terça-feira, 16 julho 2019
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Obrigatório ou não nas escolas, hino nacional desafia a compreensão – Almanaque

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Polêmicas à parte sobre a obrigatoriedade de cantar o Hino Nacional nas escolas, difícil é não concordar que a letra é capaz de dar um nó na cabeça de crianças e adolescentes e também na de marmanjos que tentem decifrar versos como Ouviram do Ipiranga às margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante. Afinal, decorar a extensa composição já é um desafio e tanto. 

Uma explicação, segundo o pesquisador e geógrafo Tiago Berg, especialista em símbolos nacionais, é que a obra foi criada com linguagem rebuscada pela elite de uma época em que apenas 10% da população brasileira sabia ler e escrever. “Por isso demorou a se popularizar”, explica Berg, sobre a quase centenária canção pátria, só oficializada em 1922.

Sempre presente em eventos oficiais e competições esportivas, o Hino Nacional ganhou o noticiário depois de o Ministério da Educação enviar e-mail às escolas tornando obrigatória a execução da música.

A escritora Margarida Profeta defende que tocá-lo facilitaria a popularização. “As pessoas podem não entender muito, devido às palavras difíceis, mas vão gravar na memória se for repetido. Afinal de contas, ele emociona sempre quando tocado no momento de um brasileiro ganhar uma competição”, assinala a autora de “Para Compreender o Hino e os Símbolos Nacionais”, lançado pela Saraiva em 2003.

Para ela, a execução do hino deve ser “exigência entre aspas”, entrando de “maneira suave” na vida dos brasileiros. “É um patrimônio, uma tradição. Claro, há tradições que nos levam ao sofrimento e ao cerceamento da liberdade, mas o hino está no campo das coisas que podem enriquecer as nossas vidas”, registra.

Margarida reconhece que a letra está distanciada da maneira como se concebe poesia atualmente, mas lança a pergunta: “Vamos deixar de ler Machado de Assis e José Alencar por causa do vocabulário difícil? São livros importantes. Tudo isso é memória, patrimônio, e deve ser preservado”, pondera.

O Mais bonito

A autora morou em São Francisco, nos Estados Unidos, e lembra de, aos 10 anos, pôr a mão no peito quando o hino americano era tocado no pátio da escola. “Na Copa de 2014, jornalista inglês escutou os hinos das equipes e escreveu que o nosso era o mais bonito. Não é um hino guerreiro, que incita à luta, como os demais. Ele fala de nossas belezas”.

A “Marcha Imperial” composta por Francisco Manuel da Silva em 1831 só ganharia letra em 1909, quando Osório Duque-

Estrada ganhou um concurso

No livro, voltado para o público juvenil, a escritora oferece, a partir do diálogo de uma garota com a mãe e professora de História, várias curiosidades sobre o hino. “Na questão do vocabulário difícil, a mãe vai rebatendo, lembrando que usamos palavras inglesas no dia a dia sem entender o significado, como delivery e self service”.

Para o especialista em símbolos Tiago Berg, a dificuldade da letra, escrita por Joaquim Osório Duque-Estrada em cima da música de Francisco Manuel da Silva, deve ser contextualizada. “Este estilo parnasiano, de inversão do sujeito das frases, era visto como uma sofisticação na época”, analisa o pesquisador, que lançou o livro “Hinos de Todos os Países do Mundo” (Panda Books).

Berg sublinha que também é preciso levar em conta que nosso hino é um dos poucos no mundo em que a letra foi escrita depois da música, “o que é mais complexo de se fazer”. Detalhe que não ameniza, claro, o rebuscamento da canção, que está entre as mais longas. “Os demais hinos são marchas curtas e simples, com média de 40 segundos. O nosso tem dois minutos”, compara.

Assembleia Legislativa tentou oficializar “Oh, Minas Gerais!” como hino do Estado, mas proposta foi arquivada

Apesar de duas tentativas, Minas Gerais continua sem ter o seu hino oficial

Se você perguntar a qualquer mineiro qual é o hino oficial do Estado, ele provavelmente irá cantar “Oh, Minas Gerais; oh, Minas Gerais/quem te conhece, não esquece jamais/oh, Minas Gerais!”. A letra foi composta por José Duduca de Morais e Manoel Araújo com base em uma melodia italiana tradicional e gravada em 1942. A partir dai, é cantada como se fosse o hino de Minas Gerais. Mas não é.

Para preencher essa lacuna, em 1985 a Secretaria de Estado da Cultura abriu um concurso com o objetivo de definir um hino para o Estado. Setenta e duas músicas foram inscritas, mas, de acordo com a comissão julgadora, nenhuma delas tinha a qualidade exigida para ser oficializada como hino.

Em 1989, a Constituição Estadual voltou ao assunto, definindo que, entre os símbolos do Estado, estaria o hino. Para isso, novo concurso foi realizado. Desta vez, foram inscritas 570 obras. Mas, todas foram bombadas pela mesma razão anterior.

O resultado é que o Estado continuaria sem hino, até que em 2015 o deputado estadual Isauro Calais apresentou uma proposta de emenda constitucional com o objetivo de transformar a música de Duduca e Manoel Araújo em hino oficial de Minas. A proposta chegou a tramitar na Casa, mas foi arquivada, como acontece com todas as proposições que chegam ao final de uma legislatura sem serem votadas. O resultado prático de tudo isso é que Minas segue sem ter um hino oficial.

Rio de Janeiro

Outra confusão ocorre com relação ao hino do Estado do Rio de Janeiro. Muitos acham que a marchinha “Cidade Maravilhosa”, composta por André Filho para o Carnaval de 1935, é o hino do Estado do Rio de Janeiro. Mas não é. O Estado já tem um hino, uma marcha, bem no estilo militar, mas que é desconhecida da população”.

Cidade Maravilhosa” foi oficializada em 1960 como hino oficial da cidade do Rio de Janeiro, na época, ainda capital do Estado da Guanabara, que deixou de existirem 1975. Daí a confusão.

Editoria de Arte

Hino Nacional

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