terça-feira, 19 fevereiro 2019
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Congressistas dos EUA chegam a um princípio de acordo para evitar novo fechamento do Governo | Internacional


Os congressistas norte-americanos chegaram a um princípio de acordo para evitar um novo fechamento parcial do Governo, quatro dias antes do final do prazo de três semanas dado por Donald Trump, para acabar com o mais longo bloqueio administrativo da história do país. Os negociadores dos dois partidos fizeram o anúncio na noite de segunda-feira, após um final de semana de negociações orçamentárias infrutíferas.

Em 26 de janeiro, o presidente cedeu à pressão e permitiu a abertura temporária da Administração, após 35 dias em que os mais de 800.000 funcionários federais estiveram sem receber o salário, após exigência de Trump ao Congresso, recusada pelos democratas, de 5,7 bilhões de dólares (21 bilhões de reais) para financiar o muro na fronteira com o México. “Chegamos a um acordo para acabar com o fechamento e reabrir o Governo federal”, disse à época Trump. “Em breve, assinarei um projeto de lei para abrir nosso Governo por três semanas, até 15 de fevereiro”.

O princípio de acordo acertado na segunda-feira, de acordo com fontes do Congresso citadas pela Associated Press, contempla a construção de novas barreiras na fronteira com o México, mas o valor destinado será apenas um quarto da quantidade requisitada pelo presidente ao muro: pouco menos de 1,4 bilhão de dólares (5 bilhões de reais), contra os 5,7 bilhões exigidos por Trump.

Os detalhes do acordo, que os negociadores pretendem anunciar na terça-feira, ainda precisam de mais acertos, segundo as mesmas fontes. A Casa Branca não esclareceu se o presidente estaria disposto a aprovar o acordo, mas um novo fechamento administrativo poderia ser muito prejudicial aos republicanos, vistos pela maioria dos norte-americanos, de acordo com as pesquisas, como responsáveis pelo fechamento anterior.

Ao mesmo tempo em que os negociadores anunciavam seu princípio de acordo, o presidente estava na cidade fronteiriça de El Paso, Texas, em que fez seu ato mais importante desde a campanha das eleições legislativas de novembro, que deram a Câmara dos Representantes aos democratas. Os gritos de “Construa o muro!” com que as milhares de pessoas reunidas o interrompiam a todo instante sugerem que Trump terá dificuldades para vender aos seus eleitores o princípio de acordo feito no Congresso como algo parecido ao grande muro na fronteira que lhes prometeu.

Em El Paso, o presidente não se referiu ao acordo e reiterou, mais uma vez, sua discutível afirmação de que construir o muro ao longo da fronteira deteria um suposto aumento em crimes violentos e tráfico de drogas feitos por imigrantes que procuram chegar aos Estados Unidos. “As drogas derramadas pela fronteira matam milhares de norte-americanos. Teríamos uma enorme queda nesses números se tivéssemos um muro”, disse o presidente.

Outro protagonista do ato de Trump foi o ex-congressista democrata de El Paso Beto O’Rourke, um de seus possíveis rivais democratas nas eleições presidenciais de 2020 (ainda que não tenha anunciado até agora se concorrerá às primárias), que programou um ato paralelo ao do presidente na cidade. Trump ridicularizou insistentemente O’Rourke, que esteve próximo de ganhar uma cadeira no Senado em novembro pelo Estado extremamente conservador do Texas, mas perdeu.

Na semana passada Trump colocou El Paso, que tem uma barreira física com o México desde 2008, como exemplo de como construir um muro pode solucionar a criminalidade. “A cidade fronteiriça de El Paso tinha índices extremamente altos de crimes violentos, um dos mais altos de todo o país, e era considerada uma das cidades mais perigosas de nossa nação. Agora, imediatamente após sua construção, com a presença de uma poderosa barreira, El Paso é uma das cidades mais seguras de nosso país”, disse Trump no discurso sobre o estado da União.

Mais uma vez, os fatos não amparam o presidente: El Paso era a segunda cidade mais segura das 20 cidades de tamanho parecido antes da construção do muro há 11 anos, e continuou a ser depois. Teve seu auge de crimes violentos (6.500) em 1993, e diminuiu seguidamente desde então, no mesmo ritmo antes e depois da construção do muro. Nem mesmo aquele pico foi tão violento: Washington, cidade de tamanho semelhante, registrou nesse mesmo ano 16.600 crimes violentos.

Não é a primeira vez que uma comunidade de fronteira se viu em meio ao polarizador debate sobre imigração. Em 10 de janeiro, durante o que se transformaria no mais longo fechamento governamental da história, o presidente escolheu McAllen, outra cidade texana na divisa com o México, para um encontro televisionado com agentes de fronteira que o ajudaram a convencer o país da necessidade de se construir o muro para acabar com uma suposta onda de crimes. Um teatro local o recebeu com um eloquente cartaz na fachada: “Bem-vindo a McAllen, a sétima cidade mais segura dos Estados Unidos”.


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