sexta-feira, 15 fevereiro 2019
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Mineira morta a facadas na Inglaterra tinha medida protetiva contra o ex-companheiro, afirma amiga – Horizontes

A belo-horizontina Aliny Mendes, de 39 anos, assassinada pelo ex-companheiro na última sexta-feira (9), na região metropolitana de Londres, na Inglaterra, já tinha uma medida protetiva contra o suspeito. Residentes em Surrey, na Inglaterra, eles tinham um relacionamento de mais de 15 anos, mas há cerca de seis meses, o empresário de 41 anos, que também é natural de Belo Horizonte, teria pedido a separação, segundo uma amiga do casal. Ele é dono de um negócio de manutenções residenciais na cidade. 

“Eu perdi o contato com a Aliny, porque ela tinha proteção de segurança social e teve que desativar sua conta no Facebook. Fiquei sabendo da separação pelo Ricardo. Ele não podia chegar perto nem dela e nem das crianças. Receber a notícia da morte foi brutal, nunca imaginaríamos isso, eles pareciam uma família feliz. No tempo em que vivi perto deles, nunca havia visto uma discussão e me pareciam dóceis com os filhos, eram bons pais. Parece que as coisas mudaram depois da separação”, conta a portuguesa Filipa da Silva, que mora na região Norte da Inglaterra. 

Nos últimos meses, Ricardo e Aliny estavam morando em casas separadas, sendo que ela ficava com os quatro filhos do casal. São três meninos de 6, 8 e 12 anos, e a caçula, uma menina de 3 anos. Ela estava no colo da mãe quando Ricardo a esfaqueou na porta de uma escola primária, segundo a imprensa local. 

O crime aconteceu por volta das 15h, quando Aliny havia ido buscar os filhos na escola. Quando ela estava perto da instituição com a filha mais nova no colo, o ex-companheiro chegou em um carro acompanhado por outro homem, desceu do veículo e esfaqueou a ex-mulher, que acabou morrendo no local. Em seguida ele fugiu, mas foi preso pouco tempo depois e acusado pelo homicídio nesse domingo (10). Ele parmence preso enquanto aguarda julgamento. O outro homem que estava no carro seria um funcionário de Ricardo e também foi detido, mas já está solto.  

Por causa da chamada proteção de segurança social, o equivalente a uma medida protetiva no Brasil, o homem não podia se aproximar da ex-companheira. Segundo a amiga, ela havia feito o pedido de proteção devido a uma ameaça de morte que Ricardo havia feito meses antes de cumprir a promessa e tirar a vida da mulher.   

 

No Facebook, as últimas postagens feitas por Ricardo são relacionadas aos filhos. Em uma delas, feita no dia 6 de janeiro deste ano, ele diz: “Podemos estar distantes fisicamente, mas a nossa energia é tão conectada que estamos a apenas um pensamento de distância. Sempre que sentir falta de casa, pense com força em nós e enviaremos as melhores energias possíveis!”. 

A situação das crianças

Após a morte da mãe e a prisão do pai, os quatro filhos do casal estão abrigados em um lar de “foster care”. É uma espécie de lar adotivo oferecido por pessoas que se disponibilizam a cuidar de crianças em suas casas e recebem uma remuneração do governo inglês para isso. Para que as crianças saiam de lá, será necessário que os familiares da vítima ou do suspeito reivindiquem na Justiça brasileira a tutela dos menores. 

É o que explica a advogada especialista em Direito de Família, Thaís Câmara, conselheira seccional da OAB Minas. “Nestes casos, as crianças devem ser encaminhadas para a família extensa. Se fosse no Brasil, por exemplo, a Justiça já privilegiaria que os menores fossem para lares de familiares ao invés de um abrigo. Mas, neste caso, a família materna ou paterna terá que reivindicar na Justiça a guarda das crianças para que elas venham para o Brasil”, explica. 

Caso haja alguma disputa entre os familiares maternos e paternos sobre a tutela das crianças, isso também deverá ser resolvido na Justiça. “O pai pode ser uma pessoa tenebrosa, mas isso não significa que a mãe dele ou o pai também sejam. Os familiares extensos podem ser carinhosos e afetivos com as crianças. O que pesa na decisão, neste caso, é o vínculo afetivo com os menores. Nestas situações a decisão sempre preza pelo melhor interesse das crianças”, explica.

Há ainda a possibilidade de uma guarda compartilhada entre as famílias, caso os familiares paternos e maternos resolvam reivindicar a tutela, ou mesmo a revinidicação da guarda por parte de um parente distante ou alguém que não seja da família. “Se houver outra pessoa, um familiar distante ou mesmo uma amiga da mãe, por exemplo, que tenha um vínculo afetivo com as crianças, ela também pode pedir a guarda das crianças e adotá-las. O que interessa é o vínculo afetivo que os potenciais tutores estabeleceram com os menores, e não necessariamente o vínculo biológico”, explica. 

Recursos

Familiares e amigos de Aliny se mobilizam para arrecadar os recursos necessários para custear o traslado do corpo para o Brasil e para pagar os advogados necessários para os processos envolvendo a guarda das crianças. Para isso, foram feitas duas campanhas de financiamento coletivo. Uma em plataforma brasileira, com o objetivo de arrecadar R$ 50 mil – dos quais R$ 2.770 já foram doados, e a outra em uma plataforma estrangeira, que já ultrapassou a meta. 

A reportagem entrou em contato com o Itamaraty para saber sobre o traslado do corpo da brasileira, mas ainda não recebeu um posicionamento do órgão.

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