quinta-feira, 18 abril 2019
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Festa de 50 anos da diretora da ‘Vogue’ gera revolta por temática considerada racista – Almanaque

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A festa de 50 anos da socialite e diretora da “Vogue Brasil”, Donata Meirelles, gerou revolta nas redes sociais pela temática considerada racista. O evento aconteceu nessa sexta-feira (8), no Palácio da Aclamação, em Salvador (BA), e contou com a presença de celebridades como Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Preta Gil, além de outros artistas e empresários.

Muitos internautas e ativistas acusaram a socialite de racismo por conta da decoração que remetia ao período colonial, marcado pela escravidão negra. Uma das imagens que mais causou revolta foi a da cinquentenária sentada em uma cadeira em meio a duas mulheres negras fantasiadas com roupas brancas. As críticas relacionavam a cena às antigas fotos das “cadeirinhas de carregar”, em que dois negros escravos levavam uma figura branca ao centro. 

Repercussão

Após a polêmica, a socialite usou o Instagram para se explicar. “Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa”, disse.

Na publicação, Meirelles pediu desculpas por ter gerado incômodos. “Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir”. 

Entre as figuras públicas que criticaram a socialite está a cantora Elza Soares. Em sua página no Instagram, Elza postou uma foto que recria a imagem das “cadeirinhas de carregar” protagonizando as pessoas negras. No texto, a artista enfatizou que “felicidade às custas do constrangimento do próximo, seja ele de qual raça for, não é felicidade, é dor”. “O limite é tênue. Elegância é ponderar, por mais inocente que sua ação pareça”, afirmou.

 

 

Gentem, sou negra e celebro com orgulho a minha raça desde quando não era “elegante” ser negro nesse país. Quando preto não usava o elevador dos “patrões”. Quando pretos motorneiros dos bondes eram substituídos por brancos em festividades com a presença de autoridades de pele branca. Da época em que jogadores de um clube carioca passavam pô de arroz no rosto para entrarem em campo, já que não “pegava bem” ter a pele escura. Desde que os garçons de um famoso hotel carioca não atendiam pretos no restaurante. Éramos invisíveis. Celebro minha raça desde o tempo em que gravadoras não davam coquetel de lançamento para os “discos dos pretos”. Celebro minha origem ancestral desde que “música de preto” era definição de estilo musical. Grito pelo meu povo desde a época em que se um homem famoso se separasse de sua mulher para ficar com uma negra, essa ganhava o “título” de vagabunda, mas não acontecia se próxima tivesse a pele “clara”. Sou bisneta de escrava, neta de escrava forra e minha mãe conhecia na fonte as histórias sobre o flagelo do povo negro. Protesto pelos direitos da minha raça desde que preta não entrava na sala das sinhás. Gentem, essas feridas todas eu carreguei na alma e trago as cicatrizes. A maioria do povo negro brasileiro. Feridas que não se curaram e são cutucadas para mantê-las abertas demonstrando que “lugar de preto é nessa Senzala moderna”, disfarçada, à espreita, como se vigiasse nosso povo. Povo que descende em sua maioria dos negros que colonizaram e construíram o nosso país. Hoje li sobre mais uma “cutucada” na ferida aberta do Brasil Colônia. Não faço juízo de valor sobre quem errou ou se teve intenção de errar. Faço um alerta! Quer ser elegante? Pense no quanto pode machucar o próximo, sua memória, os flagelos do seu povo, ao escolher um tema para “enfeitar” um momento feliz da vida. Felicidade às custas do constrangimento do próximo, seja ele de qual raça for, não é felicidade, é dor. O limite é tênue. Elegância é ponderar, por mais inocente que sua ação pareça. A carne mais barata do mercado FOI a carne negra e agora NÃO é mais. Gritaremos isso pra quem não compreendeu ainda. Escravizar, nem de brincadeira. Seguimos em luta ✊🏾

Uma publicação compartilhada por Elza Soares (@elzasoaresoficial) em



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