domingo, 13 outubro 2019
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Arrecadação de Macacos pode minguar após evacuação por risco em barragem – Primeiro Plano

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Além do impacto social, o alerta para risco de rompimento da barragem da mina Mar Azul, da Vale, em Macacos, distrito de Nova Lima, vem tirando o sono dos empresários locais. Muito dependente do turismo ecológico e gastronômico, a região pode ter uma queda de faturamento considerável em decorrência do fechamento das estradas e do medo que afasta os visitantes.

Conforme a Abrasel-MG, o setor de alimentação e bebidas representa 40% da economia de Macacos e a arrecadação foi zero no último fim de semana, quando a Vale, em conjunto com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, decidiu evacuar a área preventivamente. Pelo menos 49 propriedades, incluindo pousadas, bares e restaurantes, foram fechadas, e três dos quatro acessos à cidade ainda estavam interditados até o início da noite de ontem. 

A pousada Maria Bonita tinha oito hóspedes no momento em que a sirene tocou, por volta das 20h da última sexta-feira. Todos precisaram sair às pressas e não tiveram tempo nem de acertar o que já tinham consumido. “Apesar de ter sido uma evacuação preventiva, acaba gerando muitos prejuízos. Me sinto lesada, acho que o meu negócio pode ser prejudicado”, afirma a proprietária, Julieta Oliveira. 

Desde a evacuação, cerca de dez reservas já foram canceladas, inclusive para o Carnaval, considerada uma das melhores épocas do ano na região. Como as diárias variam entre R$ 250 e R$ 420, o prejuízo pode chegar a R$ 4.200. 

Mesmo assim, Julieta se mantém otimista. “Acho que é temporário, a Vale já está tomando providências e vamos chegar a uma solução. Não é motivo para entrar em pânico”. 

Vicente Araújo, proprietário do restaurante Mar Mineiro, está um pouco mais preocupado. Por estar em uma região alta, o estabelecimento não precisou ser evacuado, mas apenas duas pessoas foram almoçar lá no último domingo. 

“O normal era termos pelo menos cem mesas”, afirma ele, que tem 22 funcionários formais e depende exclusivamente do restaurante como fonte de renda. “Se o movimento cair demais, precisarei demitir, mas pretendo pedir ajuda à Vale para evitar que isso aconteça”.

Na cervejaria São Sebastião, a logística foi prejudicada pelo fechamento das estradas. Alguns funcionários ficaram ilhados, com dificuldades de chegar ao trabalho. Por esse motivo, e também por causa da paralisação do comércio local, o faturamento deve cair pelo menos 10%. 

Para o proprietário, Augusto Franco, a falta de informação atrapalha ainda mais a vida dos empresários. “Se tivéssemos informações claras sobre a condição da barragem e os próximos passos a serem adotados poderíamos nos planejar, mas a verdade é que não sabemos nem se vai durar uma semana ou seis meses. Como podemos tomar providências?”. 

Ele ressalta ainda que a economia da cidade é baseada na arrecadação de fim de semana, por causa do turismo, o que agrava a situação.

“Macacos só existe economicamente no fim de semana e, por isso, os comerciantes trabalham no fio da navalha. Se ficam inativos no sábado e no domingo, já perdem 25% do faturamento mensal”, diz. 

Para Ricardo Rodrigues, presidente da Abrasel-MG, os impactos não são pontuais e devem se arrastar mesmo após a abertura das vias e a liberação das casas.

“Mesmo que Vale consiga atestar, agora, que a barragem está segura, a imagem da cidade já foi profundamente lesada e vai levar um tempo até que o turismo seja retomado. A economia local não vai se recuperar facilmente”, afirma. 

Em nota, a Vale informou que continua dando toda a assistência e apoio às famílias de Macacos e que as questões econômicas serão tratadas no futuro. “Indenizações relacionadas à perda de renda serão acordadas entre as partes em conjunto com as autoridades, em um segundo momento”, diz o comunicado.

 

Brumadinho quer trocar mineração pelo turismo ecológico

 

Em Brumadinho, onde o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão deixou 169 mortos e 141 desaparecidos, o turismo parece ser o caminho mais viável para a retomada da economia. 

Conforme o prefeito da cidade, Nenen da Asa (PV), as autoridades e lideranças locais estudam maneiras de incentivar as visitas ao Inhotim e fomentar os passeios ecológicos na região, para manter a empregabilidade e a economia ativa. 

“A nossa arrecadação era muito dependente da Vale, responsável por aproximadamente 40% do orçamento total e 80% dos royalties da cidade. Com a tragédia que resultou na paralisação da atividade minerária, precisamos encontrar alternativas”, diz ele. 

De acordo com Alessandro Chaves, gerente do desenvolvimento territorial do Sebrae-MG, Brumadinho também tem um cinturão verde muito rico, que abre possibilidade para a ampliação do agronegócio. “Grande parte desse cinturão não foi atingido pela lama e pode ser usado para atender a a demanda de BH, com um grande potencial competitivo grande por estar próximo da capital”, afirma. 

Em Nova Lima, ainda não foram estudadas maneiras para impedir a queda brusca da economia, mas o prefeito, Vitor Penido (DEM), promete procurar formas para que não haja desemprego e nenhum prejuízo aos empresários. 

“A primeira coisa que estamos fazendo é afastar as pessoas para preservar as vidas, mas o nosso departamento de turismo vai fazer um levantamento para avaliarmos os impactos e buscarmos soluções. Estamos trabalhando com a Vale e eles estão prestando assistência”, afirma Penido.

Em nota, o governo de Minas afirmou que também deve atuar em conjunto com as autoridades locais para a retomada econômica. A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo informou que ainda está aguardando um desfecho da situação em Macacos e Nova Lima para dimensionar os impactos causados, mas “tão logo isso seja possível, medidas para incentivo ao turismo serão avaliadas juntamente com os parceiros da região, principalmente a Associação do Circuito Turístico do Ouro e a equipe da Prefeitura de Nova Lima”.

 

Lei mais dura para mineradoras pode ir a plenário esta semana

Depois de mais uma evacuação emergencial devido ao risco de rompimento de barragem de rejeitos de mineração, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais sinalizou que vai apressar a retomada da discussão do endurecimento da legislação ambiental no Estado. Em reunião prevista para hoje à tarde, a Comissão de Administração Pública vai apreciar o Projeto de Lei 3676/16, que estava parado na Casa desde o ano passado.

A proposta foi elaborada pela Comissão Especial das Barragens, criada após a tragédia de Mariana, com alterações sobre as formas de acondicionamento de rejeitos e mudanças nos licenciamentos ambientais. Segundo o presidente da comissão, deputado João Magalhães (MDB), a proposta deverá ser aprovada sem problemas. A intenção do parlamentar é levar o projeto a plenário ainda nesta semana.

Com a evacuação no sábado de cerca de cem moradores de Macacos, em Nova Lima, o deputado federal Rogério Correia (PT) e a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) estiveram ontem na cidade com o propósito de visitar a Barragem B3/B4 da Mina Serra Azul, construída a montante, que teve nível de risco elevado para 2 na madrugada de sábado. 

No entanto, devido à interdição dos acessos a Macacos e também por causa das fortes chuvas, os deputados cancelaram a vistoria. “Queríamos cobrar a Vale sobre a segurança da barragem, mas não foi possível. O que estamos fazendo é conversar com os moradores e orientá-los para a primeira reunião que terão com a Vale para garantir seus direitos”, disse Correia.

Também estava prevista a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que vai unificar as investigações entre Senado e Câmara Federal sobre a seguranças das barragens no Estado. “O clima nas duas casas é para uma CPMI, porque caso contrário vamos perder força e os trabalhos tendem a acabar em pizza. Vamos nos reunir com os presidentes da Câmara e do Senado para tratar disso. Eles já sinalizaram que preferem a CPMI”, disse Correia. (Colaborou Lucas Simões)

 

 

 

 

 

 

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