terça-feira, 17 setembro 2019
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‘Baby shark’: a verdadeira história da música que arrasa entre os bebês (e nas listas dos EUA) | Cultura

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Você se lembra do Gangnam Style? A música do PSY chegou da Coreia do Sul no verão de 2012 para dominar o planeta e ficou por anos. Ainda não sabemos se foi embora. Há um novo fenômeno que chega do mesmo lugar, mas sua particularidade é que você só terá escutado se tiver filhos pequenos ou conviver com algum bebê a partir de um ano de idade. Chama-se Baby Shark, mas todo mundo só se lembra do que vem depois dessas palavras: doo doo doo doo doo doo doo doo.

A música, nessa versão, tem três anos e traduções para vários idiomas. O idioma não é um grande problema quando, na melhor tradição do doo-wop e seguindo o rastro do sucesso viral Trololo (do falecido Eduard Khil) ou do gago que arrasou nos anos noventa chamado Scatman (piiii pa pa pa ro po), o que gruda como chiclete no cérebro de quem ouve é uma única sílaba repetida com uma melodia tão fácil que se pensa: mas por que não tive eu essa ideia?

Além disso, a canção tem apenas nove frases mais e quase todas têm a palavra shark (tubarão). Tudo isso serviu, em resumo, para que uma canção infantil quase sem letra nem sentido esteja agora na 32ª posição da Billboard Hot 100, a lista de singles mais vendidos dos Estados Unidos e a mais importante do mundo, acima de Miley Cyrus, Ariana Grande e Dua Lipa, estrelas pop que arrasam.

Mas não é a primeira vez que a música toca para as crianças e nem sequer a primeira vez que invade as listas de sucessos de um país. Esta canção tem tantos anos que os pais de alguns bebês que a cantarolam agora podem tê-la cantarolado quando eles mesmos eram bebês. Composta pelos educadores norte-americanos Shawnee Lamb e Robin Davies na década de noventa —que hoje, se fizeram tudo certinho, terão visto sua conta corrente transbordar de direitos autorais— se tornou uma canção habitual em creches e acampamentos infantis.

O tema era acompanhado de movimentos básicos que ensinavam psicomotricidade às crianças: ao cantar “bebê tubarão” mexiam os dedos como se fosse a pequena mandíbula de um tubarãozinho que vai nadando pelo mar; ao cantar “mamãe tubarão” formava-se uma mandíbula maior com as duas mãos, e ao cantar “papai tubarão” as arcadas se moviam já enormes, ao juntar-se os dois braços (sem dúvida, pais, erro crasso e alerta de mensagem heteropatriarcal: em quase todas as espécies de tubarões as fêmeas são maiores do que os machos).

O primeiro grande sucesso na Internet para Baby Shark chegou em 2007. Na época uma alemã chamada Alexandra Müller cantou a capela uma versão em sua casa com ares de rock e outra letra. O vídeo, visto hoje, não teria qualidade suficiente para resistir sequer a um minuto de visionamento, mas vamos lembrar que estávamos em 2007 e aquele YouTube que ainda aprendia a engatinhar estava se tornando a plataforma de vídeos mais popular do mundo.

Esta versão, sem dúvida, é um pouco mais trágica que a original: na letra, o pequeno tubarão protagonista cresce e come uma banhista. A letra no fim diz “A menina flutua / doo doo doo doo / O tubarão se aproxima / doo doo doo doo / a menina grita Ahhhhh!”. Mas seu sucesso foi tão grande que na Alemanha chegou a ser gravado como single, com uma base dance, e chegou ao 25º lugar da lista de singles na Alemanha e ao 21º na vizinha Áustria.

Pule agora para 2015. Pinkfong, uma marca sul-coreana de brinquedos e produtos educativos, recupera a canção e faz com ela uma animação colorida e chamativa que se torna viral no YouTube. A versão é a seguinte, quase igual à que hoje toca no mundo inteiro, e invadiu a lista Billboard Hot 100:

O que falta? As imagens reais de crianças fazendo a coreografia, um pequeno detalhe que fez o vídeo passar de arrasar simplesmente (quase 160 milhões de reproduções) para se tornar um fenômeno histórico no YouTube (com mais de dois bilhões de reproduções, a versão final com imagens de crianças dançando é um dos 30 vídeos mais vistos da história da plataforma).

Não é a primeira vez que a música toca para as crianças e nem sequer a primeira vez que invade as listas de sucessos de um país. Esta canção tem tantos anos que os pais de alguns bebês que a cantarolam agora poderiam tê-la cantarolado quando eles mesmos eram bebês

O que fez a canção entrar na lista de sucessos dos Estados Unidos dois anos depois de ser lançada inicialmente? Não só sua popularidade, que parece ter alcançado um pico, mas uma semana especialmente tediosa em reproduções no YouTube (mais de 20 milhões em sete dias) e o desaparecimento da lista de singles de 23 músicas de Natal depois das festas, que deixou espaço para novas canções. Apesar de as reproduções na plataforma de vídeo contarem para as listas de sucesso nos EUA desde 2014, representam apenas 73% de seu sucesso: a canção também teve em só uma semana 3.000 downloads de locais como iTunes e no Spotify acumula mais de 50 milhões de reproduções.

Agora, depois de saber tudo isso, volte a escutar e tente tirá-la da cabeça. Baby Shark, doo doo doo doo doo doo doo doo, baby Shark, doo doo doo doo doo doo doo doo. Mas essa melodia já não existia? Aí está a grandeza das melodias simples e efetivas: parece que sempre estiveram por aí, doo doo doo doo.

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