quarta-feira, 23 outubro 2019
Início / Conteúdo / A resposta histórica do Fluminense à homofobia | Esportes

A resposta histórica do Fluminense à homofobia | Esportes

[ad_1]

Mas o Fluminense decidiu marcar posição. Com uma resposta contundente, o clube das Laranjeiras mostrou que deboche preconceituoso, a essa altura do campeonato, já não tem mais nenhuma graça. “O Fluminense entende que uma vitória seguida de homofobia é uma derrota para o esporte, para a sociedade”, inicia o manifesto tricolor, aludindo ao triunfo do Vasco em campo neste domingo. “E o país onde mais se assassina LGBTs no mundo não pode deixar uma demonstração tão clara de preconceito morrer. Por respeito. Por justiça. Por humanidade. O Fluminense, assim como todo clube de futebol, é feito de homens e mulheres de várias cores, condições sociais, sexualidades e tem muito orgulho de cada um de seus torcedores. Por isso faz questão de afirmar, quantas vezes forem necessárias, que é um #TimeDeTodos.”

Em seguida, o lateral Igor Julião, ativo nas redes e reconhecido por seus posicionamentos em defesa de causas sociais, celebrou a manifestação do clube que defende. “Eu jogo há 16 anos no #TimeDeTodos. Todos são bem-vindos, menos os atrasados e preconceituosos. Que orgulho em vestir a camisa do Fluminense por tanto tempo”, postou o jogador que, no ano passado, revelou que um tio se suicidou depois de vários anos sofrendo com a homofobia. Em jogo marcado por rivalidade tóxica nos bastidores, desorganização e desrespeito aos torcedores, que só puderam entrar no estádio a partir dos 30 minutos do primeiro tempo, a derrota do Fluminense se torna irrelevante diante de um triunfo institucional tão mais expressivo fora dos gramados.

Chama a atenção que jogadores, salvo raras exceções como Igor Julião, não demonstrem empatia com os companheiros de profissão gays. Historicamente, o futebol é um meio machista e homofóbico. Não se admite que eles declarem sua orientação sexual, sob o risco de serem ameaçados por torcedores violentos e terem a carreira boicotada por dirigentes de mentalidade “atrasada”, como diz Julião. Em um documentário produzido pela Vice, o ex-corintiano Vampeta reconhece que a atmosfera de intolerância impede que colegas homossexuais falem abertamente sobre o tema, mas não se furta de chamar rivais são-paulinos pelo apelido jocoso de “bambis”.

No mesmo documentário, o então diretor do departamento social do Vasco, José Pinto Monteiro, disse que, apesar de a homofobia não ser assunto debatido com frequência em São Januário, o clube ofereceria condições para proteger os direitos de jogadores que eventualmente se declarassem gays. Em janeiro, a gestão vascaína se manifestou contra cânticos homofóbicos proferidos pela torcida do Taubaté toda vez que o goleiro Alexsander cobrava tiros de meta em jogo da Copa São Paulo Júnior. “Não há espaço para atitudes como esta”, condenou o time carioca, lembrando que a FIFA já sancionou agremiações cujas torcidas tiveram comportamento semelhante. Entre elas a CBF, reincidente por gritos homofóbicos em jogos da seleção. Ainda assim, a confederação tem sido condescendente com a prática em território nacional, evitando denúncias e punições severas a clubes filiados que fecham os olhos para a homofobia em seus estádios.

Por isso, o posicionamento de entidades do futebol a favor da diversidade, como no manifesto do Fluminense, tem de ir além das redes sociais, de modo permanente, e não apenas em casos pontuais – seja para vender a imagem de uma falsa política de responsabilidade social, para evitar possíveis sanções ou pelo oportunismo das rivalidades. É o que se espera de grandes instituições como o tricolor carioca, perseguido pela pecha homofóbica desde que um jogador do clube usou pó de arroz para disfarçar a cor da pele nos tempos em que o futebol não aceitava negros. Ou como o Vasco, que, naquela época, solidificou sua grandeza por meio da Resposta Histórica, um manifesto em que se recusava a excluir seus jogadores negros da liga local.

Orgulhoso de ter sido protagonista na luta contra o racismo, sobretudo pela fama de clube popular e inclusivo, o Vasco também precisa se portar como um time de todos no campo da diversidade sexual. Admitir manifestações homofóbicas de jogadores que vestem seu uniforme é uma afronta à sua história. A resposta à atitude de Fellipe Bastos demanda contundência e didática à mesma altura do Fluminense, resultando em ações efetivas – a repercussão do manifesto tricolor tem contribuído para divulgar os canais de denúncia contra homofobia do Ministério Público – e duradouras. O jogador pediu “desculpas a todas as pessoas que se sentiram ofendidas”, admitindo o erro ao se exaltar na comemoração do título, enquanto o clube manifestou repúdio “a todo e qualquer tipo de preconceito”, sublinhando que discutirá o caso internamente. Uma discussão que não deveria se resumir ao episódio nem a uma eventual punição ao atleta, mas sim se estender a medidas afirmativas que asseverem um compromisso verdadeiro pela igualdade.

Algumas torcidas, conscientes de que gritos homofóbicos não podem mais ser tratados como brincadeira, já entenderam que é possível zombar de rivais sem ser preconceituoso. Esse processo civilizatório passa, essencialmente, pela sensibilização de instituições, dirigentes e jogadores. Para que, daqui a muitos anos, a convivência pacífica com a discriminação de gênero desperte o mesmo constrangimento nas futuras gerações que a segregação racial causa hoje em dia nos cidadãos instruídos para não repetir os erros do passado. Para que, décadas adiante, o manifesto do Fluminense contra a homofobia seja lembrado com a mesma importância da Resposta História vascaína no enfrentamento ao preconceito pela via do esporte.

Um domingo de caos no Maracanã

Mãe tenta proteger a filha em distúrbio no entorno do Maracanã.


Mãe tenta proteger a filha em distúrbio no entorno do Maracanã. Agência O Globo

Cercada pela briga de bastidores entre Vasco e Fluminense, que não abriam mão de que seus torcedores ocupassem o setor sul do Maracanã, a final da Taça Guanabara começou sem a presença de nenhuma das torcidas. Na véspera da partida, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o duelo fosse realizado com portões fechados por causa do imbróglio envolvendo as duas diretorias. No entanto, o Vasco, mandante do jogo, decidiu ignorar a determinação judicial e convocou seus torcedores para o estádio, comprometendo-se a pagar a multa estabelecida em 500.000 reais por descumprimento. Sem autorização para abrir os portões, a polícia barrou a entrada dos torcedores e, após o apito inicial, uma grande confusão se formou no entorno do Maracanã.

Policiais dispararam bombas de efeito moral na tentativa de dispersar a aglomeração. Mais de 30 pessoas ficaram feridas em meio ao corre-corre e à repressão da PM. Uma das imagens, de uma mulher carregando uma criança, foi um dos símbolos do caos. Quando muitos torcedores com ingresso já retornavam para casa, a Justiça resolveu permitir a abertura dos portões. No gramado, o relógio do árbitro marcava meia-hora de jogo. Os 29.000 espectadores que conseguiram resistir à sequência de atentados ao Estatuto do Torcedor viram o Vasco vencer por 1 a 0 e conquistar o título do primeiro turno do Estadual, numa tarde em que o futebol carioca perdeu para a insensatez de seus dirigentes e a inanição das autoridades.



[ad_2]
Click aqui e acesse o artigo original
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/18/deportes/1550524082_018610.html#?ref=rss&format=simple&link=link

Veja também...

Brasil continuará incomodando países concorrentes no agronegócio, diz ministra – Economia

[ad_1] A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta segunda-feira, 11, em Não-me-Toque (RS), onde …

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.