quinta-feira, 18 abril 2019
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Mobilização por Caatinga – Minas do Norte

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BOCAIUVA – Contrários à decisão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de esvaziar a Barragem da Caatinga, em Engenheiro Dolabela, distrito de Bocaiuva, lideranças políticas e integrantes das bacias hidrográficas dos principais rios do Norte de Minas promovem, na próxima quinta-feira, movimento para chamar atenção do governo, do poder judiciário e de ambientalistas para o severo impacto social e ambiental da decisão do órgão.

Desde 31 de janeiro a comporta da represa foi aberta pelo Incra em função do risco iminente de rompimento da estrutura. O alerta sobre problemas na construção já havia sido dado em 2010, pelos conselheiros do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Rios Jequitaí e Pacuí. No entanto, nada foi feito. Em 2017, o nível da barragem foi reduzido a 35% de sua capacidade para garantir segurança.

O Incra, no entanto, alega falta de recursos para fazer as intervenções necessárias, orçadas em R$ 7 milhões, como O NORTE mostrou na edição de sexta-feira. E, após a tragédia em Brumadinho, decidiu pelo esvaziamento imediato do reservatório para evitar risco de rompimento, pois abaixo da represa, às margens do rio Jequitaí, há o Assentamento Betinho, onde vivem 760 famílias – o segundo maior núcleo de povoamento da América Latina.

 

PLANO

A prefeita de Bocaiuva, Marisa Alves, disse que ela e os demais líderes do Executivo da região exigem que o Incra disponibilize, de imediato, não apenas recursos para um estudo técnico sobre as condições da barragem, como apresente um plano emergencial. “Porque se acontecer alguma coisa ruim com a população, a responsabilidade será de seis gestores”, alertou.

Em face a esses riscos, Marisa acredita que não apenas os prefeitos do Norte de Minas comparecerão ao movimento dessa quinta-feira na Barragem da Caatinga, bem como deputados, vereadores e todos os presidentes de associações dos assentamentos.

“O discurso é no sentido de não esvaziar a barragem, que seria a falência do município, mas garantir sua manutenção, porque tem grande serventia”, afirma a prefeita.

Marisa lamenta que a decisão do Incra chega justamente no momento em que o município recebeu 80 mil metros de cano e todas as caixas d’água para contemplar o Assentamento Betinho.

 

VISTORIA

A barragem, de 1.300 metros de extensão e 20 metros de altura, foi vistoriada pelo Corpo de Bombeiros de Montes Claros no último sábado. No entanto, a corporação se negou a repassar as informações resultantes do trabalho, alegando que a barragem é de responsabilidade do Incra e que apenas o órgão poderia repassar os dados.

O Incra, por outro lado, ficou de repassar uma nota até o fim da tarde de ontem para falar sobre a situação da Barragem de Caatinga. Mas, no fim do dia, enviou um e-mail se desculpando e afirmando que não teria como enviar a nota ontem. Segundo a assessoria do órgão, “o superintendente entende que faltam dados a serem consolidados e, por isso, o Incra só vai se manifestar após encadeá-los todos”.

‘Se acabar a água, acabou tudo’

Apesar do apontamento de risco de ruptura da Barragem da Caatinga pelo Incra, a comunidade não recebeu bem a notícia de esvaziamento do reservatório, pois teme a seca ainda mais severa.

A água é usada para consumo humano, matar a sede do gado e irrigar várias culturas na região.

No documento enviado à Prefeitura de Bocaiuva, o Incra insiste que a barragem “não contribui para o abastecimento de água potável, nem mesmo para dessedentação animal”. Posição contestada pela gestora e por vários moradores de comunidades próximas à represa.

“Se esvaziar, vai ser ruim para nós, porque se acabar a água, acabou tudo”, disse Sebastião Machado, de 69 anos, agricultor de subsistência que não concorda com a abertura da comporta.

A poucos metros do reservatório, Ione Alves Lima, a dona Nina, de 69 anos, planta de tudo –milho, feijão, arroz, abóbora, quiabo, horta, frutas. Ela fez questão de acompanhar os registros fotográficos feitos por O NORTE, falando sempre em tom emotivo que “essa notícia de esvaziamento parte o nosso coração, porque foi aqui que criei os meus nove filhos”.

 

MEDO

No Assentamento Betinho, Elisabete Regina Aguilar, esposa de Liseu Teixeira Thiago, pequeno produtor que preside a associação dos assentados, afirma que “o Incra tinha que consertar” a represa. Segundo ela, o risco de rompimento assusta a todos.

“Tenho medo só de pensar, porque vai pegar de uma hora para outra todo o pessoal do assentamento, daqui até chegar em Dolabela, em Jequitaí”, diz.

Ela concorda, no entanto, que a falta da água causará muitos problemas, para os dois lados do assentamento às margens do rio.

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