está sendo imitada pelos houthis, do Iêmen, que têm em seu poder 16 profissionais.

Também um país europeu, a Ucrânia, usa essas táticas para intimidar a mídia. Apoiadas pela Rússia, as forças separatistas da autoproclamada República Popular de Donetsk mantêm detido um locutor que trabalha para a Radio Free Europe, acusado de ser espião. A organização RSF também registra o desaparecimento de três jornalistas: dois na América Latina e um na Rússia. Uma das poucas boas notícias no relatório é que, pela primeira vez desde 2003, nenhum repórter foi morto no Iraque.

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