sexta-feira, 19 julho 2019
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Kári Stefánsson: “Nascer com um pai velho é mais perigoso que nascer com uma mãe velha” | Ciência

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“Nascer com um pai velho é mais perigoso que nascer com uma mãe velha”, adverte Kári Stefánsson. Não é uma novidade para os especialistas, mas a equipe desse geneticista islandês determinou isso com uma precisão assombrosa. Seu grupo, munido com dados do DNA de 150.000 islandeses, elaborou “o mapa genético mais detalhado do genoma humano” até hoje. “É como passar de uma mapa rodoviário de papel para o Google Maps”, resume o geneticista Alberto M. Pendás, que não participou da investigação.

A diversidade genética é fundamental para a evolução humana, como demonstra a história da monarquia espanhola. O costume do sexo entre primos da Casa de Habsburgo aumentou em mais de 13% a mortalidade dos filhos da dinastia, que governou a Espanha entre 1516 e 1700. A consanguinidade também é um problema no país de Stefánsson. Quase todos os 340.000 habitantes atuais da Islândia são parentes mais ou menos próximos da cantora Björk.

O manual de instruções do ser humano está escrito nos genes, que são partes das longas cadeias de DNA chamadas cromossomos. Cada pessoa tem 23 pares de cromossomos em cada célula de seu corpo. Em cada par, um vem do pai e o outro, da mãe. Durante a formação de óvulos e espermatozoides, esses cromossomos emparelhados se alinham e permitem um intercâmbio de material genético. Esse fenômeno, chamado de recombinação, é um dos dois mecanismos básicos para promover a diversidade humana, para que cada pessoa seja única.

“É como passar de um mapa rodoviário de papel para o Google Maps”, resume o geneticista Alberto M. Pendás

O segundo mecanismo são as novas mutações: alterações genéticas que aparecem em uma pessoa sem ser herdadas de sua família. O mapa de Stefánsson, publicado nesta sexta-feira na revista Science, é descomunal. Mostra a localização precisa de 4,5 milhões de recombinações e de 200.000 novas mutações.

Stefánsson, presidente da empresa islandesa deCODE, investe contra “a premissa clássica de que a evolução é impulsionada por mudanças genéticas aleatórias”. Se a recombinação é como misturar um baralho de cartas de DNA com óvulos e espermatozoides, o novo mapa revela uma certa organização. “Identificamos 35 variantes genéticas que influem nas taxas de recombinação e nos locais onde ela ocorre. E vemos que as novas mutações são 50 vezes mais prováveis nos lugares em que ocorre a recombinação do que em outras partes do genoma”, explica Stefánsson.

Essa diversidade genética, facilitada pelo próprio genoma humano, é essencial para o sucesso de nossa espécie, mas tem um preço para algumas pessoas: o possível surgimento de mutações causadoras de doenças raras. Para o geneticista islandês, é “uma responsabilidade coletiva” buscar soluções para essas patologias pouco frequentes. “Cerca de 80% das novas mutações vêm do pai. E são a principal fonte de doenças raras na infância”, alerta Stefánsson. “A síndrome de Down geralmente vem da mãe, mas as mutações do pai são mais comuns e podem levar a distúrbios como o autismo e a esquizofrenia”, detalha.

Um estudo prévio de Stefánsson, publicado em 2012, determinou que um homem de 36 anos transmite para seu filho o dobro de mutações que um homem de 20 anos. E um pai de 70 anos, oito vezes mais. A maioria dessas mutações é inofensiva, mas é como apostar mais na loteria genética.

“Para buscar fragmentos do genoma humano associados a doenças, necessitamos de mapas precisos. E este é o mais preciso até hoje”, celebra Arcadi Navarro, um pesquisador do Centro de Regulação Genômica de Barcelona que não participou do novo estudo. “Este mapa não aponta mais ou menos onde está um bolsão de petróleo, ele mostra onde está o poço com uma precisão de metros”, destaca, com uma metáfora.

Alberto M. Pendás, do Centro de Pesquisa de Câncer de Salamanca, estuda genes envolvidos na reprodução. “A taxa de mutação espontânea de novo nos gametas dos homens, os espermatozoides, é muito maior que a das mulheres. Além disso, nos homens ela aumenta com a idade, porque os espermatozoides vêm de células-tronco progenitoras — presentes nos testículos — que vão se dividindo desde a adolescência até praticamente a morte do indivíduo”, aponta. “É muito mais perigoso ter um pai velho que uma mãe velha. Muitíssimo mais”, reforça.

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