quinta-feira, 18 abril 2019
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Jards Macalé fala sobre ‘Besta Fera’, seu primeiro disco de inéditas em 20 anos – Almanaque

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“Besta Fera” é o nome do primeiro disco de inéditas de Jards Macalé em 20 anos. Gravado nos estúdios da Red Bull, em São Paulo, o álbum será lançado nesta sexta-feira (8), pela Natura Musical, nas plataformas digitais. Sucessor de “O Q Faço é Música” (1998), o trabalho traz 12 canções compostas em parcerias com nomes da nova geração da música brasileira como Ava Rocha, Tim Bernardes, Rodrigo Campos, Rômulo Fróes (que assina a direção artística), Kiko Dinucci e Thomas Harres (dupla responsável pela produção musical). Entre as faixas estão poemas de Capinam, Clima, Ezra Pound e Gregório de Mattos, todos musicados por Jards, que contou ao Hoje em Dia um pouco mais sobre a criação do disco. 

Porque demorou tanto para lançar um disco com composições inéditas? Esse negócio de fazer música nova é o seguinte. Quando a gente começa a carreira, fica muito animado para compor. Mas, de repente, o tempo passa e a empolgação também. Eu, na verdade, sempre tive uma certa preguiça. Depois do terceiro disco, tive vários problemas com gravadoras, nunca gostei muito dessa coisa de mercado. Fiquei uns 11 anos sem gravar, só voltei com o “Let’s Play That” (1983), que fiz com o Naná Vasconcelos. A partir daí, lancei outros discos sempre com releituras de músicas minhas e uma ou outra inédita. Depois, veio “O Q Faço é Música”, com o Cristóvão Bastos.

Como foi o processo de criação de “Besta Fera”? Quando o edital da Natura saiu, no ano passado, eu chamei o Kiko Dinucci e o Thomas Harres, que toca bateria na minha banda. Queria um disco “paulioca”, já que eu e o Thomas somos cariocas e o resto do pessoal de São Paulo. Essa turma super talentosa, do Passo Torto e do Metá Metá. Como o edital previa um disco de músicas inéditas, convidei eles para ir ao meu sítio, em Penedo, no Rio de Janeiro, para pensar o que poderíamos fazer. É para lá que eu vou sempre que quero compor. Ficamos alguns dias bolando algumas coisas e pedi para poetas mandarem textos para que eu musicasse. Então, o Clima mandou a letra de “Longo Caminho do Sol”, o Rômulo Froes a de “Cansaço”, a Ava Rocha mandou “Limite”. 

Como foi tocar com essa galera da nova geração? Foi muito engraçado, porque eles não param de ter ideias! Eu tive que dizer “vamos parar de ter ideias, porque senão a gente não termina nunca”. Toda hora era: “vamos fazer assim, assado, botar isso, aquilo”. É um disco feito no coletivo, num processo muito divertido. Isso foi o mais importante. Acho que dei muita sorte. A escolha não foi só pelo trabalho que eles fizeram com a Elza Soares (no disco “A Mulher do Fim do Mundo”, de 2015), que naturalmente é extraordinário. Foi também pela carreira de cada um e para me revitalizar. [

O álbum também traz poemas musicados de escritores de outras gerações. Como se deu essa seleção? Nesse lance de reger coisas inéditas, encontrei um poema do Capinam (“Pacto de Sangue”) que eu tinha musicado há muito tempo. O do Ezra Pound eu dei uma sintetizada, porque era bem longo. É uma adaptação do poema “Canto I”, traduzido por Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Virou a música “Trevas”. Na realidade, sempre musiquei poetas como Waly Salomão, Carlos Eduardo Machado, Vinicius de Moraes. Também fiz muita coisa em cima de Bertold Bretch, de Mário de Andrade. Fui musicando poemas que me interessavam ao longo da vida, porque não escrevo. 

Mas “Valor” é toda sua, né? Letra e música. Sim, estava adormecida na gaveta, acho que desde antes de 1981. Trabalhamos em cima da própria fita cassete. Pensei que era o meu jeito de comentar o trabalho. “Nem quero que saibam o valor de minhas canções. Se boas ou más, pouco me importam”.

Você fala que é um disco de 2019. Por que? É um disco que fala do agora. Eu ouvi muito a palavra “trevas” nesses últimos tempos e pensei: “então é esse o momento, vamos lá”. Estamos na beira, seja esquerda, direita ou centro. Na beira do caos, do mundo, do suicídio coletivo. Quando você tem uma figura chamada Trump como presidente dos Estados Unidos, está claro que estamos na beira. Sobre o Brasil, a gente viveu os anos de chumbo. Vivíamos sob a ditadura militar. Agora, estamos em um momento em que se elogia aquela época trágica. É muito mais grave.

E porque “Besta Fera”? Vem do poema de Gregório de Mattos, “Aos Vícios”, que eu também editei. Tem um momento em que ele fala da besta fera, um monstro com corpo de cavalo e torso de humano. Uma coisa apavorante, que ruge e assusta as pessoas de forma terrível. Penso que a besta fera pode ser qualquer um de nós, é esse monstro que a gente traz dentro de si. Mas vejo que as bestas feras nunca estiveram tão à solta. Elas perderam a vergonha, estão cada vez mais explícitas. Esses feminicídios, essa violência toda no Brasil e no mundo, essas guerras absurdas, esse pessoal refugiado, fugindo de seu país de origem. Isso tudo é uma “besta ferice” do caralho.

Como manter a esperança nestes tempos? A arte é um ponto de apoio? Eu acho que a arte é a salvação. A criação é a salvação. É o outro lado da besta fera. É a vida e não a morte. E vamos em frente, que atrás vem gente.

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